Equatorial Energia dívida de R$ 800 milhões da CEA, ao adquirir a companhia em um leilão de privatização

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A Equatorial Energia (BOV:EQTL3) assumirá uma dívida de 800 milhões de reais da Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA), ao adquirir a companhia em um leilão de privatização realizado na última sexta-feira, disse nesta segunda-feira o diretor financeiro, Leonardo Lucas.

Antes da aquisição, a CEA tinha uma dívida de 3,115 bilhões de reais, sendo 2,092 bilhões de reais com fornecedores. No entanto, após uma renegociação, a parcela devida a fornecedores foi reduzida em 1,5 bilhão de reais.

Um outro montante de 772 milhões de reais, referentes a RGR (encargo do setor elétrico), foi reduzido integralmente, segundo o executivo.

Durante teleconferência com analistas de mercado nesta segunda-feira, os executivos explicaram que a conclusão da aquisição dependerá apenas de aprovações regulatórias, do órgão antitruste Cade, e da agência reguladora Aneel, além de um aporte de capital previsto nas regras do leilão.

VISÃO DO MERCADO

Credit Suisse 

O Credit Suisse destaca que a unidade da CEA é relativamente pequena, mas complexa, operando no extremo Norte do Brasil, com renda per capita abaixo da média do Brasil. Os custos por cliente e taxa de perda são relativamente altos em comparação com outras unidades da Equatorial, mas a gestão afirmou que há esforços para reduzir a perda total.

Após as negociações, as deficiências atingem R$ 800 milhões, diz o Credit. Antes da compra, atingiam quase R$ 3,1 bilhões. Como ponto positivo, a empresa acumula créditos fiscais no valor de R$ 1,06 bilhão, que podem ser usados em compensações futuras.

O Credit avalia a compra como pequena mas positiva por consolidar a posição da Equatorial nas regiões Norte e Nordeste, com grande potencial de recomposição do ativo, mas pouco potencial de valorização para a Equatorial. Além disso, pode ajudar na aquisição da unidade de saneamento do Amapá, que deve ser leiloada em setembro, com investimentos estimados em R$ 3 bilhões.

Goldman Sachs

A aquisição da Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA) apresenta potencial de sinergias significativas para a Equatorial Energia e pode gerar entre R$ 300 milhões a R$ 575 milhões em valor presente líquido (NPV) nas estimativas do Goldman Sachs.

“Apesar de relativamente pequena (com base de ativos regulatórios líquida em R$ 500 milhões, cerca de 5% da Equatorial atualmente), acreditamos que as sinergias com as operações da empresa na região Norte solidificam nossa visão da companhia como uma plataforma de crescimento”, escrevem os analistas Pedro Manfredini e Flavia Sounis.

O banco americano destaca a proximidade da CEA com outras concessões da Equatorial, como a Celpa, Cemar e Copisa, chamando a atenção que apesar de a empresa do Amapá precisar de uma forte reestruturação, a Equatorial tem histórico em conseguir realizá-las.

“Esperamos que a Equatorial continue ativamente a olhar para diferentes avenidas de crescimento em diferentes regiões e setores. A presença no Amapá também pode posicioná-la para participação no leilão de privatização da companhia de saneamento, que pode acontecer ainda em 2021”, diz o relatório.

Os analistas estimam uma taxa de retorno interna (IRR) entre 11% a 18% para a CEA. com a potencial criação de até R$ 575 milhões em NPV considerando que a empresa tenha desempenho 5% a 10% acima do operacional regulatório em 2024 e consiga refinanciar suas dívidas.

Goldman Sachs tem recomendação de compra com preço-alvo em R$ 28,00…

XP Investimentos 

Para a XP, os principais drivers de potencial criação de valor para a Equatorial na CEA são: a rapidez com que a empresa é capaz de atingir o EBITDA regulatório, especialmente no que diz respeito a perdas e custos gerenciáveis (PMSO); e a gestão de R$0,8 bilhão em passivos financeiros, fiscais e regulatórios.

Estimamos uma taxa de retorno (TIR) atrativa de 12% (real alavancada) e um valor adicionado de R$258mn (um impacto positivo, mas limitado de R$0,25/ação, ou 1,0% do valor de mercado atual da Equatorial). Este número pode ser maior dependendo da revisão da base de ativos em 2023.

Por fim, estimamos uma RAB Líquida (Base de Ativos Regulatória) de R$487 milhões para a CEA em 2021, com base nos R$466 milhões de RAB Líquida reportados na última revisão tarifária em dezembro de 2017 e nos R$ 21 milhões investidos pela empresa no período. Isso implica um múltiplo EV/RAB para a aquisição de 1,8x, que se compara ao múltiplo de 2,5x EV/RAB de EQTL no dia seguinte à aquisição.

XP mantém recomendação neutra, com preço-alvo de R$24,00…

Lucro líquido ajustado de R$ 401 milhões no 1T21, alta de 7,1%

Equatorial Energia registrou lucro líquido ajustado de R$ 401,0 milhões no primeiro trimestre de 2021, uma alta de 7,1% na comparação com o mesmo período do ano passado.

A receita operacional líquida caiu 1,6% no período, para R$ 4,2 bilhões, na base anual.

O Ebtida – lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização – ajustado trimestral teve alta de 1,1%, para R$ 1,0 bilhão, quando comparado com o mesmo período de 2020, beneficiado pela expansão do mercado nas distribuidoras e aumento da parcela B.

Segundo a companhia elétrica, o indicador foi impactado pelas regras do IFRS 15 aplicadas aos projetos de transmissão — o Ebitda nesses negócios foi menor devido à redução dos investimentos, já que os empreendimentos foram concluídos.

Informações Reuters

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