Arezzo compra brechó de luxo online e cria fundo de corporate

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Arezzo & Co, dona das marcas Arezzo, Anacapri, Alexandre Birman, Schutz, Fiever, Alme e Vans no Brasil, está criando um fundo de corporate venture para investir em startups. Batizado de ZZ Ventures, ele nasce com uma administração separada para se aproximar de empresas que resolvam as “dores” da companhia tanto no varejo como na área tecnológica.

O comunicado foi feito pela empresa (BOV:ARZZ3) na manhã desta sexta-feira (20)

A Arezzo também fechou acordo para adquirir 75% do capital acionário da Troc.com.br, brechó on-line de artigos de luxo. O valor da transação é mantido em sigilo pela companhia e a compra depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O grupo vai ficar com 75% da companhia e a fundadora, a curitibana Luanna Toniolo, com os outros 25%. No final de três anos, ela poderá exercer o earn-out. O valor do negócio não foi revelado, mas é uma aquisição que envolve oferta primária e secundária.

A Arezzo adquiriu a participação que pertencia a investidores pessoais e fundos de venture capital como o Honey Island. O Grupo Reserva, recém adquirido pela Arezzo, permanece com os 8% de participação que já detinha na Troc.

A Troc é descrita como uma startup de tecnologia voltada para venda de peças usadas. O vendedor (pessoa física) envia as peças pelos Correios ou agenda a coleta em domicílio e, após a venda das peças, a Troc fica com um percentual deste valor.

Com a operação, a Arezzo passa a competir no mercado de produtos de segunda mão, abrindo uma nova frente de atuação no varejo. A companhia já havia informado no ano passado seu interesse em entrar no mercado de produtos usados, considerando que os calçados usados da Arezzo são comumente encontrados em sites de vendas de produtos usados.

A companhia informou ainda que lançou ontem o ZZ Mall, marketplace que opera mais de 30 outras marcas de moda e acessórios, além das marcas do grupo Arezzo&Co.

Quando for concluída a aquisição da Troc, o brechó on-line será conectado ao ZZ Mall. Segundo a companhia, os consumidores poderão vender as peças usadas, monetizar parte de seus guarda roupas e usar os créditos obtidos com essa venda para a compra de produtos novos na plataforma.

A Arezzo pretende expandir para todo o Brasil o serviço da Troc, que hoje se concentra principalmente em Curitiba, onde fica sua sede, e em São Paulo.

“Com capital vamos expandir a operação da Troc para todo o Brasil. Estamos entrando de maneira estruturada na economia circular que, no Brasil, é um negócio que dá seus primeiros passos”, disse Alexandre Birman, presidente da Arezzo.

A Troc possui atualmente 250 mil clientes na sua base mas, com a compra pela Arezzo, passa a ter acesso à base da companhia, de 10 milhões de clientes.

Aline Penna, diretora de estratégia, fusões e aquisições e relações com investidores da Arezzo & Co, disse em teleconferência que as vendas brutas da Troc hoje estão abaixo de R$ 10 milhões, mas tem potencial para “multiplicar em muitas vezes” as vendas do site, com sua expansão em nível nacional.

O grupo Arezzo vai investir R$ 12 milhões nos primeiros dois anos para aumentar o time de funcionários e encorpar a área de desenvolvimento tecnológico. “A Troc tem fila de espera de pessoas querendo vender na plataforma, mas há um gargalo”, diz Aline Penna, que comandou as negociações. “A empresa tem potencial para crescer a uma média de 150% ao ano nos próximos três anos.”

Aline disse que o mercado de segunda mão nos Estados Unidos movimentou US$ 28 bilhões no ano passado e deve chegar a US$ 80 bilhões em 2029. No Brasil, esse mercado movimentou R$ 7 bilhões no ano passado e deve chegar a R$ 31 bilhões em dez anos.

“No ano passado, o mercado de segunda mão cresceu 25 vezes mais que o varejo”, observou a executiva.

Birman acrescentou que a Troc pode ter novas vias de crescimento no futuro, como por exemplo a venda de peças novas de coleções antigas das marcas que estão no ZZ Mall.

Lucro cai no 3T20

O lucro da varejista de calçados Arezzo caiu 30% no terceiro trimestre, na comparação anual, para R$ 27,9 milhões.

A receita líquida recuou 5,5%, para R$ 416,4 milhões, puxada principalmente pelo recuo nas exportações. No mercado externo como um todo, que inclui além das exportações a operação nos Estados Unidos, a queda foi de 12,3% nas vendas. No mercado interno — que representa 88% do faturamento total da companhia — o recuo foi menor, de 0,9%.

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