Petrobras elege Joaquim Silva e Luna e contém ofensiva de minoritários

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A Assembleia Geral Ordinária da Petrobras aprovou hoje a indicação de Joaquim Silva e Luna como diretor-presidente, assim como mais seis nomes para integrar o conselho, quase dois meses após a ingerência do presidente Jair Bolsonaro na empresa deflagar a pior crise de governança de empresa estatal desde a Operação Lava Jato.

O comunicado foi feito pela estatal (BOV:PETR3) (BOV:PETR4) na noite desta segunda-feira (12). Com o resultado da AGE, a União mantém sete dos 11 assentos do Conselho de Administração.

Seis executivos foram indicados pela União, o acionista controlador da Petrobras. São eles Eduardo Bacellar Leal Ferreira, Ruy Flaks Schneider, Marcio Andrade Weber, Murilo Marroquim de Souza, Cynthia Santana Silveira; e Sonia Julia Sulzbeck Villalobos. O último membro aprovado para integrar o Conselho foi Marcelo Gasparino, indicado pelos acionistas minoritários.

Durante o processo de votação, temeu-se que os minoritários pudessem perder uma das duas cadeiras que possuem no Conselho, devido a uma possível represália do governo após esse grupo tentar emplacar dois nomes nas votações de hoje. A votação recebeu uma alta representatividade, com acionistas presentes que somaram mais de 90% das ações ordinárias da companhia.

O almirante Eduardo Bacellar foi reeleito para mais um mandato de dois anos como presidente do conselho de administração com 75,68% dos votos. O candidato teve 3,38% de votos contrários. Outros 20,94% optaram pela abstenção, de acordo com fontes.

Assembleia aprova destituição de Castello Branco

A Petrobras também anunciou a destituição de Roberto Castello Branco do cargo de membro do Conselho de Administração, o que acarretou na sua saída também da presidência da companhia.

“Em decorrência da vacância na presidência da companhia, o presidente do Conselho de Administração nomeou como presidente interino da companhia o diretor executivo de Exploração e Produção, Carlos Alberto Pereira de Oliveira, até a eleição e posse de novo presidente”, informou a companhia.

No comunicado ao mercado, a Petrobras agradeceu à gestão de Castello Branco, por sua liderança e contribuição, à frente da companhia desde janeiro de 2019.

“Roberto teve um papel fundamental para desalavancagem da companhia, melhoria da alocação de capital, com foco nos investimentos em ativos de classe mundial, e aceleração de desinvestimentos de ativos não prioritários. Através da implementação dos cinco pilares estratégicos, custos foram reduzidos e configurados para permanecerem em trajetória descendente, houve aumento da produtividade, aceleração da transformação digital, lançamento de compromissos de baixo carbono e sustentabilidade, e foco na meritocracia e criação de valor”, destacou a Petrobras no comunicado.

As ações preferenciais da Petrobras encerraram o pregão desta segunda-feira com alta de 1,01%, cotadas a R$23,89. No ano, os papéis registram desvalorização de 15,7%. A maior parte da queda decorreu da decisão de Bolsonaro de demitir Roberto Castello Branco da presidência da estatal durante uma transmissão ao vivo em uma rede social, em 18 de fevereiro.

VISÃO DO MERCADO

Ativa Investimentos 

A Ativa Investimentos classificou como um fato negativo à pluralidade da Petrobras a eleição de apenas um dos candidatos dos acionistas minoritários ao conselho de administração da estatal durante a assembleia geral extraordinária de hoje.

A Ativa destaca que o espaço para os minoritários no antigo conselho já era diminuto.

“Entendemos a perda de um assento por parte dos minoritários no conselho como mais um fator negativo à pluralidade da companhia, que inclusive, possui uma base minoritária pulverizada e que, possivelmente, será ainda menos representada pela nova composição”, afirma.

Bradesco BBI

O Bradesco BBI aponta que a eleição não trouxe surpresas em termos dos nomes propostas e o Conselho deve votar o nome do novo CEO provavelmente ainda nesta semana.

Goldman Sachs

As incertezas sobre a Petrobras devem se manter até que o novo presidente da empresa assuma o cargo e fale sobre a política de preços de combustíveis, a venda de refinarias e a alocação de capital da petroleira, diz relatório do Goldman Sachs.

A eleição do general da reserva Joaquim Silva e Luna foi aprovada ontem em assembleia geral de acionistas. Ele é o indicado do governo para assumir a presidência da estatal. O banco avalia que os riscos sobre a Petrobras aumentaram significativamente no último mês por causa do posicionamento do governo federal a respeito da manutenção da política de preços de combustíveis alinhada aos preços internacionais.

Goldman Sachs tem recomendação de compra e preço-alvo de R$ 41,10 para as ações ON e de R$ 37,30 para as PN.

⇒ Confira a agenda completa da divulgação dos resultados do 1T21

Lucro líquido de R$ 7,1 bilhões em 2020, queda de 82,3%

Petrobras registrou lucro de R$ 7,1 bilhões em 2020, queda de 82,3% em relação ao montante de 2019. A redução foi atribuída a alguns fatores como a queda de 35% do preço do petróleo, maiores perdas de valor de ativos, menores ganhos com desinvestimentos e desvalorização de 31% do dólar frente ao real.

O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, afirmou em sua última Carta do Presidente na divulgação do resultado do exercício de 2020, que entregou a recuperação em “J” que havia prometido, e que a empresa teve um desempenho excepcional em 2020, apesar do ambiente desafiador da pandemia de covid-19.

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