Por dentro da fundação da BR Malls (BRML3)

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Com uma fundação consistente, qualquer construção vai para cima bem solidificada. O mesmo com as operações da BR Malls (BOV: BRML3) em seus shopping centers?

Vamos voltar no tempo e parar lá na década de 1950. Havia uma empresa de construção civil chamada Ecisa, que dava vida a projetos como estradas, viadutos, BRs, dando passagem para a população em geral e facilitando o todo o escoamento logístico por meio de suas construções. Entretanto, só ver o fluxo passar não era o bastante, ela queria poder aproveitar melhor tudo isso.

Foi na década de 1970 que a companhia deixou de atuar apenas com piche e passou a estar onde esse povo todo que passava pelas suas estradas também estava: nos shopping centers. Apenas quatro anos antes, o Brasil havia recebido seu primeiro shopping, em São Paulo – comprado posteriormente pela concorrente Iguatemi (IGTA3). Pegando carona nessa vibe, a Ecisa criou o segundo do país, porém o primeiro seguindo os modelos internacionais.

A partir disso, a companhia começou a desenvolver e investir em shoppings, e em 1990 já administrava e comercializava lojas e espaços nesses locais. Como fazer muita coisa ao mesmo tempo, para ela, não estava dando muito certo, estas últimas atividades foram transferidas para a Egec e a Dacom, que prestavam tais serviços para os shoppings em que a Ecisa detinha participação e também para outros, de terceiros.

O negócio, vantajoso do ponto de vista financeiro e com essa sinergia característica também atrativa, chamou atenção da GP Investimentos e da Equity Internacional, que em 2006 resolveram comprar as três companhias (Ecisa, Egec e Datacom) e criar a chamada BR Malls. “Do final de 2006 até hoje, fizemos ao todo 43 aquisições, 29 vendas totais ou parciais de participação, inauguramos 11 shoppings greenfields e realizamos 21 projetos de expansão”, afirma a companhia.

A partir de 2017, a estratégia da BR Malls se voltou para shoppings de cidade grande, os mais procurados por clientes e lojistas, em detrimento daqueles em cidades menores. Em 2017, a companhia encerrou o ano com 32 shoppings no portfólio, sendo 27 administrados diretamente por ela. “Eles totalizaram 1.304,9 mil metros quadrados de área bruta locável e 829,1 mil metros quadrados de área bruta locável própria, com aproximadamente 6 mil lojas em shoppings comercializados e vendas totais de R$ 21,2 bilhões”, revela a empresa. Ainda conforme ela, em 2019 a taxa de ocupação desses espaços oferecidos pela BR Malls foi de 97%.

A companhia tem ido Malls ou Bem?

Devido ao período de pandemia, que obrigou as lojas a estarem fechadas e, em sua fase mais flexível, exigiu uma carga de horário de trabalho mais encurtado, com os shoppings não poderia ser diferente. Em abril, quando foi iniciado o fechamento dos estabelecimentos, a BR Malls também teve de abaixar as portas.

Segundo a empresa, se comparado a 2019, os shoppings dela operaram apenas 1,5% do tempo naquele mês. Entretanto, em setembro, quando já se percebeu uma retomada das atividades, a porcentagem saltou para 74,4% e em outubro para 86,5%. A justificativa do bom desempenho gradual vem, é claro, da reabertura do comércio, mas também do poder de compra do público consumidor.

Conforme a companhia: “Ao analisar a parcela de domicílios que foram beneficiados pelo auxílio emergencial oferecido pelo Governo Federal nas diferentes regiões do Brasil, é possível constar que as regiões Norte e Nordeste tiveram maior alcance do benefício [61% e 59,1% de domicílios beneficiados, respectivamente]. Não obstante, ao comparar os dados das vendas mesmas lojas do portfólio brMalls por região no 3T20, Norte e Nordeste foram as que apresentaram melhor desempenho”.

Quanto aos lojistas, que perderam vendas por não poder operar durante bastante tempo, a BR Malls precisou tomar atitudes para evitar a temida inadimplência. Segundo a companhia, “procuramos realizar parcerias com bancos de modo a facilitar acesso a crédito e priorizamos investimentos em iniciativas que ampliassem os canais de vendas dos lojistas”. Além disso, a companhia também criou o “aluguel mínimo”, com reduções proporcionais ao período em que as lojas ficaram fechadas.

