Outubro pode trazer novo recorde do Ibovespa com Previdência, Lava Jato, contas públicas, produção industrial e guerra comercial EUA-China

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Os investidores terão um começo de outubro agitado, com a possível aprovação da reforma da Previdência no Senado nesta semana abrindo espaço para o Índice Bovespa bater novos recordes de pontos e os juros caminharem para níveis mais baixos que os atuais 5,5% ao ano. Na semana passada, o Ibovespa perdeu alguns pontos, mas ainda está bem perto do recorte histórico, e a aprovação da Previdência abriria espaço para o mercado consolidar um novo patamar para o principal referencial das ações brasileiras, atraindo os investidores externos mais desconfiados, se o cenário externo não atrapalhar.

O Índice Bovespa ensaiou na sexta-feira superar o recorde de 105.817 pontos de 10 de julho, mas fechou aos 105.077 pontos, em queda de 0,25%. O índice acumulou +0,25% na semana, +3,90% no mês, +19,56% no ano e +31,35% em 12 meses. Os estrangeiros trouxeram R$ 812,148 milhões no mês para a Bovespa, mas, em 2019, a saída líquida acumulada está em -R$ 20,417 bilhões, sem contar as compras de ações em ofertas públicas.

Dólar segue pressionado e BC faz leilões

Já o dólar fechou a R$ 4,1550 para venda na sexta-feira, em queda de 0,17% no dia. Na semana, a moeda americana teve pequena alta, 0,05%, com +0,31% no mês. No ano, o dólar sobe 7,23% e, em 12 meses, 3,95%. A pressão do dólar, em parte motivada pela substituição pelas empresas brasileiras de títulos emitidos no exterior por papéis locais com juros mais baixos, que as obriga a comprar dólares para remeter ao exterior, deve continuar. Com isso, o Banco Central anunciou na sexta-feira que vai continuar com leilões de dólar em outubro, para evitar uma pressão exagerada na moeda que poderia impactar a inflação.

Feriado na China e Trump contra investimentos chineses

Nesse ponto, o feriado de uma semana na China, em comemoração à revolução comunista, e que começa na terça-feira e vai até dia 8, pode acalmar um pouco os mercados, apesar das novas investidas do presidente Donald Trump contra a hegemonia chinesa preocuparem os investidores. Trump agora quer limitar a listagem de empresas chinesas nas bolsas americanas e o investimento americano nos mercados chineses, tentando limitar o avanço da China na economia mundial e, ao mesmo tempo, forçar um acordo comercial mais vantajoso no encontro marcado em Washington no dia 10.

Enfrentando um processo de impeachment na Câmara dos Representantes, que também pode mexer com os mercados, e já em campanha para reeleição, Trump quer tirar o máximo de proveito do descontentamento do americano médio com a China, que para parte da classe média americana rouba empregos e mercados da América. Outro alvo eleitoral de Trump é o Irã, que deve continuar na mira do presidente americano, provocando mais tensão no Oriente Médio e mexendo com os preços do petróleo em outubro.

Decisão também no Brexit em outubro

O mês também será decisivo para o Reino Unido, que terá de definir até 31 de outubro se consegue fechar um acordo para sair da União Europeia de forma organizada ou não. A tentativa do primeiro-ministro Boris Johnson de forçar uma saída sem acordo, prorrogando o recesso do Parlamento, parece ter fracassado, assim como a ideia de convocar novas eleições antes do prazo. Ao que parece, a saída da crise parece ser uma nova prorrogação do prazo para um acordo e novas eleições ou até um novo plebiscito para tentar reverter o Brexit.

Pacote de reformas deve acelerar ajuste fiscal e impactar juros e bolsa

No Brasil, o acordo entre o ministro Paulo Guedes e o Congresso para tentar avançar em outras reformas também pode ajudar o mercado de ações e a queda dos juros a partir de outubro. O próprio presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou na semana passada que apenas a reforma da Previdência não é suficiente.

O primeiro item da pauta acertada entre Guedes e Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do deputado Pedro Paulo (DEM-RJ) para acelerar e ampliar os “gatilhos” de ajuste nas despesas obrigatórias, que incluem benefícios previdenciários e salários de servidores, para o cumprimento da Regra de Ouro.

O segundo ponto é a desvinculação (fim das receitas vinculadas a determinados gastos), desindexação (retirar a necessidade de conceder automaticamente reajustes) e desobrigação de despesas. Essas mudanças seriam implementadas via PEC.

