BRF (BRFS3): lucro líquido de R$ 22 milhões no 1T21, revertendo prejuízo

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A BRF, dona de Sadia e Perdigão, reportou ontem um lucro líquido de R$ 22 milhões no primeiro trimestre, mas os indicadores demonstraram os desafios de repassar o aumento de custos para o consumidor final. Nos três primeiros meses de 2020, a empresa divulgou prejuízo de R$ 38 milhões.

A disparada do preço dos grãos começou a afetar os resultados da BRF de modo mais notável, pressionando as margens da empresa.

Segundo a companhia, o trimestre ainda foi impactado por gastos associados ao combate dos efeitos da covid-19, que foram de R$ 80 milhões. Excluindo-se esses impactos, haveria um lucro líquido de R$ 103 milhões.

A receita líquida da BRF totalizou R$ 10,6 bilhões no primeiro trimestre, incremento de 18,4% na comparação anual. No Brasil, a receita operacional líquida subiu 15,1% no período e somou R$ 5,393 bilhões, enquanto no segmento Internacional foi de R$ 4,821 bilhões, elevação de 20,1%, na mesma base de comparação.

O ebtida – lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização – caiu 4,4%, em R$ 1,2 bilhão, o que mostra a queda de margens. O ebitda ajustado aumentou 14,3% no período e somou R$ 693 milhões.

O número total de toneladas produzidas pela companhia no primeiro trimestre deste ano foi de 535 milhão de toneladas, 5,4% menor que o visto na comparação com o ano passado. A alavancagem da BRF, medido pela relação dívida líquida por ebitda ajustado, era de 4,78 vezes no fim do trimestre, levemente superior à taxa de 4,22 vezes vista no mesmo período do ano anterior.

A geração de caixa operacional alcançou R$ 707 milhões no trimestre, queda de 74,5% ante o mesmo período do ano anterior.

Financeiramente, a BRF permanece com um caixa sólido — no primeiro trimestre, gerou cerca de R$ 400 milhões em caixa livre, já descontando o efeito do câmbio sobre o caixa em moeda estrangeira. Por causa da apreciação do dólar no trimestre, o índice de alavancagem subiu a 2,96 vezes, ante 2,73 vezes em dezembro. O prazo médio de pagamento das dívidas é confortável, em mais de 9 anos.

As despesas operacionais totais aumentaram 9,4% no período e totalizaram R$ 1,596 bilhão.

“Ao final do trimestre, a companhia atingiu 41,8% de market share em termos de valor consolidado, queda de 1,2 ponto percentual (pp) ao ano (aa). Segundo a BRF, a queda está concentrada na categoria de embutidos e margarinas, devido ao repasse de preços feitos pela companhia, “visando a defesa da sua rentabilidade”.

Os resultados da BRF (BOV:BRFS33) referentes suas operações do primeiro trimestre de 2021 foram divulgados no dia 12 de maio de 2021. Confira o Press Release completo!

Teleconferência 

O vice-presidente de finanças e relações com investidores, Carlos Moura, disse que os investimentos serão subordinados ao limite prudencial endividamento definido pela companhia.

Segundo ele, o investimento de R$ 4 bilhões em 2021 ocorrerá “se o nível de alavancagem permitir”. O limite prudencial é de 3 vezes. No fim do primeiro trimestre, o indicador (relação entre dívida líquida e Ebitda) estava em 2,96 vezes. A alavancagem subiu no início deste ano devido ao efeito da alta do dólar sobre as dívidas.

O cenário negativo para os custos de produção, que vêm pressionando as margens, também pode afetar o ritmo de investimentos.

Para alcançar a meta de R$ 4 bilhões, a BRF teria de acelerar o ritmo. No primeiro trimestre, o capex totalizou R$ 737 milhões, o que significa R$ 2,9 bilhões em bases anualizadas.

A promessa de investir mais faz parte do plano estratégico Visão 2030, com o qual a BRF pretende triplicar de tamanho e atingir um faturamento de R$ 100 bilhões em dez anos.

VISÃO DO MERCADO

XP Investimentos 

BRF reportou resultados resilientes no primeiro trimestre de 2021 (1T21), em grande parte alinhados com as nossas estimativas: embora os aumentos de preços não tenham sido suficientes para compensar as pressões nos custos devido ao aumento nos preços dos grãos, ainda assim o EBITDA ajustado consolidado veio 6% acima das nossas expectativas e atingiu R$ 1,2 bilhão (-4% A/A).

O ponto-chave para esse resultado, a nosso ver, é que a BRF conseguiu aumentar os preços de seus produtos em 20% no trimestre em nível consolidado: um forte desempenho considerando a frágil situação econômica do Brasil. Do lado ruim, o aumento do preço dos grãos ainda foi mais forte, +25% A/A, comprimindo a margem bruta, que foi de 25% no 1T20 para 21% no 1T21, e ficou 90 pontos base abaixo da nossa estimativa de 22%.

Como já comentamos anteriormente, a BRF segue buscando aumentar a participação de produtos de valor agregado em seu portfolio, o que deve se traduzir em margens mais altas e resilientes. Vale lembrar que as marcas da empresa, como Sadia, Perdigão, Qualy e Banvit, estão entre as mais fortes no setor de proteínas globalmente, o que deveria se traduzir em preços mais elevados versus concorrentes.

Além disso, a empresa permanece focada em inovar, tendo lançado 60 novos produtos no trimestre, aumentando seu foco nas linhas de base vegetal, “pronto para comer” e outras e, mais uma vez, confirmando o quanto está comprometida com sua Visão 2030. Ainda assim, como os preços do milho e da soja continuam em tendência de alta em todo o mundo, acreditamos que o “lado das commodities” do negócio deve permanecer em destaque no curto prazo devido ao seu impacto negativo nas margens.

Apesar do trimestre agridoce, continuamos construtivos com a tese de investimento de médio e longo prazo da BRF. Deixando de lado o desempenho das ações, parece-nos que a empresa está construindo uma plataforma forte para melhores tempos de mercado, embora ainda não esteja claro quando isso acontecerá.

XP mantém recomendação de compra com um preço-alvo de R$ 30,00…

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