O banco BTG Pactual reportou lucro líquido ajustado de R$ 987 milhões, 25% acima do primeiro trimestre e em linha com o quarto trimestre do ano passado, o último antes do choque da covid. Todas as áreas do BTG Pactual reportaram um segundo trimestre mais forte com o banco surfando a atividade intensa dos mercados e a tesouraria voltando a tomar risco.

Sem o ajuste, o lucro contábil foi de R$ 977 milhões, ligeira alta de 0,6% sobre o resultado do segundo trimestre do ano passado e de 27,2% sobre o primeiro trimestre deste ano.

Os resultados do Banco BTG (BOV:BPAC3) (BOV:BPAC5) (BOV:BPAC11) referente a suas operações do segundo trimestre de 2020, foram divulgados no dia 10/08/2020.
O retorno ajustado anualizado sobre o patrimônio líquido médio (ROAE anualizado) ficou em 17,5% no trimestre encerrado em junho e o índice de Basileia foi de 19,6%.
→ O Banco BTG Pactual é uma empresa financeira global que atua nas áreas de Investment Banking, Corporate Lending, Sales & Trading, Wealth Management e Asset Management. O banco possui R$ 241 bilhão de valor de mercado. Confira a Análise completa da empresa com informações exclusivas.

Nas áreas de gestão de patrimônio e gestão de fundos, o banco captou R$ 22,5 bilhões de dinheiro novo no segundo trimestre. O portfólio de crédito corporativo atingiu R$ 57,2 bilhões, crescimento de 19,9%. A receita da área de banco de investimento no trimestre foi de R$ 221,7 milhões, 19,2% acima do mesmo período em 2019.

Seguindo a estratégia de consolidar a Unidade Digital de Varejo, o BTG Pactual realizou em junho uma oferta subsequente de R$ 2,65 bilhões para acelerar iniciativas estratégicas de crescimento e manter fortes métricas de capital.

As receitas do BTG subiram 14%, para R$ 2,482 bilhões, impulsionadas pelo crescimento em empréstimos corporativos, gestão de fortunas e comissões do banco de investimento, divulgou a instituição financeira nesta terça-feira.

A carteira de crédito do banco cresceu 17% no trimestre, para 66,2 bilhões de reais, à medida que empresas da América Latina buscam liquidez em meio à crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus.

A entrada líquida de recursos de clientes de gestão de ativos e fortunas chegou a R$ 22,5 bilhões, mantendo a tendência de alta dos trimestres anteriores, conforme brasileiros migram para produtos mais sofisticados em razão da baixa taxa de juros básica do país.

Os ganhos das mesas de negociações também ajudaram o lucro líquido do banco, com alta 14,8% em relação ao ano anterior e atingiram R$ 1 bilhão.

Apesar do crescimento em quase todas as unidades de negócios, o aumento de 18% nas despesas operacionais prejudicou parcialmente o lucro do BTG Pactual, principalmente devido a bônus, salários e maiores pagamentos de impostos.

Teleconferência

Com captação líquida de R$ 22,5 bilhões no segundo trimestre de 2020 nas áreas de gestão de fundos e gestão de fortunas, o banco BTG Pactual projeta passar de R$ 100 bilhões em dinheiro novo no consolidado do ano. O número foi estimado por Roberto Sallouti, presidente do BTG, em teleconferência com analistas sobre os resultados do trimestre, divulgados mais cedo.

A captação líquida nos últimos três meses foi mais na asset, com R$ 11,8 bilhões a mais, e em wealth management, com incremento de R$ 10,7 bilhões. Conforme o banco, não houve redução de taxas médias de administração na asset, mas houve impacto em receita por conta da periodicidade de taxas de performance.

“Grosso modo, o volume de novo dinheiro é mais crescente no segmento onde a gente não tinha presença consolidada. A gente tinha em altíssima renda, agora estamos consolidando em alta renda e vamos começar a atacar em breve o segmento também de varejo, ao lançar a plataforma completa”, disse Sallouti.

Sallouti: Volume de dinheiro novo crescente no segmento em que banco não tinha presença consolidada — Foto: Claudio Belli/Valor

João Dantas, diretor financeiro do banco, complementou que essa composição traz menor pressão sobre taxas no novo cenário de juros muito baixos. “Com taxa de juro nominal mais baixa, há uma pressão natural sobre taxas de administração, de performance e spreads, mas que é menor no nosso caso, pela composição de nossa carteira. No segmento corporativo e institucional, as taxas já são bastante competitivas, e aumentam no segmento de varejo, onde nossos concorrentes sentem mais essa pressão”, disse.

