Existe lógica no mercado financeiro! – e você pode lucrar com isso mesmo nas crises

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Para quem já investe há um tempo, as grandes oscilações no mercado financeiro já não assustam tanto assim, mas certamente ainda causam uma remexida. Porém, se você começou a investir recentemente, é bem provável que a pandemia tenha sido seu primeiro grande desafio para se manter firme no propósito. Aqui também vale a dica dos 3Fs que você aprendeu lá na academia: Força, Foco e Fé. Vamos adicionar só mais um F nessa conta para poder te ajudar a passar por isso de um modo melhor, e não é um F de Financeiro, e sim de Fórmula.

Na verdade, a intenção era falar Lógica ou ainda Estatística e Conhecimento, mas não casaria bem com os outros 3Fs, então, para não perder a correlação, criamos a Fórmula, e ela nada mais é do que justamente o que fizemos agora.

Oi??? Como assim? Calma que a gente explica.

Relacionando nosso quarto F aos outros 3Fs, geramos um conjunto que pode produzir resultados ainda mais consistentes e efetivos. No mercado financeiro também existe essa ideia de correlacionar uma coisa com a outra não só para encontrar um significado maior do mercado, mas também para poder trabalhar em cima disso e, claro, lucrar mais.

Já percebeu que quando lá nos EUA o dólar perde de leve sua força o povo todo sai comprando ouro? Isso é correlação, e é essa também a nossa Fórmula lógica estatística que vamos te ensinar. Em 2020, por exemplo, devido à pandemia e todas as incertezas econômicas derivadas disso, todos os países ficaram envoltos em uma nuvem de dúvidas sobre o futuro, mas a única certeza que se tem é que ouro é algo escasso, não é mesmo? É por isso que o ouro costuma se valorizar em períodos conturbados, sendo a luz reluzente no fim do túnel escuro das crises. O ouro foi em 2020 o investimento mais rentável, com valorização de 49% já descontada a inflação. Enquanto isso, o dólar subiu 23%.

Portanto, podemos dizer que existe uma correlação, ou seja, há uma força de relação entre os dois ativos – no caso o dólar e o ouro. Porém, precisamos especificar isso ainda mais. Essa é uma correlação negativa (para os matemáticos de plantão: A + B = -1).

Opa, mas se uma coisa tem a ver com a outra significa que a correlação é negativa? Não deveria ser positiva?

Na verdade não é bem assim. Perceba melhor o que ocorre entre o dólar e o ouro, que são nossos exemplos aqui. Se o dólar cai (-), o ouro sobe (+), portanto existe um movimento contrário, inverso, uma assimetria.  O mesmo acontece entre o dólar e o nosso Ibovespa, e isso é ainda mais fácil de entender, afinal, quando as coisas não andam muito bem em esferas políticas, econômicas e sociais no nosso mercado doméstico, os investidores correm para se proteger adquirindo a moeda norte-americana e o Ibovespa cai.

Ah, agora viu valor em acompanhar a cotação do dólar, não é? Muita gente não se atenta a isso, dá de ombros e prefere dizer “O Kiko tenho a ver com isso?”, em vez de aproveitar a chance para associar (ou correlacionar) tudo aos seus investimentos. Quando disponibilizamos diariamente o Fechamento Dólar, isso não é por acaso. Fica a dica!

=> Veja a matéria Você Pode Estar Perdendo Dinheiro e é Tudo Culpa Do Kiko! 

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Bacana, não é?

Fica ainda mais legal conhecer o oposto disso, que seria a correlação positiva (A + B = 1). Ora, se na correlação negativa o resultado da força entre os dois ativos resulta em um movimento oposto, agora essa ligação tem simetria, ou seja, segue na mesma direção. É o caso, por exemplo, do nosso Tesouro Selic, que se baseia, como o próprio nome diz, na taxa Selic. Portanto, qualquer alteração na taxa básica de juros vai impactar inevitavelmente o retorno desses títulos. E no caso do Tesouro IPCA? Mesma coisa, existe uma correlação positiva entre a variação do índice IPCA e o desempenho do título lastreado a ele.

Porém, ampliando um pouco o olhar e fazendo um parêntese de um parágrafo aqui, temos que uma alta ou baixa na Selic é o que também vai se refletir no Ibovespa. Isso porque uma taxa de juros mais alta incentiva que os investidores olhem ainda mais para a renda fixa, enquanto a baixa dos juros torna o mercado de ações, ou seja, de renda variável, mais atrativo. Nesse caso temos, então, a correlação negativa entre o Ibov e a Selic.

Mas vamos voltar aos exemplos de correlação positiva: se você investe em fundos de índices (como o BOVA11), seu rendimento logicamente também vai acompanhar o desempenho desses índices, então temos uma correlação positiva aí entre o fundo e o índice. O mesmo com nossos 3Fs do início desta matéria que se tornaram 4Fs: a relação entre eles é bem positiva, motivadora até.

Agora, o que também existe é a chamada correlação neutra (A + B = 0), ou descorrelação. Significa que teoricamente a alta ou baixa em um ativo não vai impactar em outro – dizemos “teoricamente” porque praticamente tudo tem correlação quando se trata do mercado financeiro. A alta do petróleo, por exemplo, não vai incidir nas empresas que não precisem diretamente da commodity para seu processo produtivo e comercial. Portanto, não existe uma correlação, uma força que ligue os dois, e o desempenho deles será independente um do outro.

