BRF (BRFS3): Bradesco BBI e XP analisam impactos do covid-19 e recomendam compra; Ação desvalorizou 45,85% em 2020

LinkedIn

O Bradesco BBI e a XP Investimentos comentaram a possibilidade de a BRF reduzir abates de frangos nos seus frigoríficos por causa do avanço da epidemia do coronavírus no Brasil. Essa possibilidade foi levantada pelo executivo-chefe da empresa, Lorival Luz, em entrevista ao jornal Valor. O Bradesco BBI considera remota a possibilidade de que o Covid-19 atinja o setor como ocorreu nos Estados Unidos, onde vários frigoríficos foram temporariamente fechados após a contaminação de funcionários pelo vírus.

O BBI lembra que, mesmo nos EUA, onde segue monitorando de perto a situação, a maioria das plantas deve reabrir na próxima semana. “No Brasil a indústria adotou protocolos sanitários muito rígidos bem no começo da pandemia, o que pode mitigar os riscos de os frigoríficos serem afetados por fechamentos temporários”, comenta o BBI. A ação da JBS (JBSS3) continua a “top pick” do banco, mas a da BRF (BRFS3) também possui recomendação outperform – acima da média de mercado.

As ações da BRF (BOV:BRFS3) fecharam o dia em alta de 1,3%, sendo cotada a R$ 19,30. No ano, a ação tem forte desvalorização de 45,85%

Já a XP Investimentos pondera que, no Brasil, no momento existem poucos casos de funcionários contaminados pelo vírus, apenas 6 na BRF. “Segundo a empresa, os funcionários foram afastados preventivamente, ainda antes de terem o diagnóstico confirmado para o Covid-19. Seguimos monitorando de perto a situação do abastecimento e mantemos nossa recomendação de compra para a BRF”, destaca a XP.

A XP recomenda compra das ações da BRF, com preço-alvo de R$ 22 por ação. Considerando o preço de fechamento de ontem, a ação tem upside de 15,18%.

A BRF possui uma exposição menor ao mercado externo, com 48% de suas receitas provenientes desse segmento. Especificamente, cerca de 25% das receitas vem do Oriente Médio (mercado Halal), o qual segue pressionado devido às restrições em países chave, com a Turquia proibida de exportar para o Iraque e a planta da BRF em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, suspensa de exportar para a Arábia Saudita.

“Olhando para o mercado doméstico, esperamos maior pressão nos custos, enquanto a desaceleração econômica pode impactar as vendas de processados que são produtos de maior rentabilidade e o repasse dos custos aos preços. Porém, após queda significativa, as ações da BRF negociam a 6x EV/EBITDA 2020, o que vemos como um patamar atrativo. Além disso, apesar da dívida líquida/EBITDA de 3x em 2020, maior que seus pares, não vemos risco de liquidez para a empresa, que possui caixa e equivalentes, além de linha de crédito (revolving) suficientes para pagamento de dívidas nos próximos 3 anos” destaque a XP.

A XP, considerando um cenário otimista, projeta um preço-alvo de R$ 24, assumindo continuidade dos efeitos da Peste Suína Africana e manutenção da margem EBITDA normalizada em 13,5% a partir de 2023.

O mercado internacional é muito importante para BRF e com a Peste Suína Africana causou forte redução no rebanho chinês de porcos. Esperava-se, portanto, que as exportações de frango nacionais fossem ir excepcionalmente bem, uma vez que o frango é um substituto mais próximo do porco do que a carne bovina.

“Recentemente, no entanto, vimos muitas oscilações no comércio externo, com volumes de exportação de frango piores que o esperado e dados de bovinos excedendo expectativas, tanto em preço quanto em volume. Consequentemente, investidores começaram a se questionar se os impactos da Peste de fato seriam tão duradouros e se já não era uma boa hora para realizar seus lucros”, analisa a XP.

Funcionários com coronavírus foram afastados antes de diagnóstico positivo

A BRF frisou ontem (15), em nota, que os seis funcionários que tiveram covid-19 já haviam sido afastados quando o diagnóstico da doença foi confirmado. “Todos passam bem, estão recebendo o tratamento adequado”, informou a BRF.
“A BRF ressalta que todos os casos suspeitos já estavam afastados quando tiveram o diagnóstico positivo confirmado”, informou a companhia, acrescentando que os trabalhadores que tiveram contado com os funcionários contaminados foram afastados preventivamente.
De acordo com a BRF, dois dos seis funcionários que estão com coronavírus são de grupos de risco e, por causa disso, haviam sido afastados anteriormente, em 20 de março.
A empresa ressaltou, ainda, que os órgãos de saúde municipais foram notificados sobre os casos da doença entre funcionários da empresa.

Sobre a BRF

A BRF é uma das maiores empresas de alimentos do mundo e é a exportadora número 1 de carne de frango do Brasil. A empresa possui mais de 30 marcas em seu portfólio, dentre elas as gigantes Sadia e Perdigão, que juntas deram início à história da BRF em 2009.

 

Conheça o Telegram ADVFN e fique por dentro de tudo que acontece no mercado financeiro. 

Deixe um comentário