ADR da Petrobras cai 4,81% (US$ 10,30) no pré-mercado de NY após ameaças de Bolsonaro

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ADR da Petrobras (NYSE:PBR) cai 1,11% (US$ 10,70) no pré-mercado de NY após ameaças de Bolsonaro.

A Petrobras (BOV:PETR3) (BOV:PETR4) informou que não comentará declarações de Bolsonaro sobre presidente da estatal.

O Credit Suisse avaliou a crítica de Bolsonaro à alta de preços de combustíveis praticada pela Petrobras como negativa. Na avaliação do banco, o mercado deverá precificar o aumento de risco de interferência.

Irritado com um novo aumento no preço dos combustíveis pela Petrobras, o presidente Jair Bolsonaro criticou o presidente da companhia, Roberto Castello Branco, e disse que, embora não possa e “nem iria interferir” na empresa, “alguma coisa vai acontecer na Petrobras nos próximos dias”.

Ele também anunciou que, a partir de 1 de março, o governo irá zerar os impostos federais incidentes no diesel e no gás de cozinha. Nas últimas semanas, a estatal anunciou aumentos de 15,2% para o diesel e de 10,2% para a gasolina.

No caso do diesel, a suspensão de imposto federal valerá por dois meses. Segundo Bolsonaro, a perda de receita anual seria de R$ 26,9 bilhões. Já o ministro Guedes estimou em menos R$ 20,1 bilhões. Se for por dois meses seria de R$ 3 bilhões. Do gás, a tributação será zerada “ad aeternum”, segundo o presidente.

Bolsonaro criticou a atuação da Receita Federal e da Agência Nacional do Petróleo, dizendo que “ninguém dá bola para nada”, e abordou na sequência o caso da estatal. “Você vai em cima da Petrobras e ela fala: ‘Opa, não é obrigação minha’. Ou como disse o presidente da Petrobras há poucos dias: ‘Eu não tenho nada a ver com caminhoneiro. Eu aumento o preço aqui e não tenho nada a ver com caminhoneiro’. Foi o que ele falou, o presidente da Petrobras. Isso vai ter uma consequência, obviamente”, afirmou, em transmissão nas redes sociais, chamando o reajuste de “excessivo” e “fora da curva”.

Nos últimos dias, resistente em aceitar as alternativas da equipe econômica para compensar a perda de arrecadação, Bolsonaro chegou a sugerir que houvesse exceção nas exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) em momentos de calamidade para permitir a redução de impostos sem que se aponte outra fonte de receita. Na “live” de ontem, porém, ele não voltou no assunto.

“Neste período, vamos estudar maneira definitiva de zerar este imposto [PIS/Cofins do diesel]”, explicou o presidente. “Isso vai contrabalancear este aumento excessivo da Petrobras, mas eu não posso interferir, nem iria interferir [na estatal]. Se bem que alguma coisa vai acontecer na Petrobras nos próximos dias. Você tem que mudar alguma coisa, vai acontecer”, complementou.

A decisão foi tomada em reunião com o ministro da Economia, Paulo Guedes, durante a tarde. Ainda de acordo com o presidente, o reajuste anunciado pela estatal – de 10% sobre gasolina e 15% no diesel – segue os preços internacionais e não depende dele. “A bronca vem sempre para cima de mim, só que a Petrobras tem autonomia. Petrobras tem garantia e autonomia para aumentar os combustíveis”, reclamou.

O presidente também defendeu que a solução definitiva sobre o preço dos combustíveis dependerá da analise do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) sobre o ICMS, que é cobrado pelos Estados. Um projeto enviado pelo Planalto ao Congresso prevê revisão do imposto. “O Confaz vai decidir [sobre tributação de combustíveis nos Estados], acho que poderia dizer um valor máximo para o ICMS. Parece que quanto mais pobre é o Estado maior é o imposto de combustíveis.”

Preocupado em dar uma satisfação aos caminhoneiros, Bolsonaro levou em sua transmissão o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, principal interlocutor do governo com a categoria. O ministro garantiu que sua pasta estuda uma série de medidas para tornar “mais fácil” o trabalho dos motoristas.

“Nós temos o próprio estudo da questão do combustível em si, que está sendo levado em consideração, então tem algumas alternativas para amortecer essa volatilidade que vem do mercado externo. Então nós estamos trabalhando todas as possibilidades para tornar o custo do transporte menor, e a vida do nosso profissional do volante, sobretudo, mais fácil.”

As declarações de Bolsonaro e do ministro da Infraestrutura ocorreram pouco tempo depois de a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) criticar os reajustes. “O que nos faz questionar onde está a palavra do governo federal que na pessoa do presidente da República sinalizou a diminuição dos impostos federais dos combustíveis e vamos para o quarto aumento consecutivo em menos de trinta dias se mantendo inerte e nada fez de concreto até o presente momento”, disse nota o presidente da entidade, Wallace Landim.

Na nota, ele lembra que a associação solicitou a Guedes a redução a zero dos tributos federais sobre combustíveis no dia 26 de janeiro. O pedido teve por base o desafio lançado por Bolsonaro, de zerar a tributação se os governadores fizessem o mesmo. “Precisamos que o presidente da República dê a devida atenção a esta questão, com medidas efetivas e não apenas promessas vazias e sem nenhum cumprimento, afinal a nação está sofrendo as consequências das frequentes altas no preço do combustível”, aponta o documento, divulgado antes da transmissão de Bolsonaro nas redes sociais.

(Com informações do Valor)

Comentários

  1. Pedro Gilberto Rodrigues da Mota diz:

    Neste momento de pandemia, temos que tomar alguns cuidados com preços e reequilibrios. Não podemos deixar de lado a preocupação com os custos dos combustíveis, não é o diesel que vai subir e aumentar, são os insumos atras de tudo isto e tantos outros que seguirão. Não temos no mercado internacional santos empresarios de plantão, são todos por si e não tiro a razão, porque no país nunca houve planejamento, tão pouco não há planejamento global, razão pelo qual a China se desponta como alternativa de mercado; a ausência de planejamento na “democracia” intutulada, a ditadura chinesa e esmagando seus empresarios e seu povo tende a crescer devido ao desajustes dos demais países.

  2. Júnior diz:

    Presidente, chama a Dilma para explicar como reduzir preço dos produtos da Petrobrás.

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