O que a Black Friday nos diz sobre o varejo?

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Enquanto o varejo reporta um dado fraco de vendas da Black Friday, nós revemos nossas expectativas para o setor no futuro próximo.

Uma análise mais detalhada dos dados mostra a repetição de um cenário visto nos últimos resultados das grandes varejistas: tráfego nas lojas físicas ainda fraco, e-commerce indo bem. Dados da consultoria Virtual Gate indicam um tráfego nas lojas 1,6% superior ao de 2020, enquanto a expectativa era de algo entre 5% e 10%.

No comércio eletrônico, por outro lado, a alta foi de 7,1% para esta Black Friday.

Então é para encher a mão com papéis das varejistas de e-commerce?

Aqui precisamos levar o pensamento a mais um nível de profundidade.

O volume de pedidos online do mercado como um todo teve uma queda de 0,2% na comparação anual. Isso significa que o crescimento das vendas (os 7,1%) veio quase todo do aumento do ticket médio, que cresceu 7,2% na comparação anual.

Com um IPCA acumulado de 11,7% nos últimos 12 meses, chegamos a uma só conclusão: em termos reais, as vendas da Black Friday do varejo como um todo caíram no Brasil.

Temos, entretanto, que fazer uma diferenciação por tipo de produto, descendo mais um nível de profundidade no pensamento.

Uma inflação acumulada de 19,9% para as TVs nos últimos 12 meses ilustra uma tônica comum para todos os eletrônicos, pressionados pelo aumento do dólar e pela escassez mundial de chips. Não é de se surpreender que as famílias estejam priorizando itens de consumo essencial sobre bens duráveis.

Nas vendas do Mercado Livre, a categoria de supermercados teve um crescimento de volume de 540% na comparação anual, considerando somente a sexta-feira (26). O consumidor, que está com o orçamento pressionado, tem priorizado os bens de gasto recorrente, como alimentos, produtos de limpeza e de higiene pessoal. Aliás, as vendas de alimentos pet subiram 370% para a companhia nesta Black Friday. O famoso “long tail”, uma das expressões que os Faria Limers adoram falar, deu ao sortimento de Mercado Livre uma defensividade crucial na Black Friday 2021.

Agora, os olhos se voltam para o Natal, que, nos últimos anos, tem sido praticamente uma extensão da Black Friday. Aguardemos.

Em meio a um desempenho fraco do varejo em seu melhor trimestre do ano, onde nós ficamos, como investidores, para 2022? Agora é a hora pensar em como sua carteira começará o ano que vem.

Já sabemos que será um ano de desaceleração no Brasil. Portanto, é importante ter uma parte do seu portfólio fora do país — não tudo, porque as eleições do ano que vem ainda podem trazer alguma surpresa positiva.

O e-commerce, principalmente o focado nos itens básicos essenciais e/ou no público de alta renda, tende a continuar se beneficiando. Se você tiver alguma exposição ao varejo brasileiro, esteja, por favor, nos nomes certos.

Temos, ainda, o potencial “efeito janeiro”, uma anomalia histórica em que o preço das small caps tradicionalmente sobe no primeiro mês do ano. Entretanto, como casa, temos um pensamento pautado em análise fundamentalista. Apostar nesse efeito seria quase como entregar sua suada poupança ao misticismo.

Agora é a hora da boa e velha defensividade, sempre uma boa arma contra momentos de incerteza.

Um abraço,
Larissa

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