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Índice de conteúdo

Bairros de São Paulo

Aclimação

Apesar de sua localização próxima ao centro da cidade, a Aclimação é um dos bairros mais jovens de São Paulo: nasceu já no século XX, bem depois que outros de perfil mais aristocrático, como Higienópolis, Pacaembu, Campos Elíseos, ou mesmo industriais, como o Brás, haviam surgido.

Todos desenvolveram-se a partir do loteamento das antigas chácaras e fazendas que tomavam as terras da capital, circundando os vários "caminhos de tropeiros", que faziam a ligação entre o centro da cidade, o sertão e o litoral. Havia o "Caminho do Carro para Santo Amaro", que seguia por onde hoje estão as avenidas da Liberdade, Vergueiro e Domingos de Morais em direção ao distante povoado de Santo Amaro.

Havia também o "Caminho de Pinheiros", que partia da Sé, atravessava o Vale do Anhangabaú e subia pela atual avenida da Consolação em direção ao que na época era um povoado indígena.

Havia ainda um "Caminho para Minas Gerais", um para "Goiás" e também o "Caminho do Mar" ou "Estrada de Santos", que descia a Rua da Glória, atravessava o rio Lavapés (não estranhe se nunca ouviu falar dele, pois, como a maioria dos rios, riachos e córregos de São Paulo, desapareceu, canalizado, engolido pelo progresso), seguia pelo Ipiranga e ia dar em Santos.

O local que deu origem ao bairro da Aclimação era uma área sinuosa, cheia de morros e baixadas, um triângulo demarcado pelo "Caminho do Mar", pelo rio Lavapés e pelo córrego Cambuci, conhecido com Sítio Tapanhoin. Foi essa área que Carlos Botelho, médico nascido em Piracicaba e formado em Paris, adquiriu em 1892, em busca da realização de um desejo nascido na capital francesa: a criação de uma versão brasileira para o Jardin d’Acclimatation, que, entre outras atrações, possuía um zôo e servia de base para a aclimatação de espécies exóticas, além de experiências envolvendo reprodução e hibridação de animais. Assim, o nome indígena deu lugar à inspiração francesa no que passou a se chamar Jardim da Aclimação, origem do atual Parque da Aclimação e de todo o bairro.

Alto da Lapa

O Alto da Lapa está localizado na zona Noroeste da cidade, numa das regiões horizontais mais arborizadas de São Paulo. Assim como os Jardins América e Europa, o bairro também foi loteado, em 1921, pela incorporadora inglesa City.

Para a criação do bairro, a incorporadora investiu numa área de mais de 2 milhões de metros quadrados. O projeto foi elaborado pelo arquiteto Barry Parker, que buscou inspiração nas fortes tendências urbanísticas da Europa, onde acontecia o movimento modernista. Entre os principais conceitos da escola estava a união do urbanismo com a natureza, sem a criação de pontos de verticalização.

Apesar do bairro ter sido habitado inicialmente por trabalhadores das olarias locais e agricultores, a maioria dos terrenos loteados pela incorporadora foi vendida para famílias bem-sucedidas da época. Até hoje o Alto da Lapa mantém suas características originais: ruas arborizadas e tranqüilas. Em muitas delas, os moradores garantem que ainda é possível acordar com os passarinhos e dormir ao silêncio dos grilos. Na área central do bairro o trânsito é calmo, sem fortes pontos de congestionamento. Tudo isto graças a um projeto urbanístico generoso, que previu ruas largas, viabilizando o fluxo de veículos na região.

Para preservar as características do Alto da Lapa, estão proibidas a construção de edifícios e o estabelecimento de pontos comerciais. A lei de zoneamento permite apenas a instalação de imóveis para a prestação de serviços. Assim, na Rua Brigadeiro Gavião Peixoto há uma pequena concentração de clínicas médicas, laboratórios e consultórios. A região tem poucos convites à diversão e noites agitadas. As características do Alto da Lapa são perfeitas para quem está à procura de um bairro tranqüilo, residencial e familiar.


Alto de Pinheiros

Alto de Pinheiros foi um bairro projetado pelo urbanista e arquiteto inglês Barry Parker, que também idealizou o Jardim América.

Parker trabalhava para a Companhia Empreendedora City. Foi na década de 40 que um dos bairros mais arborizados e bonitos de São Paulo começou a ser construído. Um dos pontos fortes é a tranqüilidade com que a vizinhança, nos finais de semana, circula pelas ruas fazendo caminhadas, andando de bicicleta ou, muitas vezes, em companhia de seus cachorros. Alto de Pinheiros é conhecido pela praça Pôr do Sol, que reúne pessoas de todas as idades, principalmente nos finais de semana. A maioria das terras do distrito do Alto de Pinheiros foi adquirida em 1925 pela Cia City. Mas o processo de urbanização consolidou-se somente no início da década de 60 com a construção da avenida Pedroso de Morais e a chegada do Colégio Santa Cruz. Na época, o anúncio da venda dos lotes já seduzia corações e mentes com slogans do tipo "More na cidade com a qualidade de vida do campo". O tempo passou e o perfil do distrito não se alterou.

Nos dias de hoje nada agride a tranqüilidade dos moradores. Uma olhada no mapa da vegetação da cidade revela que cada habitante dispõe de apenas 4 m² de área verde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda 12 m². Nesse aspecto, o distrito do Alto de Pinheiros sobressai. Cada morador desfruta de 13,22 m². Isso explica a razão pela qual a região está na mira das construtoras. O Parque Villa Lobos, aberto em 1994 e a inauguração do shopping de mesmo nome deram novos contornos à região. Em cinco anos, contabilizaram-se oito lançamentos só nas imediações do parque. Em valores absolutos, o m² de um apartamento próximo à ZI está na faixa de R$ 3,2 mil e alcança R$ 6 mil ao lado do Parque Villa Lobos.

