A Atvos, segunda maior produtora de etanol do país, controlada pela empreiteira Odebrecht, entrou ontem com pedido de recuperação judicial na Justiça do Estado de São Paulo. A empresa tem uma dívida estimada em R$ 12 bilhões, dos quais R$ 4,1 bilhões devidos ao BNDES, R$ 3,8 bi ao Banco do Brasil, R$ 530 milhões com a Caixa Econômica Federal, R$ 390 milhões com o Itaú e R$ 260 milhões com o Bradesco.

O objetivo, segundo a empresa, é “preservar suas operações, garantir equilíbrio financeiro e, principalmente, reforçar seu compromisso com os mais de 10 mil empregados, suas famílias, comunidades, parceiros, fornecedores e clientes”.

Segundo a Atvos, o pedido foi resultado da “investida hostil de um fundo internacional, credor da Atvos, que por meio de processo judicial colocou em risco as operações da empresa”.

“Ao utilizar essa medida legal, a Atvos viabiliza um ambiente seguro e estável para o equilíbrio de suas contas objetivando alcançar a sua capacidade máxima de produção nos próximos anos”, diz a companhia.

Ao longo dos seus mais de 11 anos de atuação, a Atvos atualmente é responsável por 10% do abastecimento de etanol no mercado brasileiro. A empresa gera mais de 40 mil empregos diretos e indiretos em quatro estados brasileiros (São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás). Na safra 19/20, possui expectativa de moer cerca de 27 milhões de toneladas de cana, suficientes para produzir 2,1 bilhões de litros de etanol, 237 mil toneladas de açúcar VHP e gerar 2,9 mil GWh de energia elétrica.

Após o deferimento do pedido pelo Poder Judiciário, a Atvos tem 60 dias para apresentar a primeira versão do plano de recuperação judicial.