BB reduz preço justo de Vale de R$ 62 para R$ 55,00 e mantém recomendação de compra

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Após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre, e com informações mais acuradas com relação aos efeitos pós-tragédia de Brumadinho tanto na Vale (BOV:VALE3) quanto no mercado externo, o BB Investimentos ajustou o preço-alvo para as ações da mineradora, de R$ 62 para R$ 55,50, mantendo a recomendação de Outperform (acima da média do mercado, ou compra).

Segundo relatório, assinado pela analista sênior Gabriela E. Cortez, o modelo de análise da empresa foi ajustado a fim de incluir os dados atualizados em respeito a (i) despesas pré-operacionais e não-recorrentes, (ii) novas projeções para os preços internacionais de Minério de Ferro (MF) (iii) prêmios pagos projetados para os produtos de maior qualidade e, (iv) novas premissas de produção e venda da Vale nos próximos anos.

O BB Investimentos destaca forte demanda e oferta menor que devem afetar o mercado, mantendo preços mais altos para o minério. Em termos de fundamentos de mercado, o banco vê a demanda de MF ainda forte na China, amparada pelo crescimento da produção siderúrgica e o controle ambiental mais rigoroso no país.

Do lado da oferta, as limitações decorrentes dos fechamentos de capacidade da Vale, juntamente com os ciclones na Austrália, levaram os preços internacionais de minério ao maior patamar desde 2017 (ultrapassando os US$ 100/t na semana passada). Além disso, a demanda por pelotas continua em tendência positiva, contribuindo para melhores preços realizados e maiores margens.

Comparado com as projeções de fevereiro, o banco fez os seguintes ajustes:

  1. Capacidade de produção: A Vale estima uma redução na produção na ordem de 93 Mil Toneladas (Mt) para 2019, incluindo (i) 40 Mt da Mina de Feijão, Fabrica e Vargem Grande, (ii) 30 Mt de Brucutu e (iii) 23 Mt de Alegria e Timbopeba. Neste sentido, o banco projeta um impacto de 68 Mt para o ano todo, pois acredita que Brucutu deva retornar suas operações no segundo semestre deste ano, e que o desenvolvimento de S11D fique no topo da meta esperada para este ano (70Mt – 80MT). Já para pelotas, a produção deve ficar em 49Mt, considerando a capacidade adicional de Tubarão e São Luís, em despeito dos 11Mt de corte já anunciados. Em relação ao volume de vendas, o BB Investimentos espera que somem 312 Mt no ao, considerando minério de ferro e pelotas, o que significaria uma queda de 15% comparado aos volumes vendidos no ano passado.
  2. O banco também ajustou as premissas em termos de preços de MF para este ano, a fim de incorporar a alta observada após Brumadinho. “Calculamos o minério de ferro 62 em uma média de US$ 91/t para este ano, US$ 80/t para 2020 e em US$ 58/t no longo prazo”, diz o relatório. Já para os prêmios pagos pela qualidade, a contribuição de pelotas deve crescer devido às revisões de preços feitas nos contratos da Vale. Entretanto, o banco vê os prêmios de qualidade pagos para os finos de MF caindo de US$ 8,1/t no 4T18 para US$ 5,6/t, voltando aos níveis do 1T18. Apesar da retomada dos prêmios pagos para MF no curto-prazo, vemos estes valores caírem levemente ao longo do ano devido ao mix de produtos no portfólio da companhia.
  3. Anteriormente, o BB Investimentos esperavas que o Custo Caixa C1 aumentasse em razão do pior mix e do aumento de produtos dos sistemas Sul e Sudeste e, mais recentemente, devidos às mudanças de logísticas anunciadas pela Vale para suprir o mercado doméstico. Entretanto, como visto no release de resultados, o efeito não será visto no custo caixa, mas em despesas. Assim, o banco ajustou o custo caixa C1 e agora espera que o mesmo fique em média de US$ 13,4/t em 2019, com a possibilidade de chegar a US$ 12/t no LP.
  4. Além dos US$ 3 bilhões incluídos no modelo para desembolsos com indenizações dos acidentes com barragens, o BB acrescentou agora as despesas de parada e pré-operacionais. Durante o primeiro trimestre, estas paradas somaram US$ 217 milhões, considerando US$ 160 milhões de 2/3 dos volumes parados. Removendo Brucutu, estes US$ 160 milhões somariam cerca de US$ 225 milhões– quantia que o banco considerava para o segundo trimestre. Para o ano de 2019, a projeção do BB é de US$ 950 milhões de despesas totais, incluindo recorrentes e não recorrentes.

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