Atrás da praça do Pôr-do-Sol, na Vila Beatriz, empilha-se a maior parte de lançamentos imobiliários. Torres de alto padrão pipocam pelas ruas Agostinho Bezerra, Isabel de Castela e Pascoal Vita, contrapondo-se ao casario que cobre a região. Mesmo com a chegada de muitos prédios, o bairro tem se mantido incólume ao agito noturno como na vizinha Vila Madalena. O agito provocado pelas áreas de comércios e de serviços fica longe das residências. Concentra-se em alguns trechos das avenidas Diógenes Ribeiro de Lima e São Guálter e em toda a extensão da Praça Panamericana

Bela Vista

Imortalizada pelos sambas de Adoniran Barbosa, a Bela Vista, ou simplesmente Bexiga, ganhou esse nome no século 18 porque a chácara pertencia ao comerciante Antônio Bexiga.

O Bexiga é entendido como um dos mais tradicionais bairros da cidade de São Paulo, embora na divisão administrativa da cidade ele não existe oficialmente como tal. É de senso comum que corresponda à região localizada entre as ruas Rui Barbosa, Nove de Julho e dos Franceses, no distrito da Bela Vista, embora sua delimitação possa ser motivo de polêmica, dependendo da fonte. Foi formado por imigrantes italianos e ganhou importância histórica e turística na capital paulista.

A origem do nome popular: de Bexiga para "Bixiga"

Por volta de 1870, Antonio José Leite Braga, decidiu lotear parte de sua Chácara do Bexiga. O loteamento foi inaugurado em 1 de outubro de 1878, com a presença do Imperador Dom Pedro II lançando a pedra fundamental de um hospital que, no entanto, jamais foi construído. Lotes pequenos e baratos interessaram aos italianos, gente pobre e recém-chegada ao Brasil, a maior parte deles vindos da Calábria.

A tradição e a religiosidade italianas, que são fortemente mantidas (especialmente a festa anual promovida em torno da Igreja Nossa Senhora da Achiropita) e as inúmeras cantinas existentes no bairro são grandes atrativos turísticos. Com o intuito de afastar o sentido pejorativo do apelido dado ao bairro (bexiga é o nome popular para varíola), seus moradores passaram a mudar a grafia de Bexiga para Bixiga.

Em 1948, o bairro encontrou sua vocação boêmia e se tornaria, definitivamente, o mais italiano dos bairros da capital. Foi nesse ano que Franco Zampari inaugurou na rua Major Diogo o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC). Depois dele vieram o Teatro Imprensa, o Oficina, o Sérgio Cardoso, o Ruth Escobar, o Paramount e todas aquelas cantinas que fazem a alegria do bairro.

Brooklin

O Brooklin surgiu de uma fazenda chamada "Casa Grande". Essa fazenda, com 174 alqueires, pertencia à família Klein, de origem alemã, que a vendeu em pequenos lotes. Estando afastado do centro o bairro cresceu auto-suficiente, progredindo dentro das suas divisas naturais, sem a ajuda nem a influência dos poderes administrativos. Na década de 70 a construção da Avenida Ibirapuera fez o milagre da interligação, unindo os bairros centrais de São Paulo ao Brooklin e Santo Amaro, que se achava ilhado entre os dois córregos.

Nessa época o Brooklin passou a ter duas divisões: o “Novo” que abriga o centro empresarial da Berrini e reúne multinacionais e grandes empresas e o “Brooklin Velho” que gaba-se de sua área verde, equivalente à do Parque do Ibirapuera. Os cobiçados eixos são separados pela avenida Jornalista Roberto Marinho, foco de ações da prefeitura.

No 1º semestre de 2004, ocorreu o primeiro leilão de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), que permitiram ultrapassar os limites de construção. A verba resultante financiou o final da Operação Urbana Água Espraiada, começando pelas pontes sobre o Rio Pinheiros. O efeito disso está sendo o surgimento de prédios ao longo da avenida, valorizando a área. Esse cenário tem atraído condomínios horizontais e está sendo acompanhado de perto pela população do Brooklin Velho, que defende a manutenção do zoneamento estritamente residencial e se preocupa com o trânsito local.

O bairro também guarda trechos sossegados, não tão longe do corre-corre dos executivos engravatados. Há uma valorizada zona estritamente residencial ao redor da Hípica Paulista – muitas ruas sem saída que terminam nela, aliás, deram origem a vilas fechadas. No entanto, a verticalização dos arredores é iminente.

Campo Belo

O bairro do Campo Belo se desenvolveu na década de 20 pela proximidade com Santo Amaro, um dos bairros mais antigos de São Paulo. Até então, era só uma parada de bonde.

Atraídos pelo sossego, alemães, ingleses e portugueses foram se instalando e construindo mansões, substituídas hoje pelos grandes empreendimentos imobiliários. É um dos bairros que tem a melhor infra-estrutura da cidade, com um comércio variado, ruas tranqüilas e ainda muitas casas térreas, além da localização estratégica, com acesso rápido às principais avenidas da cidade.

O nascimento do bairro de Campo Belo, assim como a maioria dos bairros vizinhos, Brooklin e Moema, está intimamente ligado à linha de bonde que ligava o então município de Santo Amaro à cidade de São Paulo: saía da Sé e seguia pela Liberdade, Vergueiro e Domingos de Morais, descia a Av. Rodrigues Alves e ia até Santo Amaro em linha reta pelas avenidas Ibirapuera, Vereador José Diniz e Adolfo Pinheiro. Ao longo de seu trajeto, chácaras e sítios foram loteados e a região sofreu rápida urbanização, dando origem a vários bairros.

