Samarco pede recuperação judicial em BH para suspender execução de pagamentos de dívidas milionárias

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A Samarco, mineradora pertencente à Vale e à BHP Billiton, responsável pela tragédia de Mariana, na Região Central de Minas Gerais, em 2015, ajuizou nesta sexta-feira (9) pedido de recuperação judicial em Belo Horizonte.

O comunicado foi feito pela mineradora (BOV:VALE3) nesta sexta-feira, no final do pregão.

A medida é para evitar que ações de execução de notas promissórias no Brasil, no valor de US$ 325 milhões, e ações movidas por detentores dos títulos de dívida em Nova York, afetem a capacidade da empresa de produzir.

Em nota, a Vale informou que o pedido também é importante para o cumprimento das “obrigações do Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC), e consequentemente, de gerar resultados sustentáveis” para todos os demais envolvidos na empresa.

De acordo com a mineradora, o pedido não vai impactar o cumprimento dos compromissos de reparação de danos causados pelo rompimento da Barragem de Fundão. Em novembro de 2015, a estrutura se rompeu, matando 19 pessoas, destruindo distritos e poluindo rios em dois estados do país (Minas Gerais e Espírito Santo).

Caso a Justiça defira o pedido, “ficam temporariamente suspensas, por 180 dias (prorrogáveis por igual período), todas as ações e execuções movidas por seus credores no Brasil, tendo a Samarco até 60 dias para apresentar o plano de restruturação de suas dívidas e demais obrigações”.

A Samarco ainda irá pedir reconhecimento do processo nos Estados Unidos, a fim de suspender ações judiciais contra ela naquele país.

Grande parte da dívida da Samarco – com partes relacionadas – , cerca de US$ 4,7 bilhões, foi contraída antes do rompimento da barragem do Fundão.

“A Samarco também possui dívida financeira adquirida para fazer face às necessidades de caixa para sustentar seu capital de giro, obrigações da Renova, trabalhos de reparo e investimentos para a retomada operacional, sendo supridas, após agosto de 2016, por linhas de crédito disponibilizadas pelos seus acionistas Vale e BHP Brasil, totalizando US$ 4,1 bilhões até março de 2021”, disse a mineradora.

Retomada operacional

A Samarco retomou as operações, em Mariana, em dezembro de 2020. Um dos três concentradores para beneficiamento de minério de ferro no Complexo de Germano e uma das quatro usinas de pelotização do Complexo de Ubu, em Anchieta, (ES), voltaram a funcionar.

Hoje, a capacidade de produção é de sete a oito milhões de toneladas de minério de ferro por ano.

VISÃO DO MERCADO

Credit Suisse

O Credit Suisse também avalia que o impacto da notícia da Samarco sobre a Vale é “imaterial”. Na avaliação do banco, nem a BHP nem a Vale são garantidores da dívida de US$ 4,7 bilhões da Samarco, que torna um cenário de injeção de capital das empresas sobre a Samarco, ou uma transferência de obrigações para as empresas, improváveis.

Segundo o banco, a tentativa de fazer com que a Samarco entre em recuperação judicial busca garantir continuidade operacional à empresa, já que ações legais de credores incluem pedidos para congelar as contas bancárias até que se chegue a uma renegociação da dívida. Se as ações legais tiverem sucesso, poderiam impactar a capacidade da empresa de continuar a operar. E que as provisões relativas à Fundação Renova já refletem o valor toral que a Vale acredita que será necessário para cobrir custos de reparação ligados à ruptura da barragem de Fundão. Sendo assim, o banco não vê motivos para realizar revisões positivas relativas a provisões.

O Credit Suisse manteve a avaliação de outperform para a Vale, por avaliar que seus papéis estariam excessivamente descontados em relação a empresas australianas, e que há boas perspectivas de ganhos no futuro. O banco espera um rendimento sobe o fluxo livre de caixa de 20% em 2021, e rendimentos de ao menos 9% em dividendos em 2021, presumindo um preço do minério de ferro em US$ 150 por tonelada.

O banco mantém recomendação de compra, e preço-alvo de US$ 25, frente aos US$ 18,22 negociados na sexta pelos papéis VALE na Bolsa de Nova York.

Morgan Stanley

Na avaliação do Morgan Stanley, não há implicações materiais para a Vale. O banco afirma que a Vale e a BHP sempre tiveram uma responsabilidade legal e moral de apoiar a Fundação Renova e ajudar a Samarco a pagar pela reparação e pela compensação ligados à ruptura da barragem de Fundão. Além disso, apesar de o custo da dívida potencialmente subir com o pedido da Samarco, a Vale é suficientemente grande e relevante para se refinanciar. O banco diz que acredita que os títulos da Samarco não são garantidos pelos parceiros de capital da joint venture.

O Morgan Stanley mantém recomendação de compra para a Vale, com preço-alvo de US$ 21, frente aos US$ 18,22 negociados na Bolsa de Nova York.

A Vale pretende divulgar os resultados do 1T21 no dia 26 de abril.

 Confira a agenda completa da divulgação dos resultados do 1T21

Lucro líquido de R$ 24,9 bilhões, revertendo prejuízo de 2019

A mineradora Vale teve lucro líquido de R$ 24,9 bilhões em 2020, revertendo prejuízo de 2019. A receita líquida anual subiu 40,2% em 2020, para R$ 208,5 bilhões.

A mineradora Vale teve lucro líquido de US$ 739 milhões no quarto trimestre do ano passado, ante prejuízo líquido de US$ 1,56 bilhão no mesmo período de 2019, informou a companhia na quinta.

Segundo a empresa, o resultado foi impactado principalmente por maiores despesas relacionadas ao rompimento de barragem em Brumadinho (MG), seguindo o Acordo Global para reparação, em meio a ganhos fortes no segmento de minério de ferro. O Ebitda de minerais ferrosos somou US$ 8,8 bilhões, o segundo maior da história.

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