Banco do Brasil (BBAS3) 2T20: Lucro líquido contábil de R$ 3,2 bilhões

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O Banco do Brasil registrou lucro líquido contábil de R$ 3,2 bilhões no 2º trimestre. O resultado representa uma queda de 23,7% em relação ao mesmo período do ano passado (R$ 4,2 bilhões). Segundo o BB, o resultado foi influenciado, principalmente, “pela resiliência da margem financeira bruta, pressão nas receitas com prestação de serviços, diminuição das despesas com risco legal e aumento da PCLD (Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa)”

Os resultados do Banco do Brasil (BOV:BBAS3) referente a suas operações do segundo trimestre de 2020, foram divulgados no dia 06/08/2020.

→ O Banco do Brasil é a primeira instituição financeira bancária do Brasil, fundado em 1808. Possui mais de R$ 1,4 trilhões em ativos, caracterizando um dos 4 maiores bancos brasileiros com capital aberto. O banco possui R$ 95,4 bilhões de valor de mercado. Confira a Análise completa da empresa com informações exclusivas.

O índice de inadimplência de 90 dias caiu para 2,8% de 3,2%, uma vez que o banco deu aos clientes mais tempo para eles pagarem empréstimos como uma forma de ajudá-los a enfrentar as consequências da pandemia da economia.

Segundo o banco, desconsiderando o efeito de um caso específico, a inadimplência seria de 2,26% em junho.

A taxa de calotes de pessoas físicas passou para 3,43% em junho, ante 3,71% em março e 3,31% em junho do ano passado. No segmento de pessoas jurídicas, a inadimplência era de 2,42% no fim do trimestre, vinda de 2,83% em março e 3,84% em junho de 2019. Em agronegócio, o índice era de 3,14%, de 3,57% e 3,08%, na mesma base de comparação.

A inadimplência de curto prazo (15 a 90 dias) ficou em 1,54% em junho, de 2,21% em março e 2,08% em junho do ano passado.

Com as provisões feitas no segundo trimestre, o índice de cobertura do BB passou para 223,5% no fim de junho, ante 200,1% em março e 174,4% em junho do ano passado.

A margem financeira aumentou 8,2% em relação ao ano anterior, para 14,541 bilhões de reais, com menores custos de captação.

As receitas de tarifa caíram 6,4% perante um ano antes, a R$ 6,965 bilhões no trimestre encerrado em junho. As despesas administrativas totalizaram R$ 7,850 bilhões, alta de 2,6%.

A crise do coronavírus afetou as receitas de prestação de serviços do BB, que totalizaram R$ 6,965 bilhões no segundo trimestre e ficaram 6,4% inferiores às do mesmo período de 2019. Em relação ao primeiro trimestre, a queda foi de 1,4%.

Houve redução em cartões, operações de crédito e garantias, arrecadações e rendas de mercado de capitais, entre outros itens. De acordo com o banco, a pandemia levou à redução da demanda por produtos e serviços. No entanto, o BB também destaca o efeito estrutural da Selic mais baixa em algumas operações, em especial a administração de fundos.

As despesas operacionais foram de R$ 7,85 bilhões nos três meses até junho, com alta de 1% em relação aos três meses imediatamente anteriores e de 2,6% frente ao intervalo de abril a junho de 2019.

Desse total, R$ 5,008 bilhões foram despesas com pessoal, indicando alta de 1,8% em três meses e também na comparação com o segundo trimestre do ano passado. O banco tinha 92.474 funcionários no fim de junho, ante 96.168 um ano atrás.

O BB gerou retorno sobre o patrimônio líquido de 11,9% no segundo trimestre, ante 12,5% nos três meses anteriores e 17,6% no mesmo período de 2019. O índice de Basileia subiu para 18,7%, de 17,8% e 18,6%, na mesma base de comparação.

O banco contabilizou R$ 5,907 bilhões em despesas com provisões para devedores duvidosos (PDD) no conceito amplo entre abril e junho. O número representa um avanço de 42,4% em relação ao de igual período de 2019 e um crescimento de 6,6% no primeiro trimestre deste ano.

No primeiro semestre, as despesas de PDD somaram R$ 11,445 bilhões, expansão de 51,8% frente à metade inicial de 2019.

O BB apontou ainda que o saldo de operações de crédito prorrogadas ficou em R$ 71,8 bilhões em junho, o que representa 11,6% da carteira de crédito interna, em mais de 1,7 milhão de operações. Desse montante, 98,4% das operações possuem rating entre AA e C e 98,8% das transações não tinham histórico de atraso nos últimos 12 meses.

Além disso, 69,1% estão atreladas a garantias e mitigadores. O tempo médio de relacionamento dos clientes que prorrogaram operações é de 14,3 anos.

Do total de R$ 71,8 bilhões prorrogados, 53% são de pessoas jurídicas, 43% de pessoas físicas e 4% do agronegócio.

Entre 16 de março e 30 de junho, foram registrados mais de R$ 171 bilhões em desembolsos de crédito, incluindo operações novas, renovações, prorrogações e renegociações. Desse total, 49% são de PJs, 30% de PFs e 21% do agronegócio.

