PMI Industrial sobe em setembro para maior nível desde novembro de 2017 e indica melhora da atividade e do emprego

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O setor industrial brasileiro continuou a se fortalecer, com as melhorias nas condições operacionais em seu ritmo mais rápido em 22 meses, informou hoje a consultoria Markit. Após um retorno ao crescimento em agosto, o volume de produção cresceu no ritmo mais alto em um ano e meio, com as empresas respondendo a uma aceleração nos fluxos de pedidos.

Para a Markit, esses movimentos sustentaram aumentos sólidos nas compras e no nível de empregos, ao mesmo tempo em que o sentimento em relação aos negócios permaneceu elevado pelos padrões históricos. Já a Argentina atrapalhou as exportações, assim como a desaceleração da economia mundial. Hoje também o IBGE divulgou a Produção Industrial Mensal de agosto, com alta de 0,8 por cento.

Segundo a Markit, o Índice de Gerentes de Compras (PMI na sigla em inglês) Industrial brasileiro atingiu 53,4 em setembro, sazonalmente ajustado, acima dos 52,5 de agosto, indicando uma melhoria na saúde do setor pelo segundo mês consecutivo. Com isso, o PMI atingiu sua marca mais alta desde novembro de 2017.

Tanto a quantidade de novos pedidos quanto o volume de produção cresceram pelas taxas mais rápidas em um ano e meio no final do terceiro trimestre, com expansões sendo observadas em todas as três áreas principais do setor industrial, diz a Markit. Os empresários consultados destacaram uma demanda básica mais forte, a conquista de novos clientes e a oferta de novos produtos como as principais razões para o aumento das vendas.

Os dados sugerem que a recuperação nos pedidos se concentrou no mercado doméstico, com o volume de exportações baixando em setembro. Segundo os entrevistados, um clima desafiador para exportações e problemas na Argentina contiveram as vendas internacionais.

Emprego tem melhor crescimento em sete meses

Estimulados pelo influxo mais forte de novos pedidos, os fabricantes brasileiros se dispuseram a gastar mais em setembro, como mostram os aumentos consecutivos na compra de insumos e no nível de empregos, que cresceu da maneira mais significativa em sete meses. A melhora nas contratações foi atribuída a projeções otimistas de crescimento e ao fortalecimento da demanda.

A quantidade de compras se expandiu a um ritmo mais brando do que em agosto, mas foi sólido mesmo assim, destaca a Markit. A recuperação na compra de insumos foi suficiente para elevar os estoques de compras das empresas, embora também tenha ficado evidente uma desaceleração.

Estoques caem pela primeira vez desde janeiro e dólar pressiona preços

Já os estoques de produtos acabados declinaram pela primeira vez desde janeiro. Os entrevistados atribuíram a redução ao atendimento de pedidos com reservas de mercadorias.

A inflação de preços de insumos aumentou, em meio a relatos de alta do dólar. A taxa de crescimento de custos foi acentuada e a mais rápida em três meses. Os produtores de mercadorias procuraram compartilhar aumentos adicionais nos custos de insumos com seus clientes, aumentando seus preços novamente no final do terceiro trimestre, diz a Markit. Embora tenha sido moderada, a taxa de inflação de preços cobrados atingiu um recorde de alta de três meses.

Otimismo com o crescimento

As empresas permaneceram otimistas em relação às perspectivas de crescimento, com previsões de condições econômicas melhores, políticas públicas favoráveis, demanda mais forte e inovações sustentando o grau de sentimento positivo. O nível consolidado de otimismo foi elevado no contexto dos dados históricos para a pesquisa, apesar de ter caído um pouco em relação a agosto.

Para Pollyanna De Lima, economista responsável pelo estudo, o PMI do setor industrial brasileiro permaneceu firmemente dentro do território de crescimento em setembro, indicando uma recuperação contínua da saúde do setor após um ligeiro desvio em julho.

As fábricas aumentaram a produção em um ritmo raramente observado nos últimos sete anos, com a recuperação sólida do nível de empregos sugerindo que as empresas esperam que o impulso de crescimento tenha continuidade no curto prazo.

As encomendas se expandiram pela taxa mais forte em um ano e meio, o que é um bom presságio para a produção no futuro e também para o mercado de trabalho.

Um motivo para preocupação, mas não uma surpresa, foi que a pesquisa PMI mostrou uma queda no volume de exportações. Além da desaceleração global do comércio, as vendas internacionais continuaram sendo pressionadas pelos problemas persistentes na Argentina, um dos principais destinos de exportações brasileiras.

A última vez que os produtores de mercadorias indicaram um aumento mensal constante nas vendas externas foi no início de 2018.

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