Os executivos destacaram que o banco segue a estratégia de avanço na plataforma digital para o varejo e que os cartões de crédito, débito e conta corrente do BTG em fase de testes com milhares de clientes devem ser lançados até o fim do ano.

O banco promete continuar também na estratégia de atrair escritórios de agentes autônomos para sua plataforma. “Acho relevante destacar que, na média, após seis meses de migração, os escritórios de agentes que temos atraído tendem a alcançar 100% dos ativos sob gestão que possuíam antes da migração para o BTG”, disse Dantas.

O banco não tem controle se são clientes novos ou os mesmos clientes, mas diz que o relevante é o volume final. “Estamos satisfeitos com essa estratégia B2B de atrair clientes através de agentes autônomos”.

Sallouti confirmou que há custo nessa estratégia, mas sem revelar números. “Como tem certo risco (para o escritório), existe um pagamento financeiro que deixa ele confortável em seguir esse risco”, sintetizou.

Ele disse que há formas diferentes de remuneração dos profissionais dessa área de gestão do capital, com composições de salário e bônus, salário e comissão, rebate, e atendimento direto no canal digital. “São ofertas diferentes para diferentes tipos de profissionais, e para o cliente, se quer algo mais independente ou mais integrado ao banco. Temos os quatro modelos”, disse.

Balanço no 2T20

O banco aumentou o volume de atividade e crédito no segundo trimestre utilizando mais seu balanço, mas sem aumento de exposição a risco. “É raro ter um trimestre em que todas as franquias entregam resultados tão consistentes quanto este, especialmente num período tão desafiador”, disse Sallouti.

“Foi um trimestre em que a gente pôde apoiar os clientes e a sociedade, com nossa equipe com saúde em casa, e gerar valor para os acionistas.”

A carteira de crédito do banco aumentou quase R$ 10 bilhões no segundo trimestre, com crescimento de R$ 500 milhões em pequenas e médias empresas, mantendo as provisões na casa de 4% da carteira total. “Os spreads das novas transações, assim como em PMEs, foram bastante atrativos e a carteira que já tínhamos antes da pandemia segue performando de maneira bastante adequada”, disse Dantas.

A atividade de corretagem e intermediação foi recorde no trimestre, complementada por resultados das mesas de ações e câmbio. Dantas destacou ainda que, apesar de os volumes em emissões de dívida terem sido menores em comparação a outros períodos, foi basicamente no mercado local. “O mercado de dívida internacional, de colocação de bonds, é um mercado de taxas bem menores, na média, do que as taxas praticadas no mercado local. Como quase a totalidade de transações no trimestre foi local, conseguimos capturar essa receita maior”, explicou.

Os executivos destacaram que a base de funding do banco cresceu 31% trimestre contra trimestre. No período, esse aumento foi de R$ 18,9 bilhões, que veio principalmente do crescimento de depósitos locais, com emissões de letras financeiras e CDB no Brasil e no Chile. O índice de Basileia do banco aumentou de 19,4% para 19,6% do primeiro para o segundo trimestre. Dantas destaca que tem se mantido na casa de 20%, acima da média de 15% dos grandes bancos privados brasileiros.

A medida de risco VaR (“Value at Risk”) média total diária aumentou de 0,4% para 0,5% do patrimônio líquido médio do primeiro para o segundo trimestre – mas ainda abaixo da média histórica. No comparativo de seis meses, caiu de 0,71% em 2019 para os atuais 0,5%.

“Mesmo com VaR mais baixo, a gente consegue gerar receita mais alta. Temos limite para aumentar o VaR, mas não estamos nesse momento vendo alguma posição direcional que mereça grande alocação do banco e faça esse número subir no 3º ou 4ª trimestres”, disse Sallouti.

Para Dantas, os resultados vêm da combinação de três fatores. “Além do resultado, nossos ganhos de market share vêm da recuperação dos mercados, impulsionados por estímulos monetários, dos significativos investimentos na nossa infraestrutura e tecnologia, com ampliação de ofertas de produtos em meios digitais, e da força do