Indicadores econômicos da Alemanha reforçam sinais de desaceleração e aumentam debates sobre trajetória da maior economia da zona do euro.
A sexta-feira (29/08) foi marcada por uma bateria de indicadores na Alemanha. Logo às 03h00, foram divulgados os preços de bens importados e as vendas no varejo de julho, ambos abaixo das projeções. Às 04h55, a taxa de desemprego de agosto trouxe alívio, com queda maior que o esperado no número de desempregados. Já às 09h00, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de agosto veio levemente acima das estimativas. O conjunto de dados trouxe um misto de pressões inflacionárias e sinais de enfraquecimento no consumo, mas o índice DAX (DBI:DAX) encerrou o dia em leve alta de 0,06%, em movimento cauteloso.
Preços de Bens Importados
Os preços de bens importados caíram -0,4% em julho, abaixo da projeção de -0,3% e revertendo a estabilidade do mês anterior. Na comparação anual, a queda foi de -1,4%, em linha com o registrado anteriormente, mas ainda mostrando retração. Essa desaceleração sugere algum alívio no repasse inflacionário vindo de fora, o que geralmente reduz pressões no câmbio e pode abrir espaço para estabilidade nos juros de longo prazo.
Vendas no Varejo
As vendas no varejo decepcionaram em julho: queda mensal de -1,5% frente à projeção de estabilidade (0,0%) e após crescimento de 1,0% em junho. No comparativo anual, houve avanço de 1,9%, mas abaixo da expectativa de 2,6% e também menor que o 2,4% do mês anterior. O dado reforça a fraqueza do consumo interno, fator que pesa sobre o crescimento e tende a pressionar as ações ligadas ao setor doméstico.
Mercado de Trabalho
A taxa de desemprego permaneceu em 6,3% em agosto, em linha com a projeção e com o resultado anterior. Porém, a variação no número de desempregados surpreendeu positivamente: -9 mil, contra expectativa de alta de 10 mil. Esse movimento mostra resiliência do mercado de trabalho, que continua sendo um pilar de sustentação para a economia alemã. Para investidores, dados mais fortes de emprego costumam sustentar confiança no consumo futuro, mas também podem manter o BCE atento a pressões inflacionárias.
Inflação (IPC)
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,1% em agosto na comparação mensal, acima da projeção de estabilidade e após alta de 0,3% em julho. No acumulado anual, a inflação acelerou para 2,2%, superando as estimativas de 2,1% e o 2,0% anterior. O IPC Harmonizado (HICP), que segue critérios da União Europeia, também avançou 0,1% no mês e 2,1% no ano, ambos acima das projeções. Esse cenário reforça que as pressões inflacionárias seguem vivas, o que costuma pesar sobre os títulos públicos e manter cautela entre investidores de renda fixa.
Reação do Mercado
Na manhã desta sexta-feira (29/08), às 10h30, o DAX (DBI:DAX) operava a 24.058,68 pontos, em leve alta de 0,06%. Já no câmbio, o euro recuava frente ao dólar, cotado a EUR/USD (FX:EURUSD) em 1,1662 (-0,17%), refletindo a combinação de inflação levemente acima do esperado com sinais de desaceleração no consumo. Frente ao real brasileiro, o euro (FX:EURBRL) estava estável em 6,3251.
Acompanhe a divulgação em tempo real de todos os indicadores econômicos globais na página da ADVFN: Agenda Econômica.