Assim como o Brooklin, o Campo Belo nasceu da presença de imigrantes alemães na região. Em 1930 foi fundado o Grêmio Escolar Teuto-Brasileiro, na que hoje é a Rua Jesuíno Maciel. Dois anos mais tarde, o religioso alemão, Pastor Heinrich Stremme, utilizaria o local para dar nascimento à Escola Alemã, necessária devido à grande presença de integrantes desta comunidade nas redondezas.


Consolação

Consolação é um distrito da região central da cidade de São Paulo e uma das regiões históricas mais importantes da cidade. Compreende o bairro de Vila Buarque - onde está sediada a Universidade Mackenzie, além do teatro da Universidade de São Paulo e da faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia da PUC-SP - e também os bairros nobres de Higienópolis e do Pacaembu, tradicionais redutos intelectuais e de famílias descendentes dos grandes cafeicultores do início do século XX.

Por volta de 1865, a avenida da Consolação era uma pequena rua que servia de ligação da antiga cidade de São Paulo com a Estrada para Sorocaba. Onde hoje se localiza a Igreja da Consolação, se situava o fim extremo da cidade de São Paulo, marcado por uma pequena capela que oferecia apoio religioso aos viajantes. O nome é uma homenagem à Igreja Nossa Senhora da Consolação, que em 1871 já era uma grande paróquia.

Com a chegada dos barões do café, que construíram muitas mansões ao redor, a região foi mudando suas características.

Fim-do-mundo

No ano de 1854, numa divergência entre o prefeito e a Câmara Municipal com a Cúria da Igreja Católica, sobre os altos preços cobrados para os sepultamentos (que eram feitos no terreno circundante das igrejas) é determinada a construção de um cemitério municipal, que veio a se chamar Cemitério da Consolação, em terras doadas pela Marquesa de Santos. Indicativo do pequeno tamanho que São Paulo tinha naqueles dias, a localização deste cemitério foi apelidada de Fim-de-mundo e hoje ele está incrustado no centro de São Paulo.

Outro fato interessante é que o primeiro imóvel da cidade que obteve registro de propriedade ficava na Rua da Consolação, 30, no local onde hoje está a Biblioteca Municipal Mário de Andrade.


Granja Julieta

Granja Julieta é um bairro do distrito paulistano de Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, capital do Estado de São Paulo. Situa-se entre a avenida marginal do rio Pinheiros, avenida Santo Amaro e avenida João Dias. É uma bairro altamente valorizado, com muitas áreas verdes, sendo exclusivamente residencial (Z1). No Parque Severo Gomes, encontramos muitas espécies da Mata Atlântica, inclusive um córrego nativo.

Em contraponto à atmosfera tipicamente popular do centro histórico de Santo Amaro, a Granja Julieta possui casas de alto padrão e apartamentos de luxo. Na vizinha Chácara Santo Antônio, multinacionais da área de tecnologia ocupam diversas áreas, formando um dos núcleos de escritórios de alto padrão mais importante da cidade. Essas multinacionais, como Philips, Oracle, Pfizer, Deustche Bank e Schering do Brasil, começaram a chegar há cerca de 10 anos e deram um perfil moderno ao bairro, que entre os anos 30 e 50 fora industrial, impulsionado por firmas têxteis. O alto padrão da região impulsionou a construção de condomínios residenciais e de hotéis de porte, como o WTC, o Hilton, e o Haytt. A Chácara conta também com a Câmara Alemã de Comércio, Câmara Americana de Comércio, Consulado Americano e prédios da Universidade Paulista e da Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo).

Com forte presença de imigrantes europeus, como alemães, portugueses, italianos e, mais recentemente, de americanos, o bairro registra a presença de 15 a 20 mil moradores e público flutuante de 40 mil pessoas, o que totaliza um fluxo de 60 mil pessoas diariamente, segundo dados da associação de moradores.

Próximo aos Shoppings Morumbi e Market Place, casas de espetáculo Credicard Hall e Tom Brasil, o crescimento da região fez a Prefeitura de São Paulo realizar obras de ampliação na infraestrutura urbana e de transporte, como a ampliação da linha 5 do metrô e a construção da Ponte Estaiada interligando os lados da Marginal (Berrini e Morumbi) na altura da avenida Roberto Marinho.

Higienópolis

A história do bairro começa no século XVI, quando a sesmaria do Pacaembu foi doada aos jesuítas por Martim Afonso de Souza. Uma extensa área delimitada pelo caminho dos Pinheiros (Rua da Consolação), Emboaçaba (Av. Dr. Arnaldo) e pelo córrego Água Branca. Na época da doação, a região foi dividida em três lotes: Pacaembu de Cima, do Meio e de Baixo.

A partir de 1900, começaram a surgir os casarões ao longo da avenida Higienópolis, no Pacaembu do Meio. A maioria construída por barões de café, que moravam antes no bairro dos Campos Elíseos, comerciantes e industriais. Foi a partir dessa época que o bairro ganharia o nome de Higienópolis.

Poucas mansões sobraram desse período, algumas delas tombadas pelos órgãos de patrimônio histórico. A evolução urbanística, como a conhecemos atualmente, teve início no começo do século 20 e a intensa verticalização ocorreu a partir da década de 40. O primeiro período trata dos loteamentos feitos por Martinho Buchard e Victor Nothmann, na região da rua Maranhão.

Hoje, considerado um bairro residencial, Higienópolis oferece uma ampla variedade de cultura e lazer aos seus moradores e freqüentadores. Além de teatros, exposições, cinemas, palestras, entre outros, há varias instituições culturais e educacionais instaladas nos arredores do bairro. Apesar de ser uma instituição basicamente comercial, o Shopping Pátio Higienópolis, por exemplo, tem grande importância na vida dos moradores. Além da ampla rede de lojas, possui em seu espaço uma área de conveniência e lazer muito apreciado por seus freqüentadores. Em seus quatro andares de lojas e serviços, circulam variados tipos de pessoas, no entanto, predominam aquelas que representam a elite social paulistana, típica do bairro.

