Carrefour (CRFB3): lucro líquido atribuível de R$ 566 milhões, no 2T21, queda de 17,6%

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O Carrefour Brasil registrou no segundo trimestre um lucro líquido atribuível aos acionistas de R$ 566 milhões, queda de 17,6% em relação ao apurado no mesmo período de 2020.

A receita do Carrefour, por sua vez, atingiu R$ 19,525 bilhões, o que representa 10,7% de crescimento na base anual de comparação.

As vendas líquidas do grupo francês somaram 34,47 bilhões de euros de janeiro a junho deste ano, em comparação com 34,27 bilhões de euros em igual intervalo do ano passado, um aumento de 5,1% no ano a taxas de câmbio constantes.

As vendas consolidadas do Grupo Carrefour Brasil atingiram R$ 19,5 bilhões no 2T21, crescimento de 10,7% em relação ao mesmo trimestre do ano passado.

De acordo com o Carrefour, esse desempenho ocorre em meio a um ambiente volátil devido à pandemia de COVID-19, que impactou o 2T21 com restrições em lojas que variaram em cada região do país; inflação alta, mas em desaceleração, de 15,3% (índice de inflação IPCA de alimentação em domicílio em 12 meses, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE); e uma base comparável difícil contra o 2T20.

O lucro bruto atingiu R$ 3,6 bilhões no 2T21, aumento de 5,4%, impulsionado pelo crescimento das vendas no Atacadão e Banco Carrefour, que mais do que compensou a pressão em nossas operações de Varejo, principalmente devido à elevada base de comparação no segmento não alimentar. A margem bruta consolidada foi de 20,4%, aumentando 0,6 p.p. sequencialmente, mas 1,1 p.p. abaixo na comparação anual.

O Ebtida (antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado consolidado no 2T foi de R$ 1,4 bilhão, -3,6% abaixo do registrado, a margem teve queda de 1,2 p.p., alcançando 7,8% com a contribuição de todos os segmentos da empresa.

Este resultado foi uma combinação da continuidade da tendência de recuperação do Banco Carrefour, que teve as receitas de volta a território positivo na comparação anual pela primeira vez desde o 2T20.

A gigante do varejo anunciou ainda que lançaria um programa de recompra de ações adicional de 200 milhões de euros em 2021 para complementar sua recompra de 500 milhões de euros concluída no final de julho.

“Enquanto o contexto sanitário e macroeconômico permanece incerto, o grupo avança com grande serenidade para alcançar seus objetivos, tanto para o ano de 2021, que será mais um ano recorde em termos de geração de caixa, quanto para o médio prazo”, afirmou o CEO da companhia, Alexandre Bompard.

Os resultados do Carrefour (BOV:CRFB3) referentes suas operações do segundo trimestre de 2021 foram divulgados no dia 27/07/2021. Confira o Press Release completo!

Teleconferência

Disse o CEO do Atacadão, Roberto Müssnich, em teleconferência que “Quando você abre uma loja, tem os custos de abertura, de recrutamento, de treinamento, de estocagem”.

Ele acredita que as vendas contarão ainda com os ventos a favor da reabertura da economia, uma vez que os restaurantes são grandes consumidores do Atacadão. “Estamos mais otimistas com a demanda e com as margens futuras.”

“Este mês já é positivo e os próximos meses também serão” disse o vice-presidente do Atacadão, Marco Oliveira, que ressaltou também, que unidades convertidas do Makro devem se beneficiar da sazonalidade mais favorável do segundo semestre, quando historicamente as vendas se aquecem.

“O Big tem uma característica um pouco diferente”, afirmou Müssnich. “As lojas do Makro estavam fechadas, enquanto, para as lojas do Big, nós vamos trocar o pneu do carro andando. É mais fácil do ponto de vista de integração.” O Carrefour avalia ainda como será a sinergia das duas empresas, mas acredita que a experiência de integração do Makro será importante.

VISÃO DO MERCADO 

Ágora Investimentos

Embora uma queda nos lucros (EBITDA -4% em base anual e lucro líquido -17%) seja sempre decepcionante, as taxas de crescimento de 2 anos (levando em consideração a base de comparação mais forte) são saudáveis, embora não espetaculares.

Dito isso, o principal motor de crescimento e retorno – Atacadão – continua apresentando forte crescimento, mesmo com SSS em uma base de comparação mais forte e também via expansão, com as lojas Makro adquiridas agora começando a dar uma contribuição significativa. Continuamos a ver muito espaço para expansão adicional.

Os principais problemas agora enfrentados pela ação são: 1) a base de comparação difícil para o Atacadão no 2S21, e 2) a aquisição do Grupo BIG, que ainda está em análise pelas autoridades de defesa da concorrência.

No primeiro ponto, notamos que o crescimento tem se mantido melhor do que o esperado para os formatos Cash & Carry, então nossa estimativa de crescimento de SSS de -4% para o 2S se provaria cautelosa, já que pequenos negócios (bares e restaurantes) começam a comprar normalmente mais uma vez. Na aquisição do Grupo BIG, vemos um espaço significativo para a criação de valor.

Portanto, continuamos a ver as ações oferecendo um bom valuation pelo múltiplo P/L 2022 de 14x versus nossa visão do múltiplo futuro justo de 17-18x.

