Enquanto a Petrobras segue em seu processo de due diligence na Braskem, outra questão ainda atrasa o avanço das negociações em torno da venda da empresa petroquímica pela Novonor: o preço cobrado pelos bancos. Segundo fontes ouvidas pelo IM Business, as instituições credoras ainda mostram resistência a aceitar os valores propostos pelos três interessados na companhia.

A divergência se agrava à medida que a ação se desvaloriza. E também diante da ofensiva do senador Renan Calheiros, que reuniu assinaturas para abrir uma CPI para investigar a responsabilidade da Braskem (BOV:BRKM5) no afundamento do solo em Maceió, no Estado de Alagoas – e vai tentar pressionar a empresa por uma multa adicional.

Cinco instituições financeiras – Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e BNDES – são credores da Novonor e têm em mãos, como garantia, 38% do capital da Braskem detidos pela empreiteira. Cabe a esses bancos, em última instância, a decisão do negócio. E, segundo interlocutores, esses bancos buscam reduzir ao máximo o desconto a ser aceito na venda das ações da Braskem, enquanto os riscos de gastos adicionais vindos da disputa em Alagoas, somados ao cenário desafiador vivido pelo setor petroquímico, impactam o valor do ativo.

Na visão de agentes que acompanham de perto a negociação, “a demora no processo de venda fragiliza a companhia.” Para esses interlocutores, manter a Braskem à venda por mais tempo atrasa investimentos estratégicos, em um momento em que a empresa lida com desafios relacionados ao setor. “Não quiserem vender a companhia quando a ação estava a R$ 45, essa demora só piora as condições para a venda’, define uma das fontes.

A dívida da Novonor junto aos bancos é avaliada em torno de R$ 15 bilhões e é corrigida a uma taxa de mais de 120% o CDI. A oferta da Unipar e da J&F, que já venceram, consideram um desconto (hair cut) R$ 5 bilhões nessa dívida. As negociações não avançaram e, desde a proposta mais recente feita pela Unipar, em junho, a ação da Braskem acumula uma queda de cerca de 20%. Em grande medida, essa desvalorização da empresa tem a ver com o cenário negativo para o setor.

Em último balanço, a Braskem reportou uma queda do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) recorrente de 82% ante igual período do ano passado, para R$ 703 milhões, resultado atribuído ao encolhimento do nível do consumo mundial — em particular na China –, com efeito direto sobre preços e margem. Segundo afirmou na ocasião o diretor financeiro da companhia, Pedro Freitas, não há razão para esperar uma melhora desse quadro no segundo semestre.

Outro fator que impacta o valor da companhia neste momento é a pressão vinda do governo de Alagoas. A companhia já havia fechado um acordo com a prefeitura de Maceió no valor de R$ 1,7 bilhão como indenização pelo afundamento do solo em bairros atingidos pela exploração da companhia, dos quais R$ 700 milhões já haviam sido provisionados. Mas o governo de Alagoas, juntamente com Renan Calheiros, tentam impedir a venda e ampliar o valor da indenização.

A Petrobras (BOV:PETR3) (BOV:PETR4) divulgou nesta segunda-feira (18) um fato relevante em que reafirma que está fazendo a avaliação da Braskem para decidir se exercerá o direito de tag along ou de preferência, no caso da venda da companhia. No comunicado, reiterou que não houve qualquer decisão da Diretoria Executiva ou do Conselho de Administração em relação ao tema. Mas circulam informações de que a companhia gostaria de se aliar a um grande grupo – como é o caso da Adnoc, petroleira estatal dos Emirados Árabes, que junto com o fundo americano Apollo fez uma proposta pela Braskem -, que poderia abrir caminho para grandes projetos no exterior.

A Adnoc é considerado hoje o candidato mais forte a levar a Braskem. Fontes próximas à negociação afirmam que a Adnoc assumiu o controle das negociações junto ao governo brasileiro e já manifestou que estaria disposta a firmar uma parceria com a Petrobras na gestão da Braskem – ao contrário do que havia afirmado no início das negociações.

Segundo o jornal Valor Econômico, o Apollo já teria, inclusive, se retirado da transação.

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