Semana terá guerra comercial, Amazônia, PIB do Brasil e dos EUA, emprego e reforma da Previdência

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Na próxima semana, os investidores estarão com as atenções voltadas para os desdobramentos da guerra comercial entre Estados Unidos e China, que aumentou de intensidade na semana passada após os chineses anunciarem tributação sobre US$ 75 bilhões de importações dos EUA e o presidente Donald Trump responder com aumento das alíquotas que serão aplicadas sobre os produtos chineses, de 10% para 15% e de 25% para 30%. As tensões entram na reta final esta semana. Uma primeira leva de aumentos de tarifas de ambos os lados deve ocorrer no domingo, em 1º de setembro, o que deve reforçar a expectativa dos investidores de que haja alguma tentativa de acordo até o fim de semana.

Ibovespa perde 4% e dólar sobe 8% em agosto

As reações de Trump e dos chineses derrubaram as bolsas ao redor do mundo e a tensão pode continuar nesta semana. O Índice Bovespa caiu 2,34% no dia, para 97.667 pontos, e perde 2,14% na semana e 4,07% no mês. No ano, o índice ainda sobe 11,13%. Já nos EUA, o Índice Dow Jones recuou 2,37% na sexta-feira e perde 4,60% no mês. O dólar comercial fechou na sexta-feira em R$ 4,12, maior nível desde setembro, com alta de 1,13% no dia e 3,02% na semana. No mês, a alta é de 7,99% e, no ano, de 6,43%. Os estrangeiros seguem retirando dinheiro da bolsa brasileira, com saída de R$ 10,495 bilhões no mês e de R$ 20,929 bilhões no ano.

No fim de semana, durante o encontro do Grupo dos 7 países mais ricos, Trump foi perguntado se não se questionava por ter elevado as tarifas sobre produtos chineses. O presidente respondeu que sim, mas, segundo a Casa Branca, ele quis dizer que se arrependia de não ter elevado as tarifas antes.

O clima entre os dois países, portanto, deve continuar de confronto. O presidente americano não deve, porém, usar uma lei que permite ao presidente, em situações de emergência, proibir empresas do país de manter relações com a China. Na sexta-feira, Trump afirmou que as empresas americanas deveriam deixar o país asiático e passar a produzir os EUA. Trump disse que a situação atual, de roubo de propriedade intelectual e ganhos financeiros dos chineses, caracterizaria uma emergência, mas acrescentou que não pretende usar a lei especial.

O jogo da reeleição

O presidente americano joga todas suas cartas, atacando o Federal Reserve (Fed, banco central americano) por não baixar os juros e os chineses para tentar manter a economia crescendo no ano que vem e criando empregos para garantir sua reeleição. Os ataques aos chineses também rendem popularidade a Trump, que se coloca como defensor da indústria local. Mas o impacto do aumento das tarifas de importação sobre os preços, portanto, sobre a inflação e o bolso dos consumidores, pode ter o efeito contrário do desejado pelo presidente.

Rescaldo do confronto G7-Brasil pela Amazônia

Enquanto a tensão comercial entre as duas maiores economias do mundo aumenta, aqui no Brasil as atenções devem se voltar para os desdobramentos do desgaste do país por conta da política ambiental do governo. A reunião do G7 terminou sem medidas restritivas para o Brasil e até com a oferta de ajuda dos países ricos para combater o incêndio na Amazônia. mas a imagem do país e, principalmente, de seu setor agropecuário, saiu bastante chamuscada do confronto com a com a comunidade internacional e isso pode se refletir em medidas pontuais contra produtores brasileiros.

Ação do agronegócio e do governo para evitar perdas

Também o acordo do Mercosul com a União Europeia fica mais complicado. Apesar de os líderes do G7 terem descartado a possibilidade de bloquear o acordo por conta da Amazônia, analistas lembram que ele terá de ser ratificado pelos Parlamentos de todos os países da União Europeia e o clima para isso é muito ruim. A expectativa agora é que o setor do agronegócio se mobilize e force o governo Bolsonaro a mudar seu discurso e adotar medidas de combate ao desmatamento irregular na Amazônia.

Proposta de reforma da Previdência na CCJ e Orçamento para 2020

Os analistas também acompanharão de perto a apresentação da proposta de reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O relator, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) anunciou na quinta-feira que seu relatório preliminar sobre a reforma da Previdência (PEC 6/2019) será entregue nesta semana, e não na sexta-feira da semana passada, como previsto.

Sobre a inclusão de estados e municípios no texto, um dos temas mais aguardados no debate, o senador afirmou que é “praticamente consenso”, reforçando que “o coração da Reforma será preservado e qualquer destaque ou supressão será via PEC paralela”. Tasso ressaltou ainda que as demandas de algumas carreiras para a aposentadoria especial são complexas e devem ser analisadas com cuidado. Com relação a eventuais correções no texto aprovado pela Câmara, ele reafirmou que terá como referência a “base da pirâmide, dos mais pobres para cima, e não ao contrário”, disse, segundo a Agência Senado.

Também deve ser encaminhado ao Congresso a proposta orçamentária de 2020.

PIB, IGP-M, resultado primário do governo e desemprego de julho

Na agenda, econômica, na segunda-feira, o BC divulga os dados de contas externas do país em julho. Na quarta-feira, saem os dados de crédito do sistema financeiro coletados pelo BC.

Já na quinta-feira, o destaque no Brasil será o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre. O Banco Fator estima um crescimento de 1,20% sobre o mesmo trimestre do ano passado, enquanto o Banco Itaú trabalha com 0,5% de crescimento. O Credit Suisse estima aumento de 0,4%. Também na quinta sai o IGP-M de agosto, que deve apresentar uma deflação de 0,72%, segundo o Banco Fator. Ainda na quinta-feira, deve sair o resultado primário do Governo Central (Tesouro, Banco Central e Previdência) de julho.

Na sexa-feira, o IBGE divulga a taxa de desemprego de julho na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua. O Credit Suisse estima uma ligeira queda na taxa de desemprego, de 12% para 11,8%. Sai também o resultado do setor público consolidado de julho, divulgado pelo Banco Central, e que deve trazer um déficit de R$ 1,5 bilhão, segundo o Credit Suisse.

PIB da Alemanha e dos EUA

No exterior, o destaque na agenda econômica será o PIB da Alemanha na terça-feira e o PIB dos Estados Unidos na quinta-feira. Na sexta-feira, saem dados de desemprego na zona do euro e a sondagem industrial na China. E devem continuar as preocupações com a saída do Reino Unido da União Europeia, com medidas do Banco Central Europeu e dos governos para tentar estimular a economia do euro e com a crise política na Itália.

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