Ágora mantém recomendação de compra com preço-alvo de R$ 28,00…

Ativa 

Carrefour apresentou resultado em linha com as nossas expectativas e as expectativas do mercado. De destaque para o top-line ficou o segmento de cash and carry – atacarejo – que teve um forte SSS de 10,2%.

Em contra-partida – assim como esperado – por conta de uma estratégia mais promocional no trimestre, vimos uma maior pressão na margem bruta.

Analisando o segmento de varejo, vimos um desempenho fraco tanto em top-line como em rentabilidade, porém analisando em 2 anos, a companhia apresentou um crescimento sustentável. Ademais, tivemos uma recuperação nos resultados das soluções financeiras, que mostraram continuar o processo de retomada após a pandemia.

Além disso, as iniciativas digitais, os programas de fidelidade e as estratégias comerciais surgem como motores de crescimento para as receitas da companhia, nos 2 formatos de atuação – atacarejo e varejo.

Ademais, vemos como positiva a volta do Ebitda do Banco Carrefour a patamares pré-pandemia, e que devem voltar a crescer nos próximos resultados. Como cereja do bolo, temos a possibilidade de ganhos de operação no Grupo Big – aquisição que depende de aprovação do Cade.

Ativa tem recomendação de compra com preço-alvo de R$ 30,00…

BTG Pactual 

Os números mais fracos do que o esperado em suas operações de varejo + atacarejo foram mais do que compensados por um forte desempenho na divisão de financiamento ao consumidor do Carrefour.

Números resilientes apesar de uma base comparativa mais forte, juntamente com um valuation atraente (14x P/L 2022E) e o potencial da fusão com o Grupo BIG (que deve expandir o alcance do CRFB e fechar gaps de produtividade/margem) são a base de nossa visão positiva sobre o nome.

BTG Pactual tem recomendação de compra com preço-alvo de R$ 27,00…

Genial Investimentos 

Não nos sentimos desencorajados pelo resultado reportado. Mesmo com os fortes números apresentados no 2T20, o Carrefour ainda conseguiu bons resultados neste trimestre, bem acima de seu nível pré-pandemia.

Destacamos o crescimento robusto do Atacadão, influenciado pela abertura de 20 lojas novas com a integração mais rápida do que o esperado das lojas Makro, resultando em um crescimento a/a de 11,5% na receita líquida do grupo.

Em um período de 2 anos, o crescimento das vendas do Atacadão atingiu 35,9% (19,7% ‘mesmas lojas’), demonstrando a atratividade deste formato. Do lado negativo, destacamos a performance inferior no multivarejo, com a redução a/a de 12,9% das vendas totais.

Essa queda foi impulsionada pelo desempenho do varejo não alimentar, que sofreu uma redução na receita de 25,8% a/a devido aos efeitos da pandemia, porém ainda apresentou crescimento (+14,2%) quando comparado ao 2T19.

Itaú BBA 

Para o Itaú BBA, o Carrefour Brasil apresentou resultados no segundo trimestre em linha com o esperado, com performance forte no seu segmento de atacarejo, recuperação nos serviços bancários e crescimento no varejo se comparado com 2019.

“Os resultados fortes no Atacadão (em vendas mesmas lojas e expansão) adicionaram aos ganhos de produtividade do Carrefour nos últimos trimestres. Apesar da pressão nas categorias não alimentícias, o que era esperado, a companhia teve bom desempenho na comparação com dois anos atrás”, diz o time de analistas o banco.

A recuperação dos serviços bancários, com crescimento nos principais indicadores na comparação anual, sugerem que o Carrefour pode entrar em um ciclo de bons resultados consolidados. “Nos mantemos otimistas e acreditamos que uma sequência de resultados positivos, com bom histórico, vão melhorar as operações da empresa.”

Itaú BBA tem recomendação de compra com preço-alvo em R$ 30,00…

XP Investimentos

O segmento de varejo do Carrefour reportou resultados fracos por conta de uma base forte de comparação enquanto o Banco Carrefour foi um destaque positivo, com os resultados voltando para os níveis pré-pandemia.

O Carrefour reportou resultados mistos nesse trimestre. Apesar do Atacadão ter apresentado um sólido crescimento de receita (+20% A/A e vendas mesmas lojas +10% A/A) e a companhia ter destacado que a integração das lojas Makro está superando as expectativas, a rentabilidade segue pressionada, com ambas as margens bruta e EBITDA caindo A/A (-0,8p.p. e -1,2p.p., respectivamente).

Além disso, o varejo enfrentou uma forte base de comparação, principalmente para varejo não alimentar (com vendas mesmas lojas -24,5% A/A) enquanto as margens também foram pressionados por conta do programa de fidelidade da companhia. Entretanto, o Banco Carrefour foi um destaque positivo, com receita líquida e EBITDA voltando para níveis pré-pandemia, sendo o último ajudado por um efeito não recorrente (venda de uma carteira inadimplente).

Nós mantemos recomendação Neutra para Carrefour Brasil uma vez que as margens devem seguir pressionadas por conta da estratégia da companhia enquanto o segmento do varejo pode continuar a enfrentar alguns desafios de curto prazo por conta da retomada da economia.

* Com informações da ADVFN, RI das empresas, Valor, Infomoney, Estadão, Reuters

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