Após comprar Avon, Natura despenca até 8%. O que dizem os analistas

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Nesta semana, a fabricante de cosméticos Natura (BOV:NATU3) finalmente anunciou a aquisição da concorrente Avon, tornando-se a quarta maior do mundo no setor. A movimentação trouxe ao mercado um clássico exemplo da máxima “sobe no boato, cai no fato”.

Na Bolsa, a NATU3 disparou 9,7% na quarta-feira (22) esteira das primeiras notícias sobre o acordo. Entre 22 de abril e 22 de maio, subiu quase 40% ante queda de 0,3% do Ibovespa. A confirmação dos termos do negócio, porém, foi depois do fechamento do pregão de quarta – e o papel despenca mais de 7% nesta quinta-feira, chegando a uma queda de até 8% no início da tarde.

A ambiguidade na Bolsa reflete a dificuldade da operação e o momento atual da companhia. Para analistas, consultores e gestores, as sinergias potenciais do acordo são realmente muito interessantes, mas salvar a Avon será um desafio e tanto para uma Natura que ainda lida com uma reorganização interna após a compra da The Body Shop há apenas dois anos. Um desafio que pode não compensar.

No fato relevante publicado sobre a aquisição, a empresa diz esperar sinergias entre US$ 150 milhões e US$ 250 milhões, “algumas das quais serão reinvestidas para aumentar ainda mais sua presença nos canais digitais e mídias sociais, em pesquisa e desenvolvimento, iniciativas de marca e expansão da presença geográfica do grupo”.

Os analistas do Bradesco BBI opinam que as ações já subiram muito e não terão espaço para crescer mais neste ano. O banco rebaixou o papel para underperform por avaliar que o risco/retorno do negócio não é atraente, apesar de confiar que o acordo “tem muitos méritos” e esperar sinergias inclusive maiores do que o estimado pela Natura, em até US$ 300 milhões.

Em relatório, os analistas destacam que a alta do papel já bateu 35% desde o início das especulações sobre o acordo em meados de março. “As ações não oferecem upside [potencial de valorização] mesmo com sinergias de US$ 300 milhões”, apostam. A estimativa de valor de mercado deles para a empresa conjunta é de R$ 55 por ação – valorização nula.

O UBS também tem call de venda para Natura, com preço-alvo de R$ 40. Para eles, a operação “envolve uma reestruturação complexa”, e o mercado já precificou sinergias de US$ 185 milhões. Para aumentar o valuation, a empresa teria de entregar acima disso.

Quem confia na alta

Analistas do Itaú mantêm recomendação de compra para Natura. Eles classificam a compra como “transformacional” em termos de alcance geográfico, aumento de portfólio de produtos e de canais de venda. Para eles, parte das sinergias já está precificada, mas “novas fontes de ganhos relevantes podem continuar a afetar positivamente o preço da ação”.

Adeodato Netto, estrategista da Eleven Financial Research, disse na quarta-feira que a ação da Natura tinha tudo para subir (de fato, subiu quase 10%), mas previu um movimento ambíguo do mercado graças ao fator disruptivo do negócio.

Consultores apontam Natura como uma das varejistas mais digitais do setor, o que ajuda na expectativa de equilibrar a balança das operações de ambas as empresas envolvidas. Vale lembrar que as vendas da Natura andam de lado há 5 anos – e a Avon teve prejuízo de US$ 32,7 milhões no trimestre passado.

Alexandre van Beeck, sócio-diretor da GS&Consult, confia no potencial do trabalho que a empresa vem fazendo em repensar o canal de vendas diretas para agregar no conceito de omnicanalidade. “É preciso encaixar esse canal em uma mentalidade da desintermediação das relações de consumo. Quem não agrega valor está sendo eliminado”, diz.

Para Netto, a solução encontrada em parceria com o Santander, que criou um serviço de pagamento em cartão próprio para as vendedoras porta-a-porta, e a geração de receita associada aos serviços financeiros agregados a essa modalidade de vendas têm chance de virar “um monstro” com a Avon.

Sua visão positiva também se baseia no sucesso da integração da Body Shop, que no passado esmagou a ação da Natura para R$ 24 antes de uma valorização até os R$ 61,50 do fechamento da quarta-feira. Esse movimento provou que a agora quarta maior empresa do setor sabe incorporar concorrentes às suas operações.

As informações são do site InfoMoney 

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