“O Brasil não está numa situação de dominância fiscal”, afirmou o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, em discurso no almoço anual da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). A uma plateia de banqueiros, Tombini afirmou que os desequilíbrios fiscais estão sendo corrigidos com “um importante processo de consolidação fiscal” e o BC “tem conduzido sua política monetária de forma autônoma e continuará a fazê-lo para trazer a inflação de volta à meta”. Ainda assim, o presidente do BC fez questão de destacar que o reequilíbrio da economia brasileira depende do ajuste fiscal.

Tombini classificou o ajuste fiscal como “crucial e imprescindível” e que a demora em sua implementação comprometeu a convergência da inflação para a meta em um futuro mais próximo. Ele reiterou o compromisso do BC de trazer a inflação o mais próximo possível para o centro da meta no próximo ano e para a meta de 4,5% em 2017. “O Banco Central não limitará as suas decisões pelos possíveis impactos fiscais de suas decisões”, afirmou Tombini. Ele citou que o ajuste dos preços administrados ao longo de 2015 irá contribuir para a queda na inflação desses preços em 2016.

Tombini também vinculou as conquistas sociais dos últimos anos ao sucesso do ajuste fiscal. Segundo ele, ”não há como assegurar a sustentabilidade das conquistas econômicas e sociais alcançadas até agora se não houver confiança de que o Estado será capaz de honrar seus compromissos sobretudo num horizonte de médio e longo prazos”, afirmou.

Segundo ele, os desequilíbrios atuais na área fiscal não são permanentes e não são vistos como tal. O presidente do BC citou a perspectiva de elevações do superávit primário e redução do déficit nominal ao longo dos próximos anos.