Curva de juros fecha sem direção nesta sexta-feira: contratos curtos ficaram estáveis, enquanto os de longo prazo avançaram em meio ao otimismo com cortes da Selic, cenário eleitoral e expectativas globais de afrouxamento monetário.

A curva de juros encerrou esta sexta-feira (29/08) sem direção definida, refletindo tanto o noticiário político quanto projeções mais otimistas para a economia brasileira. Os juros futuros de curto prazo ficaram praticamente estáveis, enquanto os de prazos mais longos mostraram leve avanço, acompanhando o apetite por risco dos investidores.

O DI futuro janeiro/2026 (BMF:DI1F26) e o DI futuro janeiro/2027 (BMF:DI1F27) fecharam estáveis, a 14,89% e 13,97%, respectivamente. Já no lado positivo, o destaque foi o DI futuro janeiro/2030 (BMF:DI1F30), que subiu 0,26%, a 13,365%. Na ponta mais negociada do dia, o DI futuro janeiro/2027 (BMF:DI1F27) movimentou mais de 277 mil contratos, liderando o volume da curva.

Entre os fatores que movimentaram o mercado, a recomendação do JPMorgan, que incluiu ações brasileiras na sua carteira da América Latina, deu fôlego ao otimismo. O banco prevê um ciclo de corte de juros de até 425 pontos-base a partir de dezembro, o que poderia abrir espaço para o Ibovespa renovar máximas históricas. A expectativa de corte de juros também foi reforçada pelo cenário global, com forte consenso de que o Federal Reserve deve iniciar a redução das taxas já em setembro, estimulando os mercados emergentes.

No campo político, pesquisas eleitorais recentes mostraram queda na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e fortalecimento do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cenário que vem sendo interpretado como positivo pelo mercado financeiro. Ainda assim, tensões comerciais com os Estados Unidos seguem no radar após o governo acionar a Lei da Reciprocidade contra tarifas impostas por Donald Trump.

Apesar da volatilidade, a leitura predominante é de que o ambiente combina juros em queda à frente, maior atratividade da renda variável e uma temporada eleitoral que já começa a influenciar os preços dos ativos no Brasil.