Petrobras registra queda de 5,3% em relatório de produção

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 A produção média de óleo e líquidos de gás natural (LGN) da Petrobras (BOV:PETR3) (BOV:PETR4) no Brasil no primeiro trimestre de 2021 foi de 2,196 milhões de barris por dia (barris/dia), queda de 5,3% em relação a igual período no ano passado.

Já a produção nacional de gás natural foi em média de 523 milhões de barris de óleo equivalentes por dia (boe/dia), diminuição de 2,4% na comparação anual. Somadas, as produções nacionais de óleo, LGN e gás natural da estatal caíram 4,8%.

A queda nos volumes produzidos é reflexo da venda de ativos realizada ao longo dos últimos meses, além do declínio natural da produção, que ficou em 11%, em média, nos projetos que já passaram do pico de produção e entraram na fase de declínio, de acordo com a petroleira.

“Devido ao agravamento da pandemia observado no 1T21, diminuímos novamente o efetivo das nossas plataformas e adotamos um regime diferenciado de embarque visando reduzir o fluxo diário de pessoas com a consequente mitigação do risco de contaminação e do impacto nas nossas operações”, destacou a estatal.

A produção no pré-sal representou 69% da produção da Petrobras no primeiro trimestre do ano, contra 63% registrado um ano antes, segundo informou a estatal em seu Relatório de Produção. O campo de Búzios, grande aposta da companhia, teve aumento de produção da ordem de 14%, devido, principalmente, à maior eficiência e estabilização das unidades de produção.

As paradas programadas para manutenção em plataformas durante os últimos meses de 2020, no entanto, afetaram as exportações. A Petrobras exportou 806 mil barris ao dia de petróleo no primeiro trimestre, retração de 36,6%.

As vendas do combustível no mercado interno cresceram. A Petrobras vendeu, em média, 610 mil barris ao dia de diesel no primeiro trimestre, alta de 20%. Para a estatal, o aumento reflete ganhos de participação no mercado, devido à maior competitividade frente às outras empresas. Já as vendas de gasolina somaram 330 mil barris diários, alta de 3,8%. Para a companhia, isso reflete ganhos de competitividade em relação a importadores.

Por outro lado, a pandemia afetou a venda de querosene de aviação, que caiu 35% em relação ao primeiro trimestre de 2020, quando os efeitos das restrições para combater a crise foram pequenos. A Petrobras registrou seu melhor resultado dos últimos cinco anos nas vendas de asfalto no primeiro trimestre, com 428,3 mil toneladas. As vendas de nafta também caíram, com a entrada em vigor em dezembro de novos contratos, menores, com a Braskem.

“Mantivemos sólido desempenho operacional no primeiro trimestre de 2021”, afirmou a empresa em nota, no primeiro relatório da gestão do novo presidente da companhia, general Joaquim Silva e Luna.

O campo de Tupi (ex-Lula), também registrou alta de produção, devido ao término do “ramp up” da plataforma P-67, disse a Petrobras.

A empresa informou que entre janeiro e março deste ano assinou contratos para cessão da totalidade de sua participação em 12 campos em terra e águas rasas, nas bacias do Recôncavo e Espírito Santo. A empresa finalizou também no primeiro trimestre a venda do campo de Frade, na bacia de Campos, onde possuía 30% de participação.

O primeiro trimestre também marcou o início das exportações do petróleo de Atapu, na bacia de Santos, com duas cargas enviadas ao exterior.

VISÃO DO MERCADO

BTG Pactual 

Para o BTG Pactual os resultados de produção e vendas da Petrobras, ficaram em linha com a expectativa do banco, especialmente a produção, impulsionada pelo lançamento do campo de Búzios no pré-sal.

“Isso deve continuar aumentando a participação ultracompetitiva do pré-sal no mix de produção e contribuir para um melhor equilíbrio de caixa, diz o relatório.

Enquanto a queda de 5% na comparação anual reflete as vendas de ativos e o declínio da produção em campos maduros, o aumento na produção no trimestre refletiu principalmente as paradas para manutenção que se concentraram no quarto trimestre,

“As vendas trimestrais da divisão de refino ficaram 7,5% acima de nossas expectativas, apesar de uma taxa de utilização em linha (82%), provavelmente devido aos maiores ganhos de participação de mercado, uma vez que os preços permaneceram abaixo do índice de preços ao produtor durante a maior parte do trimestre”, diz o relatório.

O BTG, o real mais fraco favorece a base de custos e melhoria no mix de produção, o que faz o banco projetar um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) recorde de R$ 50 bilhões neste trimestre, uma alta de 44% na comparação com o quarto trimestre, isso com a alta de 35% no preço do Brent e uma produção superior.

“Este número pode ser ainda maior, mas também esperamos uma margem mais apertada no negócio de refino para compensar parcialmente um custo de exploração esperado de US$ 6,9 por barril equivalente”, diz.