Além dessa ampla variedade de cultura e lazer, possui também aspectos positivos como a preservação de uma certa qualidade de vida como número de escolas de primeiro, segundo grau e universidades, hospitais, e conscientização dos moradores que vem demonstrando interesse pelos seus direitos e deveres como cidadãos, tendo interferido na história recente do bairro por diversas vezes.


Interlagos

O bairro de Interlagos está localizado na região sul do Município de São Paulo junto à margem direita da represa do Guarapiranga. Encontra-se totalmente inserido em área de proteção de mananciais e por isso mesmo possui uma ocupação rarefeita com grande permeabilidade do solo e uma cobertura vegetal expressiva. Sua formação, que de certa maneira lhe confere a vocação de bairro jardim, lhe outorga a responsabilidade de balizador nas questões de preservação ao meio ambiente.

O bairro de Interlagos tem extrema importância para a cidade de São Paulo, sendo essencial para o equilíbrio biológico e hidrológico do município. A vegetação na região cria habitats naturais que permitem uma melhor absorção da água das chuvas por meios naturais, o que supõe um progresso na gestão dos recursos da água.

Suas áreas verdes e as matas desempenham uma função importante no que se refere à redução da contaminação do ar, criando condições climáticas mais adequadas, melhorando desta forma o meio de vida na cidade.

A área residencial propriamente dita, aquela que corresponde à ZER-1 na classificação do Plano Diretor da cidade, ocupa uma área de aproximadamente 2.250.000m², com seu perímetro determinado pelas seguintes vias: Av Robert Kennedy, Rua Leonardo di Fásio, Av. do Rio Bonito, Av. Interlagos e rua Nicolau Alayon.

Itaim Bibi

A origem do nome Itaim Bibi provem de junção do nome de uma chácara e um apelido. A história do bairro começou em 1896 quando o General José Vieira de Couto Magalhães adquiriu uma extensão de 120 alqueires, que era propriedade de Bento Ribeiro dos Santos Camargo. Essas terras não tinham muito valor, pois eram inundáveis. Sua função era meramente recreativa para caça e pesca e possuía árvores frutíferas (principalmente a jabuticabeira). Embora não tivesse se casado, o general teve um filho, José Couto de Magalhães com uma índia do Pará. Em 1898, com a morte do general, seu filho herdou o local, conhecido como Chácara do Itahim.

Em 1907, o Dr. Leopoldo Couto de Magalhães, irmão do general, comprou por 30 contos de réis as terras, fixando residência no lugar. Bibi (bebê) era como as escravas chamavam o filho do médico Leopoldo Couto Magalhães, dono da Chácara Itahim. O menino cresceu e ficou o seu Bibi.

O filho de Bibi, Dr. Arnaldo Couto de Magalhães foi o responsável pelo loteamento da chácara. Na década de 20, houve o surgimento de pequenos sítios de um hectare, vendidos a italianos vindos da Bela Vista. Eles produziam verduras e legumes para o abastecimento local e dos bairros vizinhos. As terras foram vendidas e revendidas entre a década de 1920 e a década de 1950 e, com a ocupação da várzea próxima ao Rio Pinheiros, propiciou atividade a barqueiros, olarias e portos de areia, que forneciam tijolos e telhas para construções. Para diferenciá-lo do Itaim Paulista, os moradores da região passaram a referir o local como os “terrenos do Bibi” e posteriormente como Itaim Bibi.

Até a década de 30, a ocupação populacional do Itaim Bibi se restringiu ao quadrilátero formado entre o Rio Pinheiros e as atuais avenidas Nove de Julho, São Gabriel e Juscelino Kubitscheck. Depois dos anos 50, o bairro começou a enfrentar um grande crescimento, causando o desaparecimento de chácaras e sítios.

O saneamento e canalização do Córrego do Sapateiro, na década de 1970, deram origem à Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, o que valorizou o bairro. Esgotadas as áreas disponíveis em outros bairros, as imobiliárias voltaram-se então para o Itaim, fundamentalmente pela ausência de restrições impostas pelo loteamento. Ao lado e em frente aos poderosos bairros dos Jardins e Morumbi, hoje em dia o Itaim Bibi é um bairro nobre.

Jardim América

A implantação do Jardim América representou, para a cidade de São Paulo, a adoção do conceito de "cidade-jardim" como modelo máximo de qualidade de vida.

A Companhia City, fundada em 1912 com o nome de "City of São Paulo Improvements and Freehold Land Company Limited", adquiriu duas áreas de aproximadamente 960.000 m2, localizadas na antiga Chácara Bela Veneza e na Freguesia da Consolação. Eram áreas inóspitas e inundadas em boa parte do ano. Este foi o primeiro desafio que os urbanistas britânicos, Barry Parker e Raymond Unwin, contratados pela City para realizar o projeto do bairro Jardim América enfrentaram: transformar várzeas em uma área nobre.

O projeto original do Jardim América previa uma grande praça central com quatro ruas em diagonais, uma avenida principal de acesso aos lotes e 11 jardins internos que integrariam os terrenos, com suas futuras construções, através de jardins de uso comum. A idéia, entretanto, encontrou dificuldades de aceitação. Foram necessárias adaptações, fazendo com que alguns jardins passassem a ter um uso semi-público, com acessos através de vielas.

Em 1913, iniciaram-se as obras. Sua execução durou mais de 20 anos, com a conclusão somente em 1929. Protegido pelas restrições de uso do solo, criadas pela Cia. City, foram estabelecidas regras que regulamentavam o gabarito, os afastamentos laterais e recuos de fundo e de frente, o que na época consistia em procedimentos inovadores. Assim, houve longas negociações entre a empresa loteadora e a prefeitura do município, pleiteando melhorias como iluminação pública, e serviços de transporte coletivo.

