Raio X: O que esperar do primeiro trimestre de 2019 da Usiminas?

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Usiminas, uma das maiores indústrias de siderurgia do Brasil, é um caso emblemático de empresa correlacionada com os preços internacionais de suas Commodities mas com alta dependência do mercado interno.

O setor de siderurgia é cíclico e depende muito do bom andamento da atividade econômica brasileira. A indústria siderúrgica vende seus produtos para os segmentos de Construção Civil, Industrial, Linha branca e principalmente Automotivo.

A Usiminas (BOV:USIM5) atua na fabricação de bens de capital, na transformação do aço e na mineração. O preço dos seus produtos costumam acompanhar os preços do mercado internacional do aço, mesmo grande parte dos produtos sendo absorvidos pelo mercado nacional.

 Expectativa para o próximo balanço(1T19)

A dinâmica de preços do minério e do aço previstas para 2019, considerando os primeiros acontecimentos do ano, abrem espaço para o crescimento dos resultados da Usiminas. 

Caso a atividade industrial brasileira tenha um ritmo mais aquecido, isso pode dar celeridade ao avanço dos dados operacionais nos próximos trimestres. Aliado ao cenário econômico, a empresa aumentou sua capacidade de geração de caixa graças a vitórias judiciais em relação a um empréstimo compulsório à Eletrobras e ao recálculo e reapropriação de tributos recolhidos indevidamente.

Originado nos itens “não recorrentes”, os créditos advindos da demanda Usiminas x Eletrobras podem ser transformados em caixa ao longo de 2019.

Outro aspecto relevante, um Capex adicional para Mineração Usiminas(MUSA) em função de eventuais adequações regulatórias após a catástrofe em Brumadinho. Ainda há a expectativa para a potencial venda do ativo, sendo este um potencial gatilho de valorização. Aspecto importante é o crescimento exponencial da cautela de players internacionais com as potenciais alterações nas regras do setor. 

Se mantiver a alta nos preços do minério, a companhia pode focar na aceleração da elevação da capacidade da MUSA, que dada a necessidade das aprovações e adequações, começaria a surtir efeito a partir do 2T19. 

Alguns analistas alteraram a recomendação de compra para Usiminas e alertam para alguns destaques no próximo balanço, que será divulgado dia 18, quarta-feira:

  1. Demanda mais fraca do que o previsto com volume estável no mercado doméstico
  2. Preço médio estável comparado com o último trimestre de 2018
  3. Recuo no custo caixa
  4. Alta no preço do minério de ferro

O crescimento mais significativo dos setores de construção civil e de automóveis no Brasil será de fundamental importância para a expansão operacional. Este setores, considerados cíclicos, ou seja, que possuem grande sensibilidade às variações da atividade econômica, poderão avançar principalmente pela pauta mais liberal proposta pelo novo governo e pela consequente retomada dos investimentos no País, que deve ampliar a geração de empregos e renda.

Do lado dos custos, a companhia prevê queda de aproximadamente 4% já nos primeiros meses do ano, número bastante em linha com as nossas estimativas.

Análise do último trimestre(4T18)

Muito dependente da atividade no mercado interno, 83% da receita líquida veio proveniente do mercado interno no último balanço, a companhia ainda se ressente da lenta retomada da economia brasileira.

A empresa apresentou uma receita líquida de R$3,4 bilhões, crescimento de 9,7% na comparação anual.

O custo dos produtos vendidos (CPV) fechou o trimestre totalizando R$3,1 bilhões, alta de 14,8% em comparação ao 4T17. Números fortemente impactados pela queda nos volumes e consequente não diluição dos custos.

O resultado financeiro da Companhia no quarto trimestre de 2018 foi um saldo positivo de R$637,8 milhões contra um resultado negativo de R$172,1 milhões no 4T17. Esse resultado se deve principalmente ao reconhecimento de um crédito a receber da Eletrobras (ELET3) e à correção no cálculo do PIS e da COFINS. Com isso, no 4T18, a Companhia apresentou um lucro líquido de R$401,4 milhões, revertendo um prejuízo de R$44,9 milhões no mesmo período do ano passado, culminando em uma margem líquida de 11,8%.