Em janeiro de 2020, a inadimplência líquida estava em 2% levando em consideração todos os shoppings da companhia. Em abril chegou a 23,1%, encerrando setembro em 4,6%. Em se tratando de pagamentos em atraso, na mesma base de comparação, as porcentagens oscilaram em 4,5%, 27,6% e 10,9%, respectivamente.

Além da parte financeira, a BR Malls também se posicionou estrategicamente no auxílio às empresas de alimentação dos shoppings. Em agosto de 2020, através do Delivery Center, que coleta os produtos dos lojistas e os entrega aos clientes, ela fez uma parceria com o Google para que as empresas pudessem receber diretamente pedidos de ferramentas do Google e Google Maps.

Sobre as perspectivas de enfrentamento da fase de epidemia, a BR Malls afirma em seu relatório do 3T20: “é possível constatar que os sinais da retomada estão ficando cada vez mais claros e o cenário de incerteza vem reduzindo mês após mês desde a reabertura integral do portfólio. A redução do cenário da incerteza contribuiu tanto para um aumento no nível de confiança dos varejistas quanto no nível de confiança dos consumidores”.

Carteira comprada em shopping

A sua carteira de investimentos está comprada, ou seja, possui ações de companhias como a BR Malls, que operam com shopping centers? Para saber se vale a pena, vamos entender melhor o desempenho dela e conhecer também suas concorrentes.

Fazendo uma análise mais completa da empresa, ela se destaca em alguns elementos que são essenciais para saber se o investimento é rentável, entre eles a solidez da companhia e a boa governança corporativa. Como vimos, desde que começou a operar, a BR Malls se tornou uma gigante e tem revelado um bom desempenho e muita resiliência nos momentos mais difíceis, como no caso da epidemia. Outro ponto importante, e um dos principais, é a saúde financeira dela, que teve uma oscilação, mas demonstra boas perspectivas de retomada e aceleração.

Vamos ver essa análise da BR Malls de um jeito ainda mais simples? Acompanhe o gráfico a seguir.

Análise profunda da BR Malls

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E não é só isso, existe muito mais o que oferecer aos investidores quando se faz uma análise mais minuciosa da BR Malls.

Já em se tratando da bolsa de valores, a empresa realizou sua Oferta Pública Inicial de Ações em 2007, dois meses após a concorrente Iguatemi (que fez IPO em fevereiro do mesmo ano, sendo a pioneira na bolsa entre as empresas do segmento). Além de receber investimentos do povo daqui, a BR Malls também negocia ações na NYSE, a bolsa de Nova Iorque. Até o fim de 2019, os papéis da companhia estavam concentrados em investidores brasileiros (44%), seguidos pelos norte-americanos (29%), europeus (15%), asiáticos (8%), canadenses (2%) e outros países (2%).

Também nesse ano a maior participação societária da empresa estava com a Dynamo Administração de Recursos (detendo 7,4% de todas as ações da empresa), seguida da BlackRock (6,3%) e da Atmos Capital Gestão de Recursos (5,1%), companhias administradoras e gestoras de recursos.

Para te ajudar a visualizar o desempenho das ações da BR Malls, dá só uma olhada no gráfico dela referente aos últimos cinco anos na bolsa.

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 Obs.: a última cotação data de 27 de novembro de 2020.

Neste momento em que você está lendo esta matéria, pode também acompanhar a performance das ações da empresa e ter outras informações em tempo real sobre ela. Uma das facilidades tecnológicas que só ajudam a vida.

E já que falamos tanto da BR Malls, vamos agora saber quem concorre pelos investidores com ela. O segmento é acirrado e conta com Aliansce Sonae Shopping Centers (ALSO3), BR Properties (BRPR3), Cyrela (CCPR3), General Shopping (GSHP3), Iguatemi (IGTA3) e muitas outras. Sobre isso, vale um comparativo de todas essas ações, e preparamos um gráfico exclusivo para facilitar a constatação de se esse é um investimento interessante.

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Obs.: a última cotação data de 27 de novembro de 2020.

Essa análise gráfica com certeza pode te ajudar a ter uma visão ainda mais ampla da BR Malls, mas existem outros modelos que podem te convencer de vez ou te dar a certeza de que não é interessante entrar com BR Malls na carteira.

Gostou desse artigo? Curta, comente e compartilhe e não deixe de saber sempre mais sobre as empresas em que investe – ou que gostaria de investir. Quer uma dica? Com o scanner ADVFN você tem um raio-x ainda mais completo das empresas, com sugestões de compra de acordo com seu perfil de investimentos. Será que BR Malls combina com você? Clica para saber e bons investimentos!

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