Presidente do BNDES pede demissão após críticas e ameaça de Bolsonaro

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O presidente do BNDES, Joaquim Levy, enviou hoje ao ministro da Economia, Paulo Guedes, carta de demissão. O pedido veio depois que o presidente da República, Jair Bolsonaro, deu declarações criticando duramente o executivo, acusando-o de não ser leal por ter indicado um executivo, Marcos Barbosa Pinto, que trabalhou em um governo do PT para um cargo no banco. Bolsonaro também desautorizou o ministro da Economia, Paulo Guedes, responsável pela indicação de Levy, ao afirmar que demitiria o presidente do BNDES sem falar com o ministro.

Bolsonaro deu as declarações a jornalistas ao sair ontem do Palácio da Alvorada no início da tarde, que Levy “está com a cabeça a prêmio há algum tempo”, e a situação teria piorado depois da indicação. “Eu já estou por aqui com o Levy. Falei para ele demitir esse cara na segunda-feira ou eu demito você, sem passar pelo Paulo Guedes”, disse Bolsonaro, desautorizando publicamente seu ministro mais importante.

Na nota, Levy diz que solicitou ao ministro Paulo Guedes o desligamento do BNDES. “Minha expectativa é que ele aceda”, acrescenta. Ele agradece Gudes pelo convite de servir ao país e deseja sucesso nas reformas. Levy agradeceu também aos diretores do banco e ao funcionários, “que têm colaborado com energia e seriedade para transformar o banco, possibilitando que ele responda plenamente aos novos desafios do financiamento do desenvolvimento, atendendo às muitas necessidades da nossa população e confirmando sua vocação e longa tradição de excelência e responsabilidade”.

Ontem, o pivô da crise, o advogado Marcos Pinto, também enviou carta de demissão a Levy. Segundo a carta, obtida pela GloboNews, o advogado diz que entrega a carta “com pesar”, logo após tomar posse, pois não quer continuar no cargo após o descontentamento manifestado pelo presidente Bolsonaro.

A ida de Levy para o governo Bolsonaro já tinha sido tumultuada, pois boa parte do grupo do presidente não gosta de seu nome, especialmente depois de suas passagens pelo governo do PT, como secretário do Tesouro no primeiro governo Lula e ministro da Fazenda no segundo mandato de Dilma Rousseff. Levy entrou no BNDES sob a proteção de Paulo Guedes, mas sempre enfrentou críticas e é visto com desconfiança pelo grupo de Bolsonaro.

Mais que uma troca esperada de um integrante do governo, porém, ficará o desgaste da forma como ela foi feita, diretamente pelo presidente, que praticamente demitiu um alto executivo publicamente, pela imprensa, sob fortes críticas. A atitude pode trazer de volta o receio de até onde pode ir a intervenção de Bolsonaro e seu grupo de apoio em órgãos importantes.

Esta é a segunda vez também que Bolsonaro desautoriza publicamente seu ministro da Economia, em menos de seis meses de governo. Primeiro, fez a Petrobras voltar atrás em um reajuste de combustíveis quando Guedes estava em viagem nos Estados Unidos, sem consultá-lo, o que levou à queda do então presidente da estatal, Pedro Parente. Agora, ameaça demitir Levy falando claramente que não vai consultar Guedes. A relação entre o presidente e seu superministro, definida por Bolsonaro como um casamento, volta à fase de tapas e se afasta da de beijos.

A seguir, a íntegra da mensagem do presidente do BNDES.

Solicitei ao ministro da Economia Paulo Guedes meu desligamento do BNDES. Minha expectativa é que ele aceda.

Agradeço ao ministro o convite para servir ao País e desejo sucesso nas reformas.

Agradeço também, por oportuno, a lealdade, dedicação e determinação da minha diretoria. E, especialmente, agradeço aos inúmeros funcionários do BNDES, que têm colaborado com energia e seriedade para transformar o banco, possibilitando que ele responda plenamente aos novos desafios do financiamento do desenvolvimento, atendendo às muitas necessidades da nossa população e confirmando sua vocação e longa tradição de excelência e responsabilidade.

Joaquim Levy

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