O Ebitda ajustado, que serve como parâmetro de resultado operacional, no trimestre foi de R$830,3 milhões, contra R$450,3 milhões do 4T17 , crescimento de 84,4%. Esse crescimento é explicado pelo reconhecimento do valor de créditos fiscais relativos à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFIS. O resultado desse crescimento, fez as margens de Ebitda ajustado passarem de 14,6% para 24,2%.

O volume total de vendas de minério de ferro no trimestre ficou em linha com o 4T17, totalizando 1,5 milhões de toneladas. Como o preço médio de venda do minério de ferro teve uma alta de 9% em relação ao mesmo período do ano anterior, a receita subiu mesmo com a estabilidade no volume vendido. Por sua vez, o volume de vendas em toneladas de aço recuou de 1,1 milhão de toneladas no 4T17 para 1,0 milhão de toneladas no 4T18, o que foi também compensado pelos melhores preços praticados no mercado interno e externo.

Os investimentos (CAPEX) somaram R$240,7 milhões neste trimestre, superiores ao montante de R$107,1 milhões do quarto trimestre de 2017. Deste total, 74% dos recursos foram direcionados para a unidade de Siderurgia, 22% para a mineração, 3% para transformação do aço e 1% para bens de capital, aproximadamente.

A dívida líquida recuou para R$4,156 bilhões. Cerca de 8% da dívida bruta está voltada para o curto prazo.

O perfil de longo prazo das obrigações são aspectos positivos para a Companhia que possui caixa suficiente para honrar com os compromissos de curto prazo.

Pontos fortes x Pontos fracos

Positivos:

  • Unidades de produção geograficamente dispersas facilitam o atendimento a diferentes polos industriais no Brasil.
  • Forte presença nas regiões mais industrializadas e que concentram mais da metade do PIB nacional.
  • A Empresa tem presença permanente no conselho de administração da MRS Logística porque possui participação no capital da empresa.
  • Know-how em aços especiais para o segmento de construção civil possibilita que a Usiminas conte com vantagens competitivas para a participação em grandes projetos de infraestrutura no Brasil.
  • Conta com um Centro de Tecnologia que é o maior e mais moderno da América Latina e permite à empresa buscar inovações para dominar tecnologias de alto valor.
  • Linha de produtos variada para atender diferentes mercados.

Fracos:

  • O setor de atuação da Usiminas é altamente cíclico, com a demanda atrelada ao nível de atividade econômica, especialmente devido às aplicações do aço serem direcionadas a setores também cíclicos da economia.
  • Dificuldades de ajuste da produção à demanda em função da dinâmica da produção de aço.
  • Forte concorrência no segmento.
  • Flutuações no câmbio podem prejudicar o desempenho financeiro da Companhia.

Números da Usiminas

A empresa tem um valor de mercado de R$12.633.387 e um Enterprise Value(EV) de R$16.789.828.

O valor patrimonial por ação(VPA) é de R$12,53. Com isso, a empresa vale 0,71 x o seu valor patrimonial.

A empresa vale 13,62 x seu lucro anual com um lucro por ação de R$0,66 (cotação de 16/04/2019).

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Nos últimos 12 meses, as ações da USIM5 oscilaram entre R$6,88 e R$11,66.

A Usiminas ON também é negociada na B3 com os ativos da Usiminas (BOV:USIM3).

Dividendos

Em reunião no dia 28/12/2018, ficou decidido o pagamento de Juros sobre Capital próprio(JCP) no dia 31/05/2019 no valor de R$0,79188 por ação USIM5 e R$0,71989 por ação USIM3.

Aluguel de Ações

Data Aluguéis Volume
15 Abr 2019 56.936.791 8.802.400
11 Abr 2019 63.958.056 8.370.800
10 Abr 2019 56.703.511 11.413.000

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