O terceiro ponto é o Plano Mansueto que concede a Estados pouco endividados, mas com dificuldades de caixa, acesso a novos empréstimos em troca de medidas de ajuste fiscal.

A reforma tributária também está no plano prioritário do governo. A reforma administrativa, para mudar a estrutura de carreiras e salários no Executivo, a autonomia do Banco Central e a privatização da Eletrobrás também estão nesta lista
de prioridades.

Finalmente, ficou acertado que o governo poderá realizar o mega leilão do pré-sal em novembro, mesmo sem a definição de quanto receberão os estados e municípios dos recursos a serem arrecadados nesta venda (R$ 106,5 bilhões). Assim, será
promulgada apenas a parte do texto da PEC que tem consenso entre deputados e senadores, o que inclui a autorização para o leilão e o pagamento de R$ 33 bilhões da dívida da União com a Petrobras.

Para a LCA Consultores, a agenda tem impactos fiscais relevantes tanto no curto prazo, como a prazos maiores. O seu avanço resultará numa melhora do cenário fiscal, o que resultará num juro real de equilíbrio menor e na aceleração dos investimentos, diz a consultoria.

Lava Jato balança no Supremo

Ainda na agenda paralela do mercado, o Supremo Tribunal Federal (STF) deve terminar de votar o caso que pode cancelar vários julgamentos da Operação Lava Jato. O assunto, se os acusados deveriam ser ouvidos depois dos delatores, e não antes, como ocorreu na maioria dos casos, já foi decidido pela maioria, com seis votos a favor, mas faltam ainda os do presidente Dias Toffoli e do ministro Marco Aurélio de Mello.

Mais importante, porém, será a proposta que Toffoli prometeu apresentar para não implodir de vez a Lava Jato e cancelar todos os julgamentos, o que causaria forte desgaste do Judiciário junto à opinião pública. É possível que ele proponha que apenas quem tiver pedido a revisão do caso durante o julgamento tenha direito ao cancelamento.

Contas públicas e desemprego na Europa abre a semana

Na agenda da semana, os destaques serão o resultado primário do setor público consolidado publicado pelo BC na segunda-feira e o Índice de Confiança Empresarial da Fundação Getulio Vargas. O boletim Focus também pode mostrar como estão as projeções para os juros e para o PIB brasileiro depois da ata do Copom e do IPCA-15 e do IGP-M de setembro.

Na Europa, sai a taxa de desemprego de setembro da Alemanha e da zona do euro e a inflação ao consumidor (CPI) alemã. Nos EUA, sai o índice de gerentes de suprimento (ISM) de Chicago e a sondagem industrial do Fed de Dallas.

Produção industrial na terça

Na terça, o IBGE divulga a Produção Industrial de agosto e a consultoria Markit o índice dos gerentes de compras (PMI) industrial brasileiro. Sai também a balança comercial de setembro, os indicadores industriais da CNI e as vendas de veículos da Fenabrave. No exterior, saem os PMIs industriais do euro e da Alemanha, que podem confirmar se a região caminha para a recessão, e a inflação ao consumidor do euro de setembro. Nos EUA, saem o PMI industrial e o ISM industrial de setembro e os gastos com construção.

Quarta-feira a Fipe divulga o IPC de setembro e o Banco Central o índice de preços de commodities (IC-BR).

Nos EUA, a empresa ADP divulga os dados de emprego do setor privado de setembro, que servem de prévia para o dado oficial do governo que sai na sexta-feira. Saem também os estoques de petróleo bruto dos EUA.

Quinta-feira o Markit divulga o PMI de serviços e composto brasileiro de setembro, com as projeções das empresas para a atividade. Também na zona do euro saem os PMIs de serviços e composto da região, além dos preços ao produtor (PPI) de agosto e as vendas no varejo do mesmo mês.

Nos EUA, além dos pedidos de seguro desemprego semanais, será divulgado o PMI de serviços de setembro, as encomendas à indústria em agosto e o ISM de serviços de setembro.

Dados de emprego nos EUA

Sexta-feira no Brasil haverá apenas a divulgação da produção de veículos de setembro pela Anfavea. Mas o grande assunto do dia será o payroll, com os dados de emprego nos EUA divulgados pelo Departamento do Trabalho, que podem influenciar as decisões de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

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