Grendene (GRND3) no 2T20: prejuízo líquido de R$ 44,4 milhões

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Grendene registrou um prejuízo líquido de R$ 44,4 milhões no período de abril a junho. No mesmo período do ano passado a empresa teve lucro de R$ 41,5 milhões. Com a produção de suas fábricas no Ceará paralisada por conta das medidas de isolamento no Estado, a empresa ficou sem estoque.

Os resultados da BR Distribuidora (BOV:GRND3) referente a suas operações do segundo trimestre de 2020, foram divulgados no dia 14/08/2020.
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A receita líquida caiu 86%, para R$ 56,7 milhões. A estratégia para sair desse quadro difícil passa por acelerar o plano de vendas pela internet, com canais operadoras diretamente pela companhia.

“O que a gente conseguiu, durante essa pandemia e da vigência dos decretos do governo do Ceará, foi entregar para alguns canais nosso estoque de produtos prontos e produzir botas que são equipamentos essenciais”, disse Alceu Albuquerque, diretor de relações com investidores da Grendene.

As unidades fabris de Crato, Fortaleza e Sobral, que abrigam toda a produção da Grendene, ficaram fechadas até o fim de maio. No início de junho, começou a retomada. A unidade de Sobral, que representa entre 70% e 80% da produção, voltou a operar em 24 de junho. A empresa também tem uma unidade fabril em Teixeira de Freitas (BA), que está paralisada desde o ano passado, e outra em Farroupilha (RS), onde estão o escritório central e a área de inovação.

O fechamento das lojas físicas gerou um impacto forte nos resultados. “Por conta do fechamento do comércio físico, que antes da crise representava 85% das vendas do setor, houve uma retração muito grande na demanda dos produtos”, disse Albuquerque. “O consumidor estava e ainda está muito receoso em consumir, principalmente produtos não essenciais”.

Para evitar demissões entre seus de 18 mil funcionários, a Grendene adotou férias coletivas, e redução de jornada e de salários. No dia 23 de março, concedeu férias coletivas a todos os empregados. Em Farroupilha, os funcionários retornaram no dia 13 de abril com redução de salário de 50%. As unidades do Ceará ficaram em férias coletivas até 27 de abril em Sobral e Crato e até 13 de maio em Fortaleza, com 70% de redução de jornada e de salário e os 30% restantes computados como banco de horas. Atualmente, o ritmo de produção está praticamente retomado.

Vender calçados pela internet, sem intermediários, faz parte do plano para sair da crise. Nesta sexta-feira, a marca Zaxy, de calçados para mulheres jovens, ganha uma nova loja online, disse Paulo Pedo, diretor de Melissa e responsável pela transformação digital da Grendene. É a primeira marca com e-commerce 100% operado diretamente pela Grendene no país. A meta é internalizar todas as marcas, incluindo Melissa, Rider, Ipanema e Grendha, entre outras. O modelo atual é feito pela NC8, uma empresa de Florianópolis que compra os calçados da Grendene e opera a maioria das lojas online, exceto a operação internacional.

Pedo conta que os investimentos foram congelados na pandemia, exceto para a área digital. “A gente tinha um plano de dois anos e acelerou para um ano”, afirma.

“Se a gente tiver uma coleção boa com produtos que caiam no gosto dos clientes isso vai fazer com que tenhamos uma retomada”, diz Albuquerque, que vê sinais de retomada desde julho. “Hoje estamos mais otimistas do que em abril e conseguimos olhar o fim do túnel”.

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