A Companhia City também doou os terrenos onde se instalou o Clube Paulistano e a Sociedade Harmonia de Tênis, com o objetivo de estimular a prática de esportes. Além disso, foi cedido terreno para a construção da Igreja Nossa Senhora do Brasil. O traçado diferenciado das ruas do bairro e a grande arborização levaram o Jardim América ao tombamento pelo Condephaat. Essa medida pretende evitar sua descaracterização, preservando-o como referência de qualidade de vida urbana em São Paulo e no Brasil.

Jardim Paulista

O Jardim Paulista está limitado ao norte pela avenida Paulista, símbolo máximo da cidade, a leste pela avenida Brigadeiro Luís Antônio, ao sul pela rua Estados Unidos e a oeste pela Avenida Nove de Julho.

Tem este nome porque muitas de suas ruas foram batizadas com nomes de municípios paulistas, como Alameda Campinas, Alameda Santos, Alameda Itu ou Alameda Franca.

Planejado pela Companhia City, divide com o Morumbi o posto de região mais abastada da cidade. Muitos dos grandes empresários, grandes intelectuais e grandes políticos da cidade residem no Jardim Paulista. Algumas ruas, como a Oscar Freire, são famosas pelo comércio de alto luxo e de grifes internacionais.

Lapa

As origens da Lapa remontam aos primórdios do povoamento de São Paulo de Piratininga. A primeira notícia sobre a região é de 1581, quando os jesuítas receberam uma sesmaria junto ao Rio Emboaçava, depois chamado Pinheiros. Em 1765, toda a paragem de Emboaçava continha apenas 5 casas com 31 habitantes. A origem do nome "Nossa Senhora da Lapa"

Uma imagem de Nossa Senhora da Lapa foi levada por um morador português, que construiu um abrigo para a santa, daí a origem do nome. Com o passar do tempo, o bairro passaria a ser chamado de Lapa e, a partir de 1880, como muitas famílias do norte da Itália que se dedicavam ao plantio de frutas e verduras trouxeram influências do país de origem, o bairro seria homenageado com nomes de ruas como Roma, Coriolano e Cipião. Outros imigrantes se dedicavam ao comércio como artesãos, sapateiros e alfaiates. No final do século 19, a vidraçaria Santa Marina atraiu franceses e italianos para trabalharem na fábrica, impulsionando ainda mais o desenvolvimento dos arredores.


Moema

A região que corresponde ao bairro de Moema era uma área, segundo os primeiros documentos da região, de grandes chácaras que receberam imigrantes ingleses e alemães a partir de 1880.

Seu crescimento econômico e populacional foi lento, assim como o dos outros bairros ao seu redor. O primeiro grande loteamento aconteceu somente a partir de 1915, iniciado por Fernando Arens Júnior. Mesmo assim, em 1930, Moema contava com apenas cerca de 4 mil habitantes.

Os mais significantes sinais de crescimento aconteceram na década de 60 na gestão do prefeito Faria Lima, quando a prefeitura retirou os bondes da região, pavimentou e arborizou a então Avenida Araci (atual Avenida Ibirapuera). A população começou a crescer visivelmente na década de 70, quando a região foi aproveitada por construtoras que investiram em seu clima agradável, terrenos planos e grandes lotes de baixo custo. As novas possibilidades atraíram muitos moradores para a região em franco desenvolvimento. Em 1976 foi inaugurado o Shopping Ibirapuera, um dos maiores e mais antigos do país.

Como surgiu o nome Moema

A região de Moema não tinha esse nome até 1987. Esse foi o ano em que os moradores da região decidiram fazer um abaixo-assinado para alterar o nome do bairro, até então chamado de Indianópolis - que não era muito bem aceito pela população -. O prefeito da cidade no período, Jânio Quadros, atendeu ao pedido dos moradores e o bairro (atualmente distrito) passou a ser chamado de Moema desde então. Entretanto, dois dos bairros que formam o distrito ainda possuem a antiga designação em seus nomes, Moema e Indianópolis

Morumbi

No início do século 19, o bairro do Morumbi era uma imensa fazenda com mais de 700 alqueires, localizada muito longe da cidade de São Paulo. O nome "Morumbi" surgiu do tupi e, apesar de haver controvérsias, acredita-se que significa "morro ou colina alta". Muitas lendas cercam a história da antiga Fazenda Morumby. Algumas dizem que o rei Dom João VI deu aquelas terras de presente para o inglês John Rudge em 1825.

Do passado distante ainda resta a Casa da Fazenda Morumbi, um casarão construído em 1813 pelo regente do império, padre Antônio Feijó. Hoje restaurada, funciona como local de eventos e restaurante, podendo ser visitada. Bem próximo ao casarão está uma capela que ainda conserva paredes de taipa daquela época. Ninguém sabe ao certo a origem dessa capela. Para alguns, foi criada em homenagem a São Sebastião dos Escravos. Outros dizem que a capela seria usada como sepultura para os proprietários da fazenda, um ato comum numa época em que ainda não existiam cemitérios.

Vários foram os proprietários da fazenda do Morumbi e, conseqüentemente, as terras acabaram sendo divididas em diversas chácaras. Predominantemente rural, o bairro somente começou a se desenvolver a partir de 1940 com a expansão da cidade para o sudoeste. Na época, o sucesso de venda do Jardim América valorizou a região e a Companhia Imobiliária Morumby iniciou a comercialização de lotes da grande fazenda. Os terrenos eram vendidos com uma condição: não criar áreas comerciais ou edifícios. As famílias com alto poder aquisitivo logo se mudaram para o novo bairro e o tornaram em sucesso de vendas.


