Banco Central mantém previsão de crescimento do PIB deste ano em 1%

LinkedIn

O Banco Central (BC) manteve a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano em 1% na edição de março do Relatório Trimestral de Inflação (RTI).

“Em relação à atividade econômica brasileira, a divulgação do PIB do quarto trimestre de 2021 apontou crescimento acima do esperado. Apesar de indicadores mensais mostrarem recuo da atividade em janeiro, espera-se recuperação em fevereiro e março com a melhora da pandemia. A surpresa observada no PIB do quarto trimestre e o resultado esperado para o primeiro trimestre favorecem a projeção de crescimento no ano. Adicionalmente, mantém-se perspectiva favorável para alguns setores específicos, como a agropecuária e as atividades econômicas que ainda estão em processo de recuperação dos impactos negativos da pandemia.”, pontua o documento.

O BC explica que, em sentido oposto, as informações disponíveis sugerem que a escassez de matéria-prima ainda é um fator limitante para a indústria e que a recomposição de estoques não deve contribuir significativamente para a demanda do setor em 2022. O risco fiscal elevado e o processo de aperto monetário em curso continuam impactando as condições financeiras atuais e, consequentemente, a atividade econômica corrente e futura. O elevado nível corrente de incerteza econômica doméstica atua na mesma direção. A elevação dos preços de commodities e dos preços de produtos importados – especialmente desde a escalada do conflito entre Rússia e Ucrânia atenuada pela recente apreciação do real, pode ser considerada um novo choque de oferta do ponto de vista da economia doméstica, com impacto altista sobre a inflação e negativo sobre a atividade econômica no curto prazo.

No âmbito da produção, houve redução nas previsões de crescimento para os três setores. A projeção para a agropecuária passou de crescimento de 2,0%, no último RI, para recuo de 0,6%, influenciada por queda no terceiro trimestre mais intensa do que se previa. O declínio esperado na agropecuária em 2021 resulta, em especial, de estimativas de quedas na produção em culturas com participação elevada no setor algodão e laranja não compensadas inteiramente pela safra recorde de soja. A previsão de recuo no abate de bovinos, influenciada por consumo doméstico deprimido e, mais recentemente, pela suspensão das exportações de carne bovina para China, contribui adicionalmente para a perspectiva de retração da agropecuária neste ano.

Por outro lado, a inflação ao consumidor segue elevada, com alta disseminada entre vários componentes, e mais persistente que o antecipado. No trimestre encerrado em fevereiro, a variação do Indice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) revelouse 0,83 p.p. maior que o esperado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em seu cenário de referência de dezembro. Parte significativa da surpresa inflacionária no trimestre está relacionada a componentes mais voláteis, em especial aos preços de combustíveis e de alimentos, mas também houve surpresa em itens associados à inflação subjacente. As diversas medidas de inflação subjacente permanecem acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação. As expectativas de variação do IPCA apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 6,4% e 3,7%, respectivamente. No que se refere às projeções condicionais de inflação, no cenário de referência, com trajetória para a taxa de juros extraída da pesquisa Focus e taxa de câmbio partindo de USD/BRL 5,05, e evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC), as projeções de inflação do Copom situam-se em torno de 7,1% para 2022 e 3,4% para 2023. Esse cenário supõe trajetória de juros que se eleva para 12,75% a.a. em 2022 e reduz-se para 8,75% a.a. em 2023.

No âmbito externo, a economia global prosseguia até fim de fevereiro em trajetória de recuperação, ainda que com dispersão regional, entre países e entre setores da atividade. Apesar de mais transmissível, a nova variante Ômicron da Covid-19, descoberta em novembro de 2021, tem impactado as economias em menor intensidade do que o inicialmente previsto quando do seu surgimento. Apesar disso, a evolução da pandemia da Covid-19 continua sendo fator de risco relevante no cenário prospectivo para a economia mundial. O aparecimento de novas variantes, a efetividade da imunização da população, medidas de restrição à mobilidade e o distanciamento social ainda são fatores determinantes para o crescimento econômico e a inflação no mundo.

Nas últimas semanas a tensão geopolítica entre a Rússia e a Ucrânia se agravou, levando diversos países a adotarem sanções econômicas e financeiras à Rússia.

“Embora seja difícil projetar os próximos desenvolvimentos, o conflito armado aumentou a aversão global ao risco, elevando, consequentemente, os prêmios embutidos nos preços dos ativos financeiros, e deve impactar severamente a economia russa e seus principais parceiros comerciais. Esse cenário traz pressão adicional aos preços das commodities em que a Rússia e a Ucrânia são relevantes na oferta global, como trigo, milho, petróleo, gás natural, commodities metálicas, e fertilizantes, dentre outros”, diz.

Em síntese, desde o último Relatório de Inflação, a recuperação da economia global observada ao longo de 2021 prosseguiu, porém sujeita a descontinuidades, com grande dispersão setorial e regional, além de alta volatilidade. As taxas de inflação ao consumidor em economias emergentes e avançadas continuam refletindo pressões vindas da dinâmica dos preços de commodities, dos problemas nas cadeias de suprimentos, do realinhamento de preços relativos e da normalização da atividade nos setores mais afetados pela pandemia. Em consequência, as expectativas de inflação têm se elevado, especialmente para horizontes de curto e médio prazo. Os Bancos Centrais têm reagido a essa deterioração no cenário inflacionário com elevações nas taxas de juros e ajustes nas políticas acomodatícias não convencionais.

No ano de 2021 a economia brasileira cresceu 4,6% após retração de 3,9% em 2020. Considerada a data de corte do Relatório de Inflação (RI) de dezembro, o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no ano veio acima da projeção do BC (4,4%) e abaixo da mediana do relatório Focus (4,7%).

A projeção de crescimento do PIB em 2022 foi mantida em 1,0%. Ressalta-se que a incerteza ao redor da projeção é maior do que a usual, particularmente em virtude da rápida alteração no cenário global com o recrudescimento das tensões geopolíticas globais.

A surpresa positiva no PIB do quarto trimestre de 2021 eleva o carregamento estatístico para 2022 e sugere, especialmente quando se analisa a evolução do PIB com o ajuste sazonal alternativo8 , que a atividade vinha em processo de aceleração ao longo do segundo semestre de 2021. Adicionalmente, continua havendo perspectiva favorável para alguns setores específicos. Mesmo com a piora recente dos prognósticos para a agricultura, a expectativa é que a agropecuária ainda contribua positivamente para o crescimento em 2022. Além disso, as atividades econômicas mais atingidas pela pandemia ainda operam em patamares razoavelmente abaixo do observado no fim de 2019, sugerindo existência de espaço para a recuperação conforme se dissipa o risco sanitário associado à variante Ômicron da Covid-19 e prossegue o processo remanescente de normalização da economia, inclusive a transição do consumo em direção a serviços.

Informações Agência CMA

Deixe um comentário