3 criptomoedas com diferencial competitivo para conquistar o mercado em 2022

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Apesar de o final de 2021 não estar sendo como os analistas e investidores esperavam, com o Bitcoin (BTC) chegando aos US$ 100.000 e o Ethereum (ETH), aos US$ 10.000, ainda assim a comunidade cripto tem diversos motivos para comemorar.

De janeiro até agora a capitalização total do mercado de criptomoedas saiu de menos de US$ 1 trilhão e provavelmente vai fechar o ano acima de US$ 2 trilhões, garantindo um crescimento anual de mais de 100%. No momento em que este texto está sendo escrito, a capitalização soma US$ 2,2 trilhões.

Bitcoin, Ethereum e todas as outras dez maiores criptomoedas registraram novas altas históricas, permitindo aos investidores a realização de lucros muito acima de quaisquer instrumentos de investimento do mercado tradicional. A narrativa de que o Bitcoin se constitui como um ativo de reserva de valor mais efetivo do que o ouro vinha se tornando dominante, pelo menos até a mais recente queda do mercado.

E apesar de dezembro estar registrando uma fuga substantiva de parte dos investidores institucionais, 2021 será lembrado como o ano em que as criptomoedas saíram das margens do mercado para se tornarem uma classe de ativos legítima, com a aprovação e o lançamento de fundos e ETFs (Fundos de Índice negociados em bolsa) e a entrada massiva de capital de risco para financiar o desenvolvimento de projetos.

Setores nascentes parecem consolidados, como o mercado de NFTs e o dos jogos play-to-earn, além da nascente promessa de expansão da realidade proposto por projetos de metaverso.

Por outro lado, os momentos de euforia motivados por altas sustentadas do mercado, especialmente entre janeiro e maio, e outubro e novembro, impulsionaram o crescimento e a valorização de criptoativos sem real utilidade econômica ou tecnológica.

Os exemplos mais óbvios foram os criptomemes caninos Dogecoin (DOGE) e Shiba Inu (SHIB). Nem Shiba Inu nem Dogecoin oferecem algo que se assemelhe a uma vantagem competitiva ou verdadeira diferenciação, conforme destacou o analista Sean Williams em um artigo publicado no site da Nasdaq no domingo:

“Nem Shiba Inu nem Dogecoin oferecem algo que se assemelhe a uma vantagem competitiva ou verdadeira diferenciação. Shiba Inu nada mais é do que um token ERC-20 construído na blockchain do Ethereum. Está sujeito às mesmas altas taxas de transação e demora de processamento que podem ocasionalmente afetar a rede ultra-popular. Enquanto isso, as taxas de transação do Dogecoin são nitidamente mais altas do que várias outras moedas de pagamento populares, e sua rede não é capaz de lidar com muitas transações por segundo. Shiba Inu e Dogecoin são o que parecem ser: oportunidades de investimento fugazes no espaço da criptomoedas.”

Em oposição aos criptomemes, Williams apresentou três criptoativos que, segundo ele, possuem diferenciais competitivos capazes de garantir-lhes sucesso e vida longa em um mercado dinâmico e altamente competitivo.

Avalanche (AVAX)

O primeiro é um dos destaques do segundo semestre deste ano e que, apesar do recente refluxo geral do mercado, tem conseguido registrar ganhos também no curto prazo. A Avalanche entrou em tendência de alta em agosto, quando estava cotado na faixa de US$ 12,00 a US$ 15,00, em uma ascensão fulminante até atingir a máxima histórica de US$ 146,22 em 21 de novembro.

A Avalanche se destaca pela escalabilidade, velocidade e compatibilidade com a Ethereum Virtual Machine (EVM), que permite que dApps criados para utilização na rede líder do setor de contratos inteligentes possam ser implementados na sua blockchain.

De acordo com Williams esta é uma grande vantagem competitiva porque os usuários da Avalanche podem desfrutar de custos mais baixos e maior eficiência no processamento de transações. Em termos de escalabilidade, a Avalanche é capaz de processar até 4.500 transações por segundo (TPS).