Perdizes

Situado entre o Pacaembu e a Pompéia, Perdizes é um bairro predominantemente residencial com uma grande oferta de serviços de boa qualidade: escolas Pentágono, São Domingos, Batista e Santa Marcelina, a faculdade PUC, teatros Tuca e Tuca Arena, bancos, supermercados, parques. É frequentado por um público classe média alta e alta, profissionais liberais e estudantes que buscam qualidade de vida, sem abrir mão do conforto.

Arborizado na década de 1940, Perdizes oferece maior qualidade de vida a seus moradores e ruas agradáveis com ótimo micro-clima. O Parque da Água Branca é uma das áreas verdes mais importantes da cidade, com mais de 3 mil espécies de plantas.

Curiosidade histórica

Segundo o historiador Antônio Egidio Martins, no local onde hoje se encontra o bairro de Perdizes residia em 1850 um vendedor de garapa chamado Joaquim Alves. Sua enteada, Teresa de Jesus Assis, foi uma senhora dedicada à criação, no quintal de sua casa, de grande quantidade de aves. Para se referirem à região, os moradores da provinciana São Paulo da época diziam: "nos campos das perdizes", "lá onde há perdizes", "nas perdizes", e assim foi até o nome pegar.

Pinheiros, depois Jardins

A região de Pinheiros é considerada pela grande maioria dos historiadores como o primeiro bairro de São Paulo, tanto por suas origens indígenas quanto portuguesas.

Após a chegada dos jesuítas ao planalto que originaria a cidade de São Paulo, um grupo indígena se instalou às margens do Rio Grande, que posteriormente ficaria conhecido como rio Pinheiros. A maior parte da tribo ficava no atual Largo da Batata, um local protegido das habituais inundações das margens do rio. Essa região habitada pelos indígenas tornou-se uma vila conhecida como Farrapos, e para a catequese dos índios foi erguida uma igreja com o nome de Nossa Senhora da Conceição.

A área de Pinheiros àquela época correspondia ao território que se estende desde o Butantã até parte do Pacaembu. Pertencia a uma sesmaria doada por Martim Afonso de Sousa a Pedro Góes em 1532 e que, a partir de 1584 passou a pertencer a Fernão Dias Paes. Este último foi um dos responsáveis pela expulsão provisória dos jesuítas do local, pois como bandeirante não concordava com a postura jesuíta contra a escravização dos índios.

A vila indígena que restou passou a ser conhecida como Aldeia dos Pinheiros e ficava isolada da vila paulistana devido à topografia da região.

Com a consolidação da cidade de São Paulo como maior centro econômico e financeiro do país, o distrito de Pinheiros teve algumas de suas áreas escolhidas pela elite mais rica da cidade para fixar residência. Do destrito de Pinheiros foram desmembradas as áreas onde hoje correspondem aos atuais bairros Jardim Europa e Jardim Paulistano, que junto ao distrito vizinho do Jardim Paulista, forma a região conhecida como Jardins, reduto de boa parte da classe mais abastada da cidade.

Vila Madalena

A Vila Madalena nasceu Vila dos Farrapos. Era uma parte de Pinheiros, uma extensa região que se espraiava, nos inícios da ocupação de São Paulo, desde a várzea do Rio Pinheiros até o espigão da Paulista.

No século XVI, a Vila dos Farrapos era habitada por indígenas que haviam abandonado a parte central da cidade depois da instalação dos jesuítas e do colégio, em 1554. Os morros e planaltos de Pinheiros eram cortados pelo Córrego do Rio Verde, que nascia perto da rua Oscar Freire e desaguava no Rio Pinheiros. As localidades do lado oeste do córrego, onde hoje está a Vila Madalena, chamavam-se, já no início de nosso século, Sítio do Rio Verde.

Alguns antigos moradores da Vila Madalena contam que o proprietário das terras era um português. Ele tinha três filhas: Ida, Beatriz e Madalena, que deram origem aos nomes dos atuais bairros da Vila Beatriz, Vila Ida e Vila Madalena. Entretanto, a história faz parte da memória oral dos habitantes da Vila.

Em 1910, a Light, uma das principais empresas urbanizadoras de São Paulo, assim como a City, anunciou a construção de uma linha e de uma estação de bondes na região da Vila Madalena. Nessa época, as ruas eram de terra, sem iluminação, com acesso precário, de suas ladeiras íngremes e pequenos córregos. Sem dúvida, a chegada do bonde traria melhoramentos urbanos para a Vila Madalena. Foram chegando e fixando-se na região, então, diversos motorneiros, padeiros, açougueiros, sapateiros, pedreiros do cemitério, servidores públicos, quase todos de origem portuguesa.

A partir dos anos 80, começaram a surgir bares e uma série de negócios incrementados (galerias de arte, ateliês e lojas de grife), tornando a Vila Madalena um nicho para lançamentos imobiliários de alto padrão para pessoas descoladas e alternativas com poder aquisitivo elevado, como artistas e intelectuais.

Vila Mariana

Registros históricos estabelecem o ano de 1782 como o início da formação do bairro de Vila Mariana, quando Lazaro Piques recebe do Presidente da Província, Dr. Francisco Cunha de Menezes, a doação das terras de uma Sesmaria localizada entre o Riacho do Ypiranga e a estrada do Cursino, região conhecida como "Ypiranga de Cima".

A Sesmaria era cortada, por caminhos importantes, tais como: "Estrada Vergueiro", para Santos, "Caminho de carro para Santo Amaro", "Caminho para Sorocaba", "Caminho de Pinheiros" entre outros.

