JBS, Minerva e Vale são as apostas do BTG em meio ao dólar alto

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Em meio à grande desvalorização das ações por todo o mundo e o salto do dólar ante ao real, o BTG Pactual (BPAC11) recomenda aos investidores a exposição às ações de empresas dependentes da China, em especial Vale (VALE3), Minerva (BEEF3) e JBS (JBSS3). A explicação é que, apesar do país ter sofrido com o coronavírus, deve ser o primeiro a se recuperar.

Na visão dos analistas, a produtora de minério de ferro Vale negocia a 3,0x EV/EBITDA e um rendimento de 20% de FCF, e os preços do minério de ferro têm sido ultra resilientes, o que justificaria a compra do ativo.

Eles também destacam as empresas de proteínas, principalmente as produtoras de carne bovina JBS e Minerva (com 21% e 26% de rendimento de FCF). A demanda por seus produtos é relativamente inelástica e o mundo está com falta de carne. Além disso, elas também reduziram a alavancagem e melhoraram a liquidez do balanço nos últimos anos.

Em relatório enviado para clientes, a equipe destaca que o novo coronavírus teve um grande impacto negativo nas moedas emergentes e, principalmente, no real, que perdeu 21% de seu valor em relação ao dólar, um dos piores desempenhos de todas as moedas emergentes.

No período,  Ibovespa caiu 44% do seu pico em real e 56% na moeda americana. O índice em dólares agora está sendo negociado em níveis semelhantes aos observados no final de 2015, quando o país estava em profunda recessão e um processo de impeachment presidencial estava se formando.

Os analistas destacam que um real fraco geralmente é muito positivo para os exportadores brasileiros, pois grande parte de suas vendas está em dólares americanos, enquanto a maior parte de seus custos está em reais. No entanto, desta vez não é o caso, com vários exportadores prestes a sofrer uma queda acentuada na demanda por seus produtos, devido ao esperado abrandamento maciço da atividade econômica global.

Empresas de bens de capital (que vendem grande parte de seus produtos na Europa), fabricantes de aeronaves e produtores de petróleo devem ver uma grande queda na demanda por seus produtos. Assim, eles recomendam evitar também as ações de papel e celulose por enquanto, já que o setor está relativamente alavancado (4,6x dívida líquida / EBITDA) e grande parte de suas vendas também é destinada à Europa.

As companhias aéreas Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4) estão entre as mais afetadas por um real mais fraco, já que a maioria de suas vendas é em real, enquanto a maior parte (aproximadamente 50%) de seus custos de caixa (basicamente combustível) é em dólar. As aéreas também sofrem com uma redução maciça na demanda por seus serviços.

O BTG destaca também que M. Dias Branco (MDIA3) também deve sofrer, pois vende quase todos os seus produtos localmente, mas possui 60% dos custos (principalmente trigo) em dólares. Pelo menos a demanda por seus produtos (massas industrializadas) pode aumentar. Alguns varejistas têm uma parte de seus custos em dólares americanos e podem sofrer pressão de margem. É o caso da Renner (LREN3) (aproximadamente 25% do CPV) e da C&A (aproximadamente 28%).

Empresas com dívida em dólar e sem hedge também devem sofrer. É o caso da Oi (OIBR3) (53% da dívida em dólar), Sabesp (SBSP3) (49%) e Cemig (CMIG4) (43%), por exemplo.

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