Guararapes (GUAR3): lucro líquido de R$ 304,6 milhões no 4T21, queda de 17,2%

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A Guararapes Confecções, dona da rede Riachuelo, registrou lucro líquido de R$ 304,6 milhões no quarto trimestre de 2021, queda de 17,2% na comparação com o mesmo período de 2020. No acumulado do ano passado, houve lucro de R$ 453,1 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 27,1 milhões vistos no ano anterior.

Os elementos excepcionais no trimestre referem-se ao impacto da venda da matriz no valor líquido de R$79,7 milhões e ao complemento de provisão na Midway Financeira, a fim de atender as exigências do IFRS 9, no valor líquido de R$19,3 milhões.

No ano de 2021, além dos fatores anteriores, também fez parte dos elementos excepcionais a inconstitucionalidade da cobrança de Imposto de Renda (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre valores relativos a juros Selic decorrentes de indébitos tributários, conforme decisão do STF, no montante de R$199,3 milhões.

A receita líquida da companhia cresceu 12,6%, para R$ 2,49 bilhões entre outubro e dezembro, enquanto somou R$ 7,22 bilhões no consolidado de 2021, alta de 15,6%. A receita líquida de mercadorias totalizou R$ 2 bilhões neste trimestre, evolução de 9,8% em relação ao 4T20 e 10,5% frente ao mesmo período de 2019.

O ebitda – lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização – ajustado ficou em R$ 512,44 milhões entre outubro e dezembro de 2021, queda de 14,3% ante igual período de 2020 e de 20,2% em relação ao mesmo intervalo de 2019 em função, segundo a empresa, dos gastos relacionados à transformação digital em andamento. A margem Ebitda Ajustada atingiu 20,6% no 4º trimestre do ano passado.

O lucro bruto de mercadorias totalizou R$ 1 bilhão no trimestre, expansão de 4,8% vs 4T20 e 6,1% vs 4T19. A margem bruta de mercadorias atingiu 50,9% no 4T21 ante 53,3% no 4T20 e 53,0% no 4T19. A redução foi resultado principalmente da maior participação dos produtos com desconto no mês de novembro, especialmente na Black Friday, além de pressão inflacionária.

No acumulado do ano de 2021, o lucro bruto de mercadorias atingiu R$ 2,8 bilhões, superior em 1,8% o lucro bruto de 2019. A margem bruta de mercadorias alcançou 50,2%, uma evolução de 2,4 pontos porcentuais frente a 2020 e em linha com o ano de 2019.

As vendas digitais cresceram 72% no quarto trimestre, com a participação de vendas dos canais digitais chegando a 10,7% das vendas totais de mercadorias em 2021, com destaque para o avanço de 138% no número de usuários diariamente ativos no aplicativo da Riachuelo.

No critério mesmas lojas, houve um aumento de 6,5% referente ao 4T20 e de 6,8% em relação ao 4T19, com destaque para o forte desempenho das categorias de confecção (feminino, masculino, infantil e LPGA), que aumentaram 14,7% vs o 4T20 e 11,8% vs o 4T19, enquanto a categoria de eletrônicos seguiu sendo muito impactada pela falta de componentes na cadeia de suprimentos.

A receita da Midway Financeira totalizou R$ 494,8 milhões no 4T21, crescimento de 25,7% em relação ao 4T20. No ano de 2021, a Receita da Midway Financeira totalizou R$ 1,7 bilhão.

A provisão para perdas de créditos esperadas encerrou o 4T21 com R$ 225,4 milhões, um aumento de 108,8% comparado com o 4T20. Tais valores contemplam as perdas provenientes das operações do Cartão Riachuelo (Private Label + Bandeira) e de empréstimo pessoal, e refletem a melhora do perfil de risco da operação de crédito e a redução da volatilidade frente a 2020.

Adicionalmente, no 4T21, foi realizado um complemento de provisão no valor de R$ 35,0 milhões, a fim de atender as exigências do IFRS 9. Em 2021, a PPCE totalizou R$ 610,6 milhões.

A dívida líquida da companhia fechou o trimestre em R$ 1,486 bilhão, 110% superior aos R$ 706,989 milhões registrados um ano antes. Assim, o nível de alavancagem, medido pela relação dívida líquida/Ebitda, caiu de 3,0 vezes para 2,2 vezes na comparação com o quarto trimestre de 2020.

Os resultados da Guararapes (BOV:GUAR3) referente suas operações do quarto trimestre de 2021 foram divulgados no dia 09/03/2022.

Teleconferência

De olho na integração multicanal, o grupo Guararapes, dono da varejista de moda Riachuelo, diz que cada vez mais suas lojas físicas estarão conectadas com as plataformas digitais. Por isso, fatia importante investimento deste ano irá para reformar lojas, disse hoje o presidente do grupo, Oswaldo Nunes.

“Parte relevante do capex para 2022 será para retrofit de lojas, para aumentar lojas com aderência à nova proposta, em linha com projeção de aumentar venda e lucro por metro quadrado em praças que já estamos”, disse o executivo em teleconferência de resultados.

O impacto da margem de outubro a dezembro veio principalmente do aumento de horas extras e do efeito da Black Friday.

“A margem bruta no quarto trimestre saiu um pouco do eixo”, disse Nunes, destacando que, embora o evento de ação promocional tenha uma pressão natural vinda do portfólio de eletrônicos, a operação da Riachuelo teve a rentabilidade pressionada por todas as categorias. “Mais afetado por inflação, o cliente antecipou compras na Black Friday. O lado positivo é que não precisamos fazer tanta promoção em janeiro, porque estoques viraram mais saudáveis.”

Embora veja o cenário macroeconômico como desafiador, a administração da companhia está otimista de que o ano vai ter melhor resultado.

“Bancar inflação com apenas produtividade é difícil, temos que repassar e ajustar níveis de estoque. Mas mais qualidade e percepção de valor minimizam impacto de aumento de preço”, diz Nunes. “E o ambiente favorece negócios como o nosso de ganhar mercado; os pequenos sofrem mais”, acrescentou.

VISÃO DO MERCADO

Bradesco BBI

O Bradesco BBI destaca que as vendas da Guararapes vieram acima da expectativa e que o forte crescimento na plataforma de e-commerce mostrando que a empresa está avançando bem nas prioridades estratégicas (digital e produto), mas o lucro ficou aquém das expectativas.

Parte da margem EBITDA veio abaixo do esperado e parece relacionada a investimentos em digital e algumas pressões externas sobre o custo dos produtos vendidos, o que não preocupa o banco. Os lucros dos Serviços Financeiros foram amplamente conforme o esperado, enquanto o NPL de 90 dias de 14,9% praticamente estável em relação ao trimestre anterior.

Bradesco BBI mantém recomendação de compra com preço-alvo de R$ 12,00…

Itaú BBA

No varejo, a pressão foi impulsionada principalmente por maiores investimentos digitais – que, estão dando frutos, com crescimento de 72% de GMV vs. 4T20 e uma melhoria sequencial de 65% na retirada na loja.

Na divisão FPS, a pressão não decorre de investimentos, mas de menores receitas e maiores descontos nas operações de crédito resultaram em redução de 12% no Ebitda em relação a 2019.

Itaú BBA mantém recomendação de compra com preço-alvo de R$ 25,00…

* Com informações da ADVFN, RI das empresas, Valor, Infomoney, Estadão, Reuters

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