Em um ponto na margem do "Caminho de carro para Santo Amaro" (atual Rua Afonso Celso), existia um local com cruzes em sua margem. Este local e arredores passou a ser conhecido como "Cruz das Almas". Em 1878 o Imperador D.Pedro II emite um Decreto, para assentar na região de "Cruz das Almas" 20 famílias de imigrantes italianos. Em função deste assentamento de imigrantes, o local passou a ser conhecido como "Colônia", designação que permaneceu até 1884 quando surge o nome "Vila Mariana".

A origem do nome Vila Mariana surge porque na época era costume italiano usar-se na frente das casas uma placa com a designação inicial "Vila", seguido do nome da matriarca, ou da família que ali residia. Assim na residência que se localizava o começo da "Colônia" lia-se a placa "Vila Mariana". Como o local era descampado e ermo, as pessoas passaram a utilizar a residência de "Vila Mariana" como referencia.

Em 25 de janeiro de 1885 uma Ata Da Assembléia Legislativa Provincial de São Paulo, faz a menção do nome do local como "Vila Mariana", sendo o primeiro documento oficial constando o nome do bairro.

Vila Olímpia

Originalmente, a Vila Olímpia e o Itaim faziam parte da propriedade do General Leopoldo Couto Magalhães, desmembrada por seus herdeiros em lotes, pequenas chácaras de um hectare, vendidos a pequenos agricultores e comerciantes.

Na década de 70, a Vila Olímpia encontrava-se consolidada como um bairro de classe média e ocupação mista. Em 1986, a iniciativa privada apresentou à Prefeitura, sob administração de Jânio Quadros, um projeto do arquiteto Julio Neves, intitulado Boulevard Zona Sul, como solução viária para desafogar o trânsito do setor sudoeste da cidade, alongando-se a Avenida Faria Lima até a Hélio Pelegrino.

Os efeitos da Operação Urbana Faria Lima e das obras viárias realizadas nas proximidades do bairro deflagaram a voracidade do mercado imobiliário. Logo após a inauguração dos últimos trechos da nova Av. Brig. Faria Lima, em 1997, artigos de jornais chamavam a atenção para o aumento na procura por imóveis na Vila Olímpia.

Torres comerciais envidraçadas foram substituindo antigos sobrados e galpões da Vila Olímpia, repetindo o conceito responsável pela ocupação rápida e economicamente bem sucedida dos edifícios da construtora Bratke & Collet, na região da Av. Eng. Luis Carlos Berrini: suprir a escassez de espaços destinados a pequenas empresas e profissionais liberais que não têm interesse ou condições de pagar os altos preços cobrados na região da Avenida Paulista.

Atraídas pelas soluções tecnológicas e especificações técnicas de última geração, além de flexibilidade espacial dos novos edifícios, as empresas pontocom e as agências de publicidade vieram se estabelecer no bairro A fase seguinte é caracterizada pela intensa verticalização, valorização fundiária e adensamento. Dezenas de edifícios comerciais foram erguidas. Terrenos que, em 1990, valiam cerca de U$ 50,00/m², são, hoje, comercializados a U$ 2.000,00/m².

Vila Nova Conceição

Tranqüilo, discreto, seguro, sofisticado, predominantemente residencial e repleto de belas árvores. Assim é o charmoso bairro da Vila Nova Conceição, na definição de todos que ali convivem.

A Vila cultiva, no entanto, seu refúgio particular. A praça Pereira Coutinho, localizada no coração do bairro, une passado e futuro, antigos e novos moradores. É o espaço público democrático que reúne a classe média que aqui chegou há cerca de 50 anos e a classe alta atraídos por imponentes projetos imobiliários. Como toda praça, ela guarda histórias curiosas. É o que garante Ademar Damasceno, 70 anos, dono da banca de revistas mais visitada do bairro e, não por acaso, estrategicamente localizada no centro da famosa pracinha há exatos 18 anos.

Arborizada em toda a sua extensão, a área é uma verdadeira quitanda a céu aberto. Ademar dá cinco passos para fora da banca e começa a apontar, uma a uma, todas as árvores frutíferas dali. "Esta árvore dá caju, essa outra aqui é de jabuticaba, aquela outra tem abacate. Dizem que quem plantou todas elas foi um japonês, mas nunca chegamos a conhecê-lo." E a lista continua: castanha-do-pará, jambo, araçá-do-campo, jaca, coquinho, manga, amora...

A história do bairro é contada por outros antigos moradores, como os irmãos Haroldo e Luiz Scarabichi, que vivem ali há quase 60 anos. Eles contam que antes de se chamar Vila Nova Conceição, a área era chamada de Chácara Maria e se constituía basicamente de uma zona rural ocupada por chácaras onde eram cultivados gêneros hortifrutigranjeiros para abastecer a cidade de São Paulo. Boa parte dessa produção era escoada através do comércio gerado pelo antigo matadouro da Vila Mariana, próximo da avenida Sena Madureira. A rua Bastos Pereira, onde fica a casa em que nasceram, chamava-se rua do Gado, era de terra e por ela passava a boiada que ia pastar no local onde existe o Parque do Ibirapuera - transformado em parque e inaugurado em 1954. Antes disso, a região do Ibirapuera era uma área de chácaras e pastagens, destinada tanto a bois e vacas que seguiam para o Matadouro Municipal quanto aos animais que puxavam os carros do Corpo de Bombeiros da cidade.

Avenida Paulista

A famosa Avenida Paulista se tornou ícone máximo dos paulistanos. Como um dos pontos turísticos mais característicos da cidade, sua grandiosidade diferencia São Paulo das outras cidades do Brasil e do mundo. Difícil é imaginar que a região, em meados de 1782, era apenas uma grande floresta, chamada pelos índios de Caaguaçu (em tupi "mato grande"). Era ali, atravessando o "Sítio do Capão", que a "Estrada da Real Grandeza" cortava a vegetação grossa por uma pequena trilha. Quando o engenheiro uruguaio Joaquim Eugênio Borges, juntamente com dois sócios, compraram a área, começaram a trabalhar na sua urbanização de forma inovadora, criando grandes lotes residenciais.

