Com contrato com a Betano acima de R$ 268 milhões anuais, Flamengo redefine patamar de mercado e força clubes a sofisticar suas plataformas comerciais.

O acordo do Flamengo não é apenas um recorde financeiro: ele cria um novo teto de patrocínios no Brasil. Até aqui, os contratos mais valiosos giravam em torno de R$ 100 milhões por temporada. A cifra rubro-negra mais que dobra esse patamar, colocando o clube carioca próximo ao top-10 global em valores de patrocínio de camisa.

Para os rivais, a mensagem é clara: não basta pedir mais dinheiro, será preciso entregar contrapartidas sofisticadas. Isso inclui inventário de mídia digital precificado por audiência real, programas de fidelidade, licenciamento de produtos em escala e métricas de performance que comprovem retorno para patrocinadores.

Na Europa, clubes como o Paris Saint-Germain e o Manchester City construíram portfólios de patrocínios segmentados por região, setor e tipo de ativação. No Brasil, esse modelo ainda é incipiente. O contrato Flamengo–Betano mostra que há espaço para quem souber organizar sua plataforma comercial.

O impacto tende a ser imediato: marcas que desejam projeção nacional e digital precisarão repensar onde investir, e os clubes terão que mostrar resultados concretos para justificar cifras elevadas.

Um novo teto de mercado

A verba anual de aproximadamente R$ 268,5 milhões é 2,6 vezes a de rivais de topo e coloca o Flamengo próximo do top-11 global em patrocínios máster, atrás apenas de europeus. Mercado entende como reprecificação com exigência de contrapartidas: CRM, inventário digital, conteúdos e vendas.

O que os rivais terão de fazer

  • Pacotes modulares com KPI de performance (conversão, leads, vendas).
  • Inventário de mídia (YouTube, apps, OTT, redes sociais, newsletters) precificado por audiência real.
  • Produtos licenciados em escala e live commerce.
  • Proteções contratuais (compliance, inadimplência) e diversificação de setores para reduzir risco de concentração em bets.

Contexto regulatório

Na Europa, a Premier League banirá patrocínios de apostas no peito da camisa a partir de 2026/27, realocando ativações para mangas e propriedades digitais — outro motivo do apetite por mercados onde a exposição ainda é ampla.