Tim (TIMS3): lucro líquido normalizado de R$ 768 milhões no 4T21, recuo de 26%

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A operadora TIM registrou lucro líquido normalizado de R$ 768 milhões no quarto trimestre de 2021, recuo de 26% em relação ao mesmo intervalo de 2020.

Ebtida – lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização – normalizado atingiu R$ 2,449 bilhões no quarto trimestre de 2021, avanço de 2,9% na mesma base de comparação anual. A margem Ebitda oscilou 0,1 ponto porcentual para cima, indo a 51,0%.

A principal alavanca para o crescimento do Ebitda foi a performance da receita de serviços móveis, com destaque para o bom desempenho do segmento pós-pago, da banda larga (TIM Live) e da geração de receitas oriundas das parcerias para oferta de conteúdo, conforme informou a companhia.

A receita líquida somou R$ 4,799 bilhões no 4T21, alta de 2,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A base móvel da companhia alcançou 52 milhões de clientes ao fim do ano passado, alta de 1,2% ante 2020, enquanto a base de clientes TIM Live chegou a 685 mil clientes, avanço de 6,1%.

A receita de serviços da TIM subiu a R$ 4,620 bilhões, alta de 4% na comparação entre o quarto trimestre de 2021 com o mesmo intervalo de 2020. A receita de serviços móveis avançou 3,8%. Aqui, o resultado foi puxado pelos planos pós-pagos, com alta de 3,7%, enquanto os planos pré-pagos tiveram resultado oposto: queda de 3,7%.

A receita média por usuário (Arpu) no setor móvel teve crescimento de 2,6% e atingiu R$ 27,7 por mês. Isso reflete a estratégia da companhia de monetizar sua base de clientes com a migração de clientes para planos de maior valor agregado.

No pós-pago, a TIM teve aumento das vendas nos planos impulsionadas pelas campanhas de Black Friday e Natal. No pré, a empresa sentiu o impacto da piora macroeconômica e fim do auxílio emergencial, que diminuiu as recargas.

Um dos destaques no segmento móvel foi recém criada plataforma de clientes – que abrange parcerias da TIM para ofertas de serviços variados, como finanças, educação e publicada. A receita aí foi de R$ 37 milhões, alta de 150%.

A receita com venda de produtos despencou 24,3%, para R$ 180 milhões, devido à falta de insumos e aparelhos, além da piora macroeconômica também.

O resultado financeiro líquido foi uma despesa de R$ 180 milhões no 4T21, crescimento de 306,1% sobre as perdas financeiras do 4T20.

O fluxo de caixa operacional livre normalizado ficou positivo em R$ 2,46 bilhões, ante os R$ 2,07 bilhões apurados no quarto trimestre de 2020. De acordo com a companhia, o resultado reflete a redução nas despesas de capital trimestral e o crescimento do Ebitda.

Os investimentos nas expansão das redes chegaram a R$ 1,255 bilhão, baixa de 14,2% na comparação anual, sem contar as licenças do leilão do 5G. Já se as licenças foram incluídas, há um acréscimo de R$ 3,585 bilhões em investimentos, chegando a R$ 4,840 bilhões.

A TIM fechou o quarto trimestre de 2021 com dívida líquida de R$ 3,723 bilhões e uma alavancagem (medida pela relação entre dívida líquida e Ebtida) de 0,4x.

A dívida líquida teve um recuo de 14,1% na comparação com 3T21, a R$ 3,723 bilhões. Dessa forma, o índice de alavancagem, medido pela relação entre dívida liquida e o Ebitda foi de 0,4 vez, uma elevação de 0,1 vez em relação ao 3T21.

O Capex Total do trimestre, incluindo o leilão de frequências, somou R$ 4,840 bilhões.

No resultado do ano, o Capex Normalizado, que exclui os impactos do leilão, totalizou R$ 4,382 milhões, representando uma alta de 12,6% A/A, explicado pelos projetos referentes a preparação da infraestrutura para integração com os ativos móveis da Oi. Em 2021, o Capex Total, incluindo os impactos do leilão, foi de R$ 7,966 bilhões.

 Os resultados da TIM (BOV:TIMS3) referentes às suas operações do quarto trimestre de 2021 foram divulgados no dia 24/02/2022. Confira o Press release na íntegra!

Teleconferência

A TIM está confiante e acredita no seu crescimento para os próximos anos, reflexo da aquisição dos ativos da Oi e dos resultados sólidos demonstrados no balanço divulgado ontem pela companhia.