Em 8 de dezembro de 1891, foi inaugurada a primeira via a ser asfaltada e a primeira a ser arborizada. A população da cidade não passava de cem mil habitantes quando se fez a Avenida Paulista. Seu desenvolvimento prosseguiu com a inauguração do "Parque Villon", em 1892, que anos mais tarde foi mudado para "Siqueira Campos" e em seguida "Parque Trianon", como permanece até hoje. Sua área verde é remanescente da Mata Atlântica, possuiu espécies nativas e diversas esculturas.

Em 1903, empresários paulistas fundaram o Instituto Pasteur de São Paulo, instalado no mesmo edifico até hoje. O Sanatório Santa Catarina, primeiro hospital particular da cidade, foi construído em 1906. Atualmente, a região abrange um dos maiores complexo hospitalares do mundo (Hospital das Clínicas).

Na década de 50, as construções residenciais, com seus estilos variados, começaram a ceder lugar aos edifícios comerciais. Um dos marcos da arquitetura moderna foi a inauguração do Conjunto Nacional, em 1956.

A região atraiu muitos investimentos por estar bem localizada e por possuir grande infra-estrutura. Todo esse interesse consolidou a Avenida como o maior centro empresarial da América Latina.

Além da vocação econômica, a Avenida oferece uma rica variedade de programas culturais. O Masp - Museu de Arte Moderna Assis Chateaubriand - inaugurado em 1968, possui o acervo da arte ocidental mais significativa dos países latinos. A Casa das Rosas foi concebida em 1953 por Ramos de Azevedo nos padrões do classicismo francês. A galeria de arte hoje é tombada por seu valor histórico. Essas pérolas culturais e tantos outros cinemas, teatros, centros culturais e cafés instalados na Paulista garantem um passeio repleto de opções.

Cidade Jardim - Conceito

Cia. City revolucionou o urbanismo brasileiro com a introdução do conceito da cidade-jardim. Tratava-se, então, de um modelo inovador em todo o mundo, que havia sido colocado em prática principalmente na Inglaterra, onde a chamada 2ª Revolução Industrial transformou cidades como Londres e Manchester em lugares caóticos. Esse caos era impossível de ser contido pelo modelo urbano dominante, que caracterizava cidades com um único centro, ruas em traçados quase sempre quadriculares, que não levavam em conta a topografia dos terrenos nem deixavam espaço para o verde ou a convivência social.

Em contraposição a este modelo, surgiu o conceito de cidade-jardim. Criado a partir das teorias do inglês Ebenezer Howard, ganhou notoriedade com dois arquitetos também ingleses Raymond Unwin e Barry Parker, que desenvolveram Letchworth, a primeira cidade-jardim da história, e Hampstead, subúrbio londrino onde o modelo urbanístico foi aplicado com sucesso.

Barry Parker foi trazido ao Brasil pela Cia. City para criar o primeiro bairro-jardim do país, o Jardim América. Em seguida, ele projetou o Pacaembú, situado também na cidade de São Paulo.

A rigor, os bairros construídos de acordo com os preceitos da cidade-jardim propunham-se como núcleos independentes do centro tradicional da cidade, onde os habitantes pudessem viver de forma autônoma e integrada. A cidade-jardim buscava criar um ambiente em que o campo e a cidade se unissem, formando um todo harmônico. Na prática, isso significava bairros onde:

  • O traçado das vias adequava-se à topografia do terreno, criando ruas sinuosas, de assimetria orgânica;
  • Jardins eram projetados tanto nos terrenos particulares quanto nos espaços públicos, aproveitando ao máximo a vegetação nativa e adequando-se à paisagem natural da região, além de diminuir a impermeabilidade do solo (característica dos centros urbanos que implica em sérios problemas ambientais);
  • Havia variedade de modelos de casas, todas construídas com determinada distância umas das outras e com amplo recuo frontal;
  • As edificações seguiam determinados padrões que não poderiam ser mudados ao longo do tempo, protegendo assim os bairros de descaracterizações futuras;
  • Os espaços para o lazer e a prática de esportes eram fundamentais e previstos no projeto, pois promoviam a integração social entre os habitantes;
  • Áreas destinadas ao comércio e serviços eram planejadas de forma a facilitar o acesso e a autonomia dos moradores.

Hoje em dia todos estes princípios continuam vivos e são a base dos projetos que a Cia. City desenvolve. A eles, entretanto, a empresa tem agregado conceitos mais recentes, atualizando a cidade-jardim, já tropicalizada.

Na evolução, os Bairros City procuram resgatar a convivência urbana. Projetados com adensamento demográfico crescente dos extremos para o centro, eles permitem que perfis diferentes de pessoas encontrem seu melhor espaço dentro da mesma região. Os Bairros City reproduzem, assim, o conceito de pequenas cidades, habitadas por comunidades que valorizam a diversidade.

Nesse desenho, as distâncias são calculadas tendo como referência a escala humana, valorizando assim o pedestre e o transporte cicloviário, o que na prática significa a integração entre a população e seu espaço urbano.

O respeito à natureza local é outro aspecto relevante, tanto como forma básica de preservação ambiental, quanto como solução eficaz no escoamento das águas pluviais, evitando os problemas trazidos pela excessiva impermeabilização do solo característica das grandes cidades. Além disso, o design - por meio da comunicação e de outras manifestações visuais nos espaços - aparece como fator decisivo no planejamento dos bairros. O nome e a marca do bairro, a sinalização das ruas e a estética do mobiliário urbano configuram-se como recursos fundamentais para a criação da identidade daquela região, o que atrai e diferencia seus moradores, reforçando o sentimento fundamental de pertencer a uma comunidade, a um determinado lugar.



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