Aneel recebe 28 contribuições com o objetivo de revisar os modelos computacionais do setor elétrico

LinkedIn

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) recebeu 28 contribuições na segunda fase da consulta pública aberta com o objetivo de revisar os modelos computacionais do setor elétrico.

Entre as geradoras de energia, os principais grupos apresentaram contribuições, entre elas Furnas, Engie, Cemig, Eletrobras, Norte Energia, CPFL, AES Brasil, Delta Energia, Casa dos Ventos e Omega Geração.

De modo geral, as contribuições indicam que as mudanças nos modelos devem acontecer visando a adequação dos despachos das usinas à realidade do sistema, incluindo menor exposição ao risco de falta de chuvas. Este é um dos principais problemas apontados por técnicos e especialistas do setor elétrico.

A estatal Eletrobras, afirma, em sua consideração, que concorda com as propostas apresentadas no relatório técnico do Ministério de Minas e Energia (MME), mas pontua que os níveis de armazenamentos sugeridos nesta consulta são constantes no tempo e, considerando a variação hidrológica ao longo do ano para todos os reservatórios equivalentes do Sistema Interligado Nacional (SIN), os níveis mínimos de segurança deveriam acompanhar a sazonalidade hidrológica.

Desta maneira, segundo a empresa, seria possível evitar vertimentos não turbináveis e indesejáveis ao aproveitamento ótimo do potencial do SIN.

Uma das principais geradoras do País, a AES Brasil disse, em sua contribuição que, além de melhorar a representação dos cenários de vazão, e a representação de volumes mínimos operativos mais fiéis ao necessário pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), são evoluções relevantes.

A empresa destacou também que seria preciso levar em conta os critérios de previsibilidade e segurança de mercado ao se realizar as mudanças nos modelos, sem contar ainda a necessidade de avaliação do aperfeiçoamento estrutural sem considerar apenas cenários de stress como o atual de crise hídrica.

Outra grande geradora que encaminhou contribuição foi a Engie Brasil. A empresa se manifestou contrária à alteração dos níveis de armazenamento mínimo e à parâmetros de cálculo de risco, dada a insuficiência de avaliação para sua adoção em conjunto com as demais aversões a risco vigentes, como o CVaR.

“Se houver a adoção de todas as alterações propostas em um pacote único, sem a requisitada validação técnica, a sinalização é de que os preços se tornarão ainda menos críveis para o mercado, diametralmente oposto ao objetivo pretendido”, disse a Engie.

Críticas aos modelos

Recentemente, o Broadcast Energia mostrou que especialistas do setor elétrico apontam deficiências nos modelos matemáticos utilizados para planejar a expansão do setor e estabelecer os preços. Na visão deles, os sistemas estariam obsoletos e contribuiriam para o agravamento da atual situação de crise hídrica.

“O planejamento e a própria operação trabalham com modelos que estão defasados em relação à matriz energética brasileira, e o próprio ONS já manda despachar térmica fora do modelo”, disse o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nivalde de Castro.

Esses modelos computacionais calculam a chamada garantia física das usinas hidrelétricas, que é a quantidade de energia que um empreendimento de geração consegue suprir, dado um critério definido. Para os especialistas, a metodologia de 2004 e revisada em 2017, já não é capaz de refletir com a precisão necessária o quanto uma usina pode contribuir com o sistema.

Um levantamento feito recentemente pelo Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel), da Ufrj, apesar da crise hídrica que impõe risco de racionamento pontual e custos mais elevados para o fornecimento de energia, o sistema está estruturalmente folgado, e a expansão do sistema foi pouco efetiva para evitar a crise: a capacidade instalada do SIN aumentou 43% entre 2011 e 2020, com predomínio de térmicas e eólicas, enquanto o consumo de energia do período cresceu 19%.

“Nosso modelo tende a despachar térmicas em situação hidrológica ruim e manter o sistema no limiar da escassez. Ele diz que pode deixar reservatórios esvaziarem porque lá na frente poderá compensar, só que nos últimos anos os reservatórios não conseguem recuperar e o sistema diz para não gastar com termelétrica porque o sistema está folgado”, disse o coordenador da área de Geração e Mercados do Gesel, Roberto Brandão.

Informações Broadcast

Deixe um comentário