Na teleconferência, realizada na manhã desta quinta-feira, a companhia enfatizou que a transição total dos clientes e infraestrutura adquiridas da Oi deve durar 12 meses. Os impactos nos resultados devem acontecer em 2024. Como a
TIM era a menor operadora, ela ficará a maior fatia na migração, com 39,5% dos 41,3 milhões de celulares da Oi. A Claro terá 30,6% e a Vivo, 29,8%. Em2024, a expectativa é que os clientes da Oi representem 15% da receita da empresa. Para 2023, a meta é crescer dois dígitos, com a entrada da tecnologia 5G e novos investimentos da companhia.

A empresa também comentou sobre a parceira com a Vivo no compartilhamento de rede de acesso (chamado RAN Sharing). A intenção é ampliar a parceria, que atualmente somam mais de mil cidades pelo país. O modelo é atender nos locais onde a operadora ainda não tem cobertura, ou seja, onde a Vivo está presente e a TIM, não, esta poderá usar a rede da primeira. E vice-versa.

Outro destaque foi a importância da transação com a IHS Brasil, de participação societária na I-I-Systems, empresa constituída pela TIM para segregação de ativos de rede e prestação de serviços de infraestrutura. A I-Systems começou sua operação com aproximadamente 15 mil km de fibra em rede secundária, cobrindo em torno de 6,4 milhões de domicílios, que constituem a base inicial de ativos transferidos pela TIM.

Por fim, a empresa afirmou que continuará a política de melhoria de sua geração de caixa operacional e a manutenção de uma adequada alocação de capital, caracterizada pela destinação do Capex em projetos de infraestrutura de rede e TI para melhorar a eficiência operacional e experiência dos clientes.

VISÃO DO MERCADO

Credit Suisse

Os resultados da TIM do quarto trimestre de 2021, divulgados pela operadora ontem, ficaram em linha com o esperado, de acordo com o Credit Suisse. O banco aponta que as novas projeções da companhia para o período de 2022 a 2024 também estão dentro das estimativas.

Os analistas Daniel Federle e Victor Ricciuti afirmam que o último trimestre da TIM foi neutro, com alta de 2,6% da receita líquida e de 2,9% do Ebitda. Já o lucro líquido caiu 26%, afetado pelas maiores despesas financeiras e tributárias, mas ainda em linha com o consenso de mercado.

O Credit Suisse destaca ainda que a companhia seguiu perdendo clientes do segmento pré-pago, enquanto outras operadoras registravam avanço na carteira de clientes. Já o pós-pago adicionou 490 mil assinantes, melhor resultado em dois anos e pouco abaixo do registrado pela concorrente Vivo.

A companhia também divulgou na noite de ontem suas projeções para o período de 2022 a 2024, que estão em linha com as estimativas do Credit Suisse. As projeções do fluxo de caixa livre, porém, ficaram ligeiramente abaixo das do banco.

Credit Suisse tem recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 16,00.

Bank of America 

Em relatório, os analistas Fred Mendes, Gustavo Tiseo, Lucca Brendim e Mirela Oliveira comentam que, em teleconferência de resultados, a companhia disse esperar que o fechamento do negócio com a Oi Móvel ocorra até maio. Com isso, a integração desses ativos junto ao lançamento da tecnologia 5G — entre junho e julho —, deve ser o foco principal da TIM no ano.

“A empresa espera que dois terços das sinergias da Oi venham da frente técnica. Os ganhos de Ebitda devem ser vistos integralmente em 2024, considerando que este e o próximo ano ainda serão dedicados à integração”, avaliam.

Segundo a equipe do BofA, a TIM vê grande parte de seu poder de precificação vindo de sua plataforma digital, com a migração para a nuvem ganhando relevância. Em relação a telefonia fixa, o cenário competitivo foi desafiador ao longo do segundo semestre do ano passado e deve permanecer assim nos próximos trimestres.

Os analistas avaliam que a TIM deve ser a principal beneficiária do negócio da Oi e os papéis da companhia são os preferidos do banco no setor de telecom. “Vemos as ações sendo negociadas a quatro vezes o múltiplo EV/Ebitda para este, um desconto de 12% para a Vivo”, acrescentam.

Bank of America mantém recomendação de compra e reduz preço-alvo de R$ 18,00 para R$ 17,00…

* Com informações da ADVFN, RI das empresas, Valor, Infomoney, Estadão, Reuters

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