Cosan (CSAN3): lucro líquido de R$ 827,7 milhões no 1T21, avanço de 28%

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A empresa de energia e infraestrutura Cosan reportou lucro líquido de R$ 827,7 milhões no primeiro trimestre, avanço de 28% na comparação anual.

A Cosan registrou lucro atribuído aos controladores de R$ 638,8 milhões no primeiro trimestre, o que representa salto de 524% em relação ao mesmo período de 2020.

O lucro líquido ajustado, no padrão proforma, cresceu 17,9%, somando R$ 764,6 milhões. A Cosan afirma, em relatório que acompanha as informações trimestrais, que o resultado reflete melhora operacional, redução de despesas financeiras e recebimento de créditos fiscais da Comgás, relacionados a base de cálculo de ICMS em São Paulo.

O ebtida – lucro antes de juro, impostos, depreciação e amortização – ajustado somou R$ 2,57 bilhões, alta de 8,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em termos ajustados, o lucro líquido ficou em R$ 764,6 milhões, aumento de 18%.

O lucro e o resultado operacional foram “impulsionados pela expansão dos resultados da maior parte dos negócios” do grupo, disse a Cosan no balanço.

A receita líquida alcançou R$ 22,51 bilhões entre janeiro e março, um incremento de 14,7% ante o desempenho dos três primeiros meses de 2020.

A receita de vendas cresceu 34,5%, para R$ 4,71 bilhões. A receita líquida proforma somou R$ 22,5 bilhões no período, alta de 14,7%.

A companhia destacou que as informações financeiras foram apresentadas em base proforma, incluindo consolidação de 100% dos resultados de controladas diretas e de 50% da Raízen, de forma a permitir comparação com períodos anteriores. Os dados também levam em conta as informações da Rumo e despesas operacionais e financeiras das holdings incorporadas.

A Cosan ressaltou que a pandemia da Covid-19 segue impactante, em número de casos, mas a empresa já vê sinais positivos de recuperação global à medida que a vacinação avança.

“Em meio à crise, surgem também oportunidades, e os nossos negócios apresentaram mais um trimestre de resultados consistentes, ancorados nas macrotendências globais, muitas delas aceleradas pela pandemia”, afirmou o CEO da companhia, Luis Henrique Guimarães, em nota.

Raízen

Em relação à Raízen, joint venture com a Shell, a Cosan destacou que a moagem da safra foi encerrada com 61,5 milhões de toneladas (+3%) e produção de 8,3 milhões de açúcar equivalente(+7%), como reflexo da melhor produtividade agrícola e com 52% do mix de produção destinado ao açúcar.

A Raízen Renováveis registrou queda de 26,1% no Ebitda ajustado, para R$ 571,4 milhões. O resultado foi impactado pela menor contribuição de revenda de energia elétrica. A Raízen Açúcar também viu o Ebitda ajustado cair, em razão do menor volume da entressafra. O montante foi de R$ 508 milhões, queda de 34%.

“Os investimentos do plano de melhorias operacionais impulsionaram aumento na disponibilidade de produtos e na captura de ganhos de eficiência, reduzindo em 3% o custo caixa unitário (ex-Consecana) no ano.”

Comgás

A Comgás teve Ebitda ajustado de R$ 591,6 milhões, avanço de 2,1%. O indicador foi impulsionado pelo aumento do volume total de gás distribuído de 7,4%, para 1,1 milhão de metros cúbicos, incluindo alta de 7,5% no segmento industrial. Com o aumento da distribuição da Comgás, o Ebitda da Compass Gás e Energia foi de R$ 188 milhões, alta de 68% no comparativo anual.

O volume transportado pela Rumo no trimestre atingiu 13,9 bilhões de TKU (tonelada por quilômetro útil), alta de 13%. Com isso, o Ebitda ajustado da Rumo cresceu 29,8%, para R$ 832,1 milhões.

Moove

A Moove somou Ebitda de R$ 188 milhões, alta de 67,9%. O indicador foi impulsionado pela alta de 18,2% no volume vendido.

O nível de alavancagem, medido pela razão entre a dívida líquida e o Ebitda, foi de 3,1 vezes ao final do trimestre passado. No primeiro trimestre de 2020, o indicador era de 2,4 vezes.

O consumo de caixa foi de R$ 3,76 bilhões no período, ante os R$ 801,2 milhões do primeiro trimestre de 2020.

Os resultados da Cosan (BOV:CSAN3) referente suas operações do primeiro trimestre de 2021 foram divulgados no dia 14/05/2021. Confira o Press Release completo!

Em fato relevante divulgado à parte, a companhia disse que foram mantidos os guidances anteriormente divulgados para 2021.