Espera-se que o resultado final seja atingido por perdas relacionadas à desvalorização do real, gerando um lucro líquido de “apenas” R$ 2,9 bilhões, segundo o banco.

O banco diz que os resultados vão marcar o discurso inaugural do novo presidente, Joaquim Luna e Silva.

“Mais do que os números, que esperamos confirmar um forte impulso de ganhos sustentado por um Brent mais forte e os marcos alcançados pela administração anterior, esperamos que o mercado se concentre nas diretrizes da Petrobras para o futuro”, diz.

A capacidade de conciliar a necessidade de uma política de preços coerente com as pressões políticas será fundamental, juntamente com a sua capacidade e vontade de avançar com a venda das refinarias antes que o país se torne muito agitado com as eleições.

“Com base puramente no momento e na avaliação, a Petrobras é uma das ações mais baratas que conhecemos”, completa. O banco manteve a recomendação neutra e o preço-alvo de US$ 11 a ADR.

Credit Suisse

Para o Credit Suisse, a queda nas vendas da Petrobras devem pesar no resultado do primeiro trimestre da estatal.

O banco deu como destaque negativo a queda sequencial de 6% das vendas de derivados no Brasil e a queda de 14% nas exportações, ante o quarto trimestre.

“Como resultado, as vendas totais diminuíram 7% em relação ao quarto trimestre, o que pode representar uma leitura negativa do resultado do primeiro trimestre”, diz o banco.

“Resultado da produção de petróleo veio sem surpresas, com alta de 3% no trimestre para 2,2 milhões de barris por dia. No refino, a taxa de utilização das refinarias foi de 80% no primeiro trimestre, 2 pontos percentuais abaixo dos 82% utilizados no quarto trimestre, devido às paradas para manutenção em quatro refinarias (Refap, RPBC, Regap e Reduc)”.

Goldman Sachs 

O Goldman Sachs afirmou, que o relatório de produção e vendas da Petrobras, veio em linha com o estimado pelo banco, e espera uma reação neutra do mercado no pregão de hoje.

O banco considera que os investidores podem se concentrar nas medidas iniciais da nova gestão a serem anunciadas e que a curva de produção da empresa para 2021 está bem mapeada pelo mercado

“Vemos a Petrobras nos estágios finais de uma reviravolta de vários anos, e que até agora está cumprindo suas metas estabelecidas”, diz o relatório.

O Goldman ressaltou, que o aumento da incerteza com as estratégias de preços e desinvestimentos, fez o banco ficar reticente com a ação, procurando outras oportunidades no setor de energia.

Os principais riscos incluem uma variação muito alta nos preços do petróleo, também no câmbio e interferências governamentais na empresa.

Goldman Sachs mantém recomendação neutra com preço-alvo em R$ 29,30…

XP Investimentos 

A XP Investimentos tem recomendação neutra a respeito do resultado de produção e vendas da Petrobras, que apontou para uma queda de 4,8% na produção e de 7,1% nas vendas.

“Por um lado, os números de produção ficaram abaixo na comparação anual devido aos desinvestimentos e ao declínio natural de produção. Por outro lado, vemos como positiva a maior taxa de utilização de refinarias reportada pela companhia na comparação anual”, diz a corretora.

A queda na produção foi atribuída aos desinvestimentos concluídos ao longo de 2020 e início de 2021 e ao declínio natural de produção, que teve uma média de 11% nos projetos que já atingiram o seu pico de produção e entraram na fase de declínio. Com relação a produção do quarto trimestre de 2020 a companhia teve um aumento na produção de 3,1%, destacou o relatório.

No refino, o volume de vendas total da Petrobras no primeiro trimestre ficou 4,1% abaixo do faturado no quarto trimestre, com a redução das vendas de derivados atribuída aos impactos decorrentes da intensificação de medidas restritivas associadas à covid-19.

“O fator de utilização do parque de refino foi de 82%, em linha com nossa visão de que a taxa de utilização deveria subir devido a manutenção de preços de combustíveis abaixo da paridade”, completou.

A Petrobras pretende divulgar os resultados do 1T21 no dia 13 de maio

Lucro líquido de R$ 7,1 bilhões em 2020, queda de 82,3%

Petrobras registrou lucro de R$ 7,1 bilhões em 2020, queda de 82,3% em relação ao montante de 2019. A redução foi atribuída a alguns fatores como a queda de 35% do preço do petróleo, maiores perdas de valor de ativos, menores ganhos com desinvestimentos e desvalorização de 31% do dólar frente ao real.

O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, afirmou em sua provável última Carta do Presidente na divulgação do resultado do exercício de 2020, que entregou a recuperação em “J” que havia prometido, e que a empresa teve um desempenho excepcional em 2020, apesar do ambiente desafiador da pandemia de covid-19.

 Informações Reuters, Estadão

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