Setores também podem ser vistos com base nessa lógica?

Você pode se surpreender, mas não apenas setores como empresas entram na dança da correlação. Mas, antes de falar mais sobre isso, vamos recapitular, porque agora a Fórmula de Correlações ficou simples, certo?

  • Se quando A sobe B desce (ou vice-versa), então temos uma correlação negativa (-1).
  • Se A sobe e B acompanha, vemos a correlação positiva entre os ativos (+1).
  • Agora, se A sobe ou desce, mas nada muda em B, então a correlação é neutra (0).

Hora da prova real, pegando um exemplo simples, porém o mais atual: a Selic subiu recentemente depois de ter sido mantida em baixas históricas por bastante tempo. Quais setores se correlacionam positiva e negativamente com isso?

De modo positivo entram aqueles que mais se beneficiam, como ficou evidente entre os exemplos que demos anteriormente. No caso, temos os bancos e as seguradoras. Isso porque os bancos passam a cobrar um prêmio maior para realizar empréstimos e conceder créditos, enquanto as seguradoras normalmente fazem muito investimento em renda fixa, que está atrelada aos juros.

=> Veja a correlação positiva e negativa de muitos outros setores com a alta da Selic. 

E quais seriam os setores com correlação negativa à Selic? O varejo é um deles, afinal os juros mais altos fazem com que as pessoas precisem aumentar as despesas com créditos, o que diminui a renda disponível para outros gastos. Outro setor que também segue esse comportamento é o imobiliário. Como a alta da Selic faz os financiamentos encarecerem, vemos uma redução da tomada de empréstimos e ainda um aumento da inadimplência, o que prejudica as empresas ligadas a esse setor.

Opa, percebeu que chegamos ainda mais longe agora? Nossa Fórmula de Correlações também lança uma ideia sobre as empresas, portanto tem tudo a ver com o seu portfólio ou carteira de ações, com a sua cesta de ovos de ouro. E, é claro, vai impactar até mesmo seus rendimentos. É por isso que o mantra para todo e qualquer investidor é o mesmo, não importa sua geração, quanto investe nem como aplica seu rico dinheirinho: diversifique! Diversifique! Diversifique!

Mais prova real

Agora que aprendeu tudo isso, com certeza já está tentado a sair correlacionando tudo o que se refere ao mercado financeiro, sejam indicadores, índices, câmbio, commodities, setores, empresas… Por isso, temos só mais alguns exemplos para frisar ainda melhor os conceitos.

Vamos lá: Petrobras (PETR3 e PETR4) e Cotação do Petróleo Brent = correlação positiva, negativa ou neutra?

Total positiva. Se o preço do petróleo tipo Brent no cenário internacional sobe ou desce, a Petrobras acompanha, afinal é com base nele que ela determina os preços. E isso pode ser tirado do mercado de ações que continua fazendo sentido. É só pensar nas altas recentes do combustível realizadas pela Petrobras, que altera os preços de comercialização conforme a oscilação do Brent no mercado internacional. Inclusive a interferência na presidência da estatal neste ano é fruto dessas altas constantes. O presidente Jair Bolsonaro não curtiu o repasse de alta dos preços visto nos postos de gasolina Brasil afora, já que isso afeta a categoria de caminhoneiros, que foi sua aliada na candidatura. Portanto, mexeu na diretoria da companhia – e a correlação positiva da Petrobras com o Brent acabou se tornando negativa entre ela e o governo. Agora você já sabe.

Mais uma para testar seus conhecimentos: quais empresas têm correlação positiva com o preço do minério no mercado internacional?

Vale (VALE3), Gerdau (GGBR3 e GGBR4) e CSN (CSNA3), por exemplo, já que são grandes exportadoras e, portanto, dependem do preço dos insumos para balizar a comercialização. Assim, elas sobem igual foguete com a alta do minério, mas caem que nem pedra na baixa da commodity.

Aproveitando que falamos de exportadoras, quais empresas têm correlação negativa com a alta do dólar?

A própria Vale (VALE3) pode sentir um reflexo negativo da alta do dólar devido às dívidas na moeda norte-americana, bem como as já citadas CSN (CSNA3) e Gerdau (GGBR3 e GGBR4). É o caso também de Suzano (SUZB3), Klabin (KLBN11), Usiminas (USIM3) e tantas outras. Portanto, perceba que tudo depende do ponto de vista levantado. Elas podem até faturar mais porque têm produção com retorno em dólar, porém a dívida também é alta na moeda.

=> Veja 20 empresas que podem se beneficiar da queda do dólar. 

A correlação é uma medida estatística, mas você pode também chamar de Fórmula, de lógica, de conhecimento agregado, do que preferir. O importante é entender tudo e se correlacionar positivamente com o conteúdo, usando as informações a seu favor!

Quais outras correlações você conhece sobre ativos, setores e o mercado financeiro? Conta aqui embaixo para a gente e aproveite também para compartilhar este conteúdo com seus amigos, afinal correlação é quase assunto de utilidade pública quando se trata de investir. Continue sempre se correlacionando positivamente com a ADVFN, aproveite e ótimo$$ investimento$$!

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