Rompimento recente dos US$8 mil pelo Bitcoin é fundamentalmente diferente de 2017

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A primeira vez que o Bitcoin rompeu a marca de US$8 mil foi em novembro de 2017, período conhecido por qualquer entusiasta das criptomoedas como o intervalo em que as moedas digitais atingiram suas marcas mais altas em termos de valor.

Após sair dos mais de US$19 mil em dezembro de 2017, para ser trocado por US$3 mil em 2018, passando o ano em queda, a criptomoeda dominante do mercado voltou a subir em 2019. Atualmente, o Bitcoin encontra-se constantemente dentro da zona dos US$8 mil, ainda que não tenha se firmado de forma convincente nessa área.

Contudo, apesar da faixa de valor ser a mesma, há uma grande diferença – esta fundamental – entre ambos movimentos.

Hype versus desenvolvimento

O movimento responsável por impulsionar o Bitcoin em 2017 foi causado pelo hype das ofertas iniciais de moedas (ICOs). Diversos investidores novos adentraram no mercado de criptoativos com a intenção de especularem em relação às ICOs, elevando a demanda por criptomoedas – o que também fez subir o valor.

A famosa ascensão estratosférica de 2017, no fim das contas, é oca. Foi uma movimentação de valor causada pelo medo dos investidores de talvez ficarem de fora de uma grande oportunidade de enriquecimento – sentimento também conhecido como FOMO (fear of missing out).

Contudo, durante esta nova movimentação, muita coisa mudou. Soluções de escalabilidade dedicadas à blockchain do Bitcoin, como o SegWit, não possuíam a adoção que possuem hoje – a Lightning Network sequer estava ativa.

Nesse sentido, a Drivechain, que viabiliza soluções de escalabilidade de segunda camada, não estava completa. Ferramentas como a Liquid, rede de liquidez entre exchanges e instituições ao redor do mundo, também não estavam ativas.

Outro grande diferencial são as atomic swaps. Apesar de ser uma importante ferramenta para cumprir a proposta descentralizadora do Bitcoin, elas nunca haviam sido utilizadas.

Grandes nomes do setor institucional, como a Fidelity e a Intercontinental Exchange (responsável pela Bakkt), não haviam manifestado interesses claros em adentrarem na esfera dos criptoativos. Ver grandes companhias incursionando e criando soluções dentro do setor gera uma grande confiança na tecnologia oferecida.

Charlie Lee, criador da Litecoin, recentemente curtiu um tuíte que trazia informações no mesmo sentido do que foi afirmado acima:

“Quando o Bitcoin rompeu os US$8 mil pela primeira vez:

A Segwit não era amplamente adotada;

A Lightning Network não estava ativa;

Nenhuma sidechain havia sido utilizada;

A Drivechain não estava completa;

A Liquid não estava ativa;

Atomic Swaps não haviam sido utilizadas;

Nenhum nó completo em satélite estava voando ao redor da Terra;”

A diferença do rompimento atual está em seus fundamentos. Ainda que, talvez, investidores estejam animados após os recentes anúncios referentes a grandes instituições, o fato destas mesmas instituições adentrarem o mercado significa que elas confiam na tecnologia.

Não se trata mais apenas de um movimento causado pelo medo de não ficar rico. Trata-se de instituições chegando ao mercado após a realização de diversos desenvolvimentos, e a entrada das mesmas está atraindo a atenção de outros investidores.

O movimento pode ser o mesmo, mas os fatores por trás dele são completamente diferentes.

Por Gino Matos

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