Carteira de crédito 

Na gestão de Rubem Novaes, que se encerra hoje, o banco fez um esforço para direcionar operações com grandes empresas para o mercado de capitais e concluiu uma reestruturação na área de micro, pequenas e médias.

No agronegócio, o crédito ficou relativamente estável, e o BB fechou junho com saldo de R$ 182,393 bilhões. O número representa alta de 0,3% em três meses e de 0,7% em um ano. O banco tem direcionado operações com clientes do segmento agroindustrial para o mercado de capitais.

O Banco do Brasil chegou à metade do ano com R$ 725,132 bilhões em sua carteira de crédito ampliada, que inclui empréstimos e financiamentos, avais, fianças e outras operações com risco de crédito. O saldo encolheu 0,5% em relação a março, e acumulou crescimento de 5,1% em relação a junho do calendário anterior.

A queda trimestral se deu tanto nas operações de pessoas físicas como nas de pessoas jurídicas, sobretudo empresas de grande porte.

O estoque de crédito a pessoas físicas somava R$ 216,834 bilhões no fim do segundo trimestre, com queda de 0,2% em três meses e alta de 6,3% em um ano. O BB encolheu em linhas mais arriscadas, como cheque especial e cartão de crédito, mas também recuou no financiamento imobiliário.

No segmento de pessoas jurídicas, o saldo de operações era de R$ 219,518 bilhões na metade do ano, indicando queda de 1,1% frente a março e alta de 6,3% em relação a junho do ano passado.

A carteira de grandes companhias diminuiu 5,6% no trimestre e 5,4% em 12 meses, para R$ 97,285 bilhões. Enquanto isso, o BB avançou nas operações com micro, pequenas e médias empresas, que totalizavam R$ 66,977 bilhões, representando alta de 1,5% frente a março e de 10,3% em um ano.

Ainda no segmento de pessoas jurídicas, o banco registrou um avanço nas operações com governo, que vinham crescendo pouco. O total de operações estava em R$ 55,256 bilhões no fim do segundo trimestre, alta de 4,5% frente a março e de 28,7% em comparação com junho do ano passado.

Impostos e JCP

Os impostos alcançaram 967 milhões de reais, alta de 69,4% em relação ao mesmo trimestre de 2019. A carteira de empréstimos do BB se manteve praticamente inalterada em relação ao trimestre anterior, ao contrário de seus maiores concorrentes listados, que mostraram expansão. As despesas operacionais aumentaram 2,6%, enquanto as receitas de tarifas caíram 6,4% em meio a medidas de isolamento social e à competição bancária mais acirrada.

O BB comunicou que seu conselho diretor aprovou o valor de 1,257 bilhão de reais em remuneração aos acionistas sob a forma de juros sobre o capital próprio (JCP) relativos ao primeiro semestre de 2020.

Clientes digitais

O Banco do Brasil (BB) afirmou que já tem 5,1 milhões de cientes “nativos digitais”, ou seja, aqueles que começaram seu relacionamento com o banco por meio de canais digitais. O número teve alta de 69,1% em 12 meses e 13,2% no trimestre. Destes clientes, 81,4% tem até 40 anos.

“Este crescimento reforça o compromisso do banco com a ampliação do volume de negócios com novos clientes (principalmente o público jovem)”, diz o BB. “A era digital mudou hábitos e comportamentos do consumidor, de modo que o seu grau de exigência aumentou. Donos de um poder sem precedentes, os consumidores demandam diálogo, compromisso e transparência das empresas”, acrescenta.

Segundo o BB, no segundo trimestre as transações realizadas pelos canais de atendimento internet e mobile representaram 88,1% das transações totais. O mobile tem 18,9 milhões de usuários recorrentes – que utilizaram o app pelo menos uma vez nos últimos três meses. Desse total, 31,8% acessam o aplicativo diariamente.

De acordo com o banco, os canais digitais representaram 48% do desembolso em crédito pessoal, 16,0% no crédito consignado, 38,3% das aplicações e resgates nos fundos de investimento e 62,6% na quantidade de operações de contratação de serviços (contas, pacotes de serviços, fundos de investimento, cartão, capitalização, seguros e consórcios).

Para o BB, estar presente e interligado em todos canais, físicos e digitais, auxilia o atendimento integral das demandas dos clientes. Por isso, o ominichannel é fundamental na centralidade do cliente, pois melhora a percepção da presença do BB. “Foram aprovados para os próximos três anos investimentos adicionais de R$ 2,3 bilhões para tecnologia e analytics, para oferecer aos clientes novas experiências com opções mais práticas, seguras e rápidas no mundo digital.”

Visão do mercado

O impacto é negativo para o analista de empresas, Luis Sales, da Guide Investimentos. O banco apresentou resultados levemente inferiores aos esperados pelo consenso, impactados principalmente devido ao cenário adverso de pandemia e redução da taxa básica de juros. Entre bancos, nosso nome preferido segue sendo o Itaú.

 

Fonte Valor e Reuters
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