Via Varejo (VVAR3) 2T20: Lucro líquido de R$ 65 milhões

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A Via Varejo registrou lucro líquido contábil de R$ 65 milhões no segundo trimestre de 2020, revertendo parcialmente o prejuízo de R$ 162 milhões registrados no mesmo trimestre do ano passado. A empresa teve forte desempenho do comércio eletrônico, uma vez que medidas de isolamento por causa da pandemia de Covid-19 elevaram as vendas online.

Os resultados da Via Varejo (BOV:VVAR3) referente a suas operações do segundo trimestre de 2020, foram divulgados no dia 12/08/2020.

Ebitda ajustado operacional – lucro antes de antes de juros, impostos, depreciação e amortização –  teve acréscimo de 76%, a R$ 314 milhões, com alta de 2,9 pontos percentuais na margem Ebitda operacional ajustada, a 5,9%.

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A receita líquida caiu 12,4%, para R$ 5,28 bilhões, enquanto a receita bruta recuou 7,8%, a R$ 6,46 bilhões, mas com alta na margem bruta de 27,9% para 35,3%. A receita bruta nas lojas físicas caiu 63%, a R$ 2,18 bilhões, enquanto do online saltou quase 300%, a R$ 4,28 bilhões.

As vendas totais do ecommerce, incluindo marketplace, e lojas (GMV – Gross Merchandise Volume) ficaram quase estáveis (+0,5%) no segundo trimestre, a R$ 7,26 bilhões, enquanto o GMV apenas do comércio online, incluindo marketplace, saltou para R$ 5 bilhões, de R$ 1,3 bilhão um ano antes.

No segundo trimestre, as despesas com vendas, gerais e administrativas cresceram 0,7%, para R$ 1,365 bilhão, com aumento também do percentual em relação à receita para 25,9%, de 22,5% um ano antes. Excluindo fatores não recorrentes, essas despesas caíram 9,7%.

A inadimplência acima de 90 dias alcançou 13,5% no final do trimestre, mas a companhia disse que observou forte melhora dos recebimentos durante maio e junho, e que julho e agosto continuam fortes. “Esperamos durante o terceiro trimestre recuperar o atraso gerado pelo fechamento das lojas.” Em julho, essa taxa ficou em 9%.

A empresa incluiu cerca de R$ 241 milhões como ajuste não recorrente no trimestre. Sem considerar esse valor, a empresa teria registrado prejuízo de R$ 176 milhões no período, que na prática é chamado de prejuízo operacional. Ou seja, teve lucro contábil, mas prejuízo operacional de abril a junho. Essa perda, porém, diminuiu no intervalo.

Em ambos, para efeito de comparação, não se considera os ajustes não recorrentes de R$ 134 milhões incluídos no balanço de abril a junho de 2019 e de R$ 241 milhões incluídos neste ano.

As projeções de analistas para o trimestre não computavam um eventual cálculo de valores não recorrentes.

Em suas notas explicativas, a empresa informa que, em maio de 2020, conforme fato relevante publicado, a companhia obteve decisão favorável em um processo de discussão do direito à exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins.

O montante informado desta parcela dos créditos totalizava R$ 374 milhões (em valores atualizados), que após uma revisão dos cálculos identificou-se que este montante representa R$ 364 milhões registrados nas rúbricas de “PIS e Cofins a recuperar”.

Os R$ 241 milhões referem-se a “créditos tributários extemporâneos”.

Ainda há também uma atualização monetária de R$ 123 milhões incluída no resultado financeiro líquido. Considerando esse valor, o resultado financeiro foi de R$ 323 milhões, versus R$ 274 milhões um ano antes.

A companhia diz que ainda aguarda o julgamento dos embargos de declaração apresentados pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, por conta desses créditos. No entanto, os assessores jurídicos da companhia estimam que um eventual ajuste (como a Justiça restringir os efeitos da decisão, o que se chama de “modulação”) não limitará o direito da ação.

A Via Varejo disse que encerrou o segundo trimestre com uma posição de caixa total de R$ 7,4 bilhões e caixa líquido ajustado de R$ 2,9 bilhões, incluindo a carteira de recebíveis não descontados e alongamento via instrumento financeiro de dívida.

Teleconferência

As vendas no braço on-line compensaram as lojas fechadas durante a pandemia de covid-19, disse Roberto Fulcherberguer, presidente da Via Varejo. Segundo a direção, a loja física voltou a fazer as vendas mais fortes após a reabertura dos pontos. “O on-line compensou 100% o lockdown”, disse ele a analistas, em teleconferência nesta tarde.

O material de resultados do segundo trimestre mostra que a receita líquida da empresa atingiu R$ 5,2 bilhões no período, queda de 12,4% sobre os R$ 6 bilhões registrados um ano antes, reflexo do fechamento de lojas em boa parte do trimestre.

O comando foi perguntando como se explica a recuperação das lojas, se a alta poderia refletir o benefício do governo de R$ 600, que termina ao fim deste ano.

“É difícil chegar a essa conclusão. Estamos aqui muito focados no que estamos fazendo”, diz o executivo. Fulcherberguer afirma que, mesmo com lojas abertas, o on-line ainda cresce de forma acelerada, “mas obviamente com algum equilíbrio”.

“A venda de julho veio bem, físico e on-line em boa trajetória”, disse Fulcherberguer. O executivo ressaltou que a empresa cresceu sem perder margem. Essa taxa bruta sobe de 26% em abril para 33,5% em junho — no segundo trimestre ficou em 30,7%.

“A grande dúvida do mercado é se tinha destruição de margem, se teve ‘cash back’, e não teve isso, teve migração de consumidores para nós, para nossas lojas depois de todo o processo de virada, de ‘turnaround’ que tem sido feito nessa empresa desde o ano passado”, disse o presidente da Via Varejo.

Fonte Valor

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