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Indicador de comércio exterior (Icomex) - China amplia protagonismo nas exportações brasileiras

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A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 10,5 bilhões em abril de 2026, elevando o saldo positivo acumulado no ano para US$ 24,8 bilhões. O resultado representa um avanço de US$ 7,5 bilhões em relação ao mesmo período de 2025, impulsionado principalmente pelo fortalecimento das relações comerciais com a China e pela melhora das trocas com a União Europeia.

O destaque ficou para a China, responsável por um superávit de US$ 11,6 bilhões entre janeiro e abril, equivalente a 47% do saldo total da balança comercial brasileira no período. Já a União Europeia apresentou ganho adicional de US$ 1,4 bilhão no saldo comercial. Em contrapartida, o déficit com os Estados Unidos aumentou de US$ 1,0 bilhão para US$ 1,4 bilhão, enquanto o superávit com a Argentina caiu de US$ 1,9 bilhão para US$ 815 milhões.

Os dados mostram ainda forte crescimento do volume exportado para a China, com alta de 19,9% na comparação anual entre os acumulados até abril de 2025 e 2026. Na América do Sul, o Brasil ampliou vendas para países como Chile, Peru e Colômbia, com destaque para exportações de veículos de passageiros, petróleo e carnes. A Venezuela também ganhou relevância, com avanço de 34% nas compras de produtos brasileiros, especialmente arroz e milho.

As exportações brasileiras cresceram 14,3% em abril frente ao mesmo mês de 2025, enquanto as importações avançaram 6,2%. No acumulado do ano, as exportações subiram 9,2% e as importações, 2,5%. O desempenho das commodities teve peso importante no resultado, especialmente petróleo e soja.

O petróleo bruto consolidou-se como principal item exportado pelo Brasil no acumulado até abril. O saldo da balança comercial do setor petrolífero chegou a US$ 4,1 bilhões em abril, acima dos US$ 3,8 bilhões registrados no mesmo mês de 2025. Apesar disso, o aumento nos preços dos derivados importados segue pressionando parte da conta energética brasileira.

Outro movimento relevante veio das importações de veículos elétricos. As compras externas de veículos de passageiros dispararam mais de 100%, refletindo a antecipação das importações antes da entrada em vigor da tarifa de 35% prevista para julho de 2026. O movimento impulsionou fortemente as importações de bens duráveis pela indústria de transformação.

O relatório também aponta que a entrada de capital estrangeiro em títulos e ações, combinada com juros elevados no Brasil e incertezas nas grandes economias, contribuiu para a valorização do real frente ao dólar. Ainda assim, fatores como inflação, tensões geopolíticas e turbulências domésticas ligadas ao cenário eleitoral podem aumentar a volatilidade cambial nos próximos meses.

Para 2026, a projeção é que a balança comercial brasileira encerre o ano com superávit entre US$ 72 bilhões e US$ 75 bilhões, desde que o conflito no Oriente Médio não se intensifique e que o cenário político internacional permaneça relativamente estável.

O resultado positivo da balança comercial tende a beneficiar ativos ligados ao comércio exterior e ao setor de commodities, como Petrobras (BOV:PETR4 | BOV:PETR3 | NYSE:PBR), Vale (BOV:VALE3 | NYSE:VALE) e empresas exportadoras do agronegócio. O fortalecimento das exportações também pode sustentar o fluxo cambial positivo, favorecendo a valorização do real frente à paridade Dólar Americano e Real Brasileiro (FX:USDBRL), além de influenciar as expectativas para juros e inflação no mercado doméstico.

Mesmo diante do cenário externo ainda instável, os números da balança comercial mostram que o Brasil segue sendo beneficiado pela demanda chinesa por commodities e pelo desempenho robusto das exportações agrícolas e minerais. O comportamento dos preços internacionais de petróleo, soja e derivados seguirá sendo decisivo para o rumo do câmbio, da inflação e da percepção de risco dos investidores ao longo de 2026.

(fgv)

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