A título de comparação, a Visa pode manejar até 24.000 TPS. E o Bitcoin (antes de sua atualização Taproot) e o Ethereum, apenas 7 TPS e 13 TPS, respectivamente. A Avalanche está bem abaixo da Solana (SOL), cuja rede em plena capacidade é capaz de validar 65.000 TPS, mas com menos descentralização e consequentemente menos segurança.

Além disso, a Solana vem apresentando problemas de congestionamento e falhas no processamento de transações em ocasiões em que a rede verificou aumentos considreáveis de tráfego.

Em geral, a conclusão de uma transação na Avalanche dura menos de dois segundos. Em outras palavras, isso significa que as transações são validadas e liquidadas quase instantaneamente. No Ethereum, a criação de um bloco leva seis minutos em média, e na blockchain do Bitcoin, cerca de 60 minutos.

No momento em que este texto está sendo escrito, o AVAX está cotado a US$ 113,09 e registra valorizações intradiária de 4%, e de 47% nos últimos sete dias.

Algorand (ALGO)

A ascensão do Algorand foi similar à do AVAX, com um forte rali de alta iniciado em agosto. A diferença é que o ALGO alcançou sua máxima anual de US$ 2,83 em um período de tempo mais curto, já em 11 de setembro. Em seguida entrou em um perído de acumulação que reverteu em uma tendência de baixa a partir de 2 de dezembro, em correlação direta com a direção geral do mercado.

Concentrando-se exclusivamente nos fudamentos do Algorand, existem três recursos que fazem com que a rede mereça um olhar mais atento dos investidores, de acordo com Williams.

Em primeiro lugar, o mecanismo de consenso do Algorand é único e representa uma evolução em relação à Prova-de-Participação tradicional –  a Prova-de-Participação pura, ou PPoS. Com o PPoS, pequenos grupos de detentores de ALGO são aleatoria e secretamente escolhidos para propor blocos e votar propostas. A vantagem do PPoS é que ele praticamente elimina a probabilidade de que um pequeno número de agentes seja capaz de sabotar ou travar a rede.

Assim como a Avalanche, o Algorand também se destaca pela velocidade. A rede está em constante aprimoramento e os desenvolvedores atualizam regularmente os seus parâmetros. Em 16 de dezembro, o Algorand era capaz de processar 1.162 TPS, com um tempo de finalização de bloco de apenas 4,36 segundos.

Por último, o Algorand é uma rede com foco em interoperabilidade entre blockchains empresariais e isso tem potencial de ampliar seus casos de uso em um futuro multi-chain.

No momento, o Algorand está operando em baixa intradiária de 3,75%, e semanal de 3,15%, cotado a US$ 1,31.

Nano (XNO)

O Nano é um protocolo focado em pagamentos cujo melhor desempenho concentrou-se no primeiro semestre do ano. Em 18 de abril, quatro dias após a renovação da alta histórica do Bitcoin na ocasião, o XNO atingiu um topo local de US$ 13,40 e menos de um mês depois, em 13 de maio, registrou sua máxima anual de US$ 14,21.

Desde então, descolou-se do movimento geral do mercado e, após recuar até a cotação mínima de US$ 3,15 em 20 de julho, tem se mantido em acumulação numa faixa restrita de preço cujo topo foi de US$ 7,42.

O Nano não é uma blockchain tradicional. É conhecida como uma blockchain de blockchains na qual cada usuário tem sua própria blockchain que pode ser adicionada à rede gratuitamente. Ou seja, não há competição com outros usuários nem é preciso obter a aprovação de validadores, a conexão é direta e exclusiva entre o remetente e o destinatário das transações. Além disso, o mecanismo de consenso do Nano, conhecido como Votação Representativa Aberta, faz com que as transações na rede sejam gratuitas.

Tal recurso permite que a rede seja altamente escalável, sem comprometimento de sua eficácia, e ultrarrápida. De acordo com sua equipe de desenvolvimento, o Nano pode concluir transações em menos de um segundo.

Enquanto pagamentos internacionais, hoje, podem levar até uma semana para ser validados e liquidados, o Nano é capaz de realizar a operação completa de forma praticamente instantânea.

No momento em que este texto está sendo escrito, o XNO está cotado a US$ 3,27, acumulando desvalorização intradiária de 2,8% e semanal de 6,6%.

Por Caio Jobim

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