Teleconferência

Na avaliação do presidente da Cosan, Luis Henrique Guimarães, o pior momento da crise desencadeada pela covid-19 ficou para trás e a expectativa é de crescimento em todas as linhas de negócio do grupo em 2021, conforme indicado na projeção de resultados anunciada pela companhia.

“A vacinação claramente funciona. Os números estão caindo onde há vacinação em massa e estamos vendo aumento na demanda”, disse o executivo, em teleconferência com analistas nesta segunda-feira. “As pessoas querem sair de casa. Acho que todos os negócios se beneficiarão e estamos nos preparando para isso,” afirmou Guimarães.

O executivo reconhece, contudo, que alguns desafios e dificuldades permanecerão por mais algum tempo, como a desorganização da cadeia de suprimentos. “Mas fizemos a lição de casa e estamos confiantes de que estaremos lá para nossos parceiros e teremos um bom restante de ano. Acho que já passamos pelo pior e estamos prontos para entregar nossas metas de resultados”, disse.

Questionado por um analista sobre o conservadorismo do grupo no estabelecimento das metas de resultado para 2021, o executivo explicou que o momento ainda é de volatilidade e explica essa postura.
Depois reportar melhora da rentabilidade no negócio de marketing e serviços, que compreende a operação de distribuição de combustíveis da Raízen (exceto etanol), lojas de proximidade e refino e distribuição na Argentina, a Cosan se diz otimista com a evolução das oportunidades de negócio no restante do ano.

De janeiro a março, o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da unidade de negócios chegou a R$ 1 bilhão, com alta de 48,3% na comparação anual e de 12,2% frente ao quarto trimestre. No Brasil, o Ebitda totalizou R$ 696,4 milhões, alta anual de 22,5%, enquanto na Argentina o resultado mais que dobrou, para R$ 339,9 milhões.

“Estamos otimistas com as oportunidades de negócio para o restante do ano, em linha com as projeções anunciadas”, disse o gerente executivo de Relações com Investidores da companhia, Phillipe Casale.

No início do ano, observou, novas restrições à circulação no país tiveram impacto na demanda do ciclo Otto (etanol e gasolina), com queda de 3,2%, mas o consumo de diesel permaneceu forte com evolução anual de 14%. Segundo Casale, essa expansão foi resultado da estratégia comercial da Raízen e da maior demanda no setor agrícola.

Em combustível para aviação, acrescentou, houve recuperação sequencial, mas os volumes ainda estão muito abaixo da média histórica. “Readequamos nossas operações para que o novo patamar de demanda em aviação seja atendido e estamos prontos para captar novos volumes com a retomada do setor”, disse.

Especificamente no Brasil, a estratégia de suprimento e comercialização de combustíveis no trimestre levou à melhora da rentabilidade, apesar dos volumes menores de venda. No intervalo, a margem Ebitda por metro cúbico no país chegou a R$ 112, comparável a R$ 91 um ano antes e também no quarto trimestre.

Conforme Casale, o avanço nas margens deve-se também ao foco em eficiência operacional.

No negócio de lojas de proximidade, o grupo Nós, joint venture entre Raízen e Femsa, houve aceleração da abertura de lojas sob as bandeiras Oxxo e Shell Select, com adição líquida de 65 pontos de venda no trimestre.

Na Argentina, houve melhora sequencial de demanda de combustíveis e rentabilidade, com expansão do consumo tanto no varejo quanto no segmento empresarial.

Alavancagem financeira
A alavancagem financeira da Cosan voltará nos próximos trimestres ao nível de 2,5 vezes, que é considerado confortável, na esteira da melhora do Ebitda em 12 meses, segundo Casale.

Em março, a dívida líquida da Cosan correspondia a 3,1 vezes o Ebitda em 12 meses, contra 3,2 vezes em dezembro, ainda refletindo o resultado operacional mais fraco do segundo trimestre do ano passado, quando as restrições à circulação por causa da pandemia de covid-19 afetaram fortemente a distribuição de combustíveis.

Conforme Casale, o endividamento bruto da Cosan foi reduzido em 9% no trimestre, para R$ 41,26 bilhões, após um esforço conjunto das empresas de grupo de gestão de passivos, que incluiu pré-pagamento de algumas dívidas. Por essa razão e diante do aumento dos investimentos, o fluxo de caixa livre dos acionistas ficou negativo em R$ 3,77 bilhões.

“A alavancagem cai no período com o maior Ebitda e voltará a 2,5 vezes nos próximos trimestres porque o Ebitda ainda foi afetado pela pandemia”, explicou.

Casale disse ainda que, apesar dos desafios presentes, o Ebitda consolidado em bases recorrentes de R$ 2,6 bilhões “reflete a robustez e complementaridade do portfólio” do grupo e a “elevada capacidade de execução”. A Cosan concluiu em março o processo de reestruturação societária.

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