O secretário de Economia do México, Marcelo Ebrard, afirmou nesta quinta-feira (28/08) que o país não pretende firmar um acordo de livre comércio com o Brasil, apesar de essa possibilidade já ter sido discutida em diferentes momentos ao longo dos anos.
Historicamente, as duas maiores economias da América Latina buscaram ampliar seus laços comerciais, mas sem sucesso. Para analistas, a principal razão seria o caráter competitivo de suas economias, que disputam mercados semelhantes em vez de se complementarem.
Atualmente, México e Brasil mantêm um acordo de complementação econômica específico para o setor automotivo. Além disso, autoridades mexicanas anunciaram que, em setembro, terão início auditorias em 14 frigoríficos brasileiros, etapa necessária para autorizar a exportação de carne ao mercado mexicano.
A ausência de um acordo mais amplo pode limitar oportunidades de expansão comercial entre os dois países. No caso da indústria automotiva, a continuidade da dependência de acordos restritos gera incertezas sobre previsibilidade e competitividade. Já para o setor de carnes, as auditorias podem abrir espaço para novos fluxos de exportação, mas ainda em escala limitada diante do que poderia ser obtido em um regime de livre comércio.
No mercado financeiro, notícias como essa costumam influenciar expectativas sobre empresas exportadoras listadas na B3, especialmente frigoríficos brasileiros e montadoras. A percepção de barreiras comerciais pode trazer volatilidade aos preços das ações dessas companhias, enquanto a possível abertura parcial para exportação de carne tende a ser vista como um fator de apoio, ainda que restrito.
Em um momento em que o mercado de ações brasileiro tem sido influenciado por fatores externos, como os preços das commodities e a política monetária norte-americana, a decisão do México reforça os desafios para a diversificação de destinos das exportações brasileiras. O tema se torna relevante não apenas para investidores em empresas do setor de proteína animal, mas também para quem acompanha a dinâmica da balança comercial e seus reflexos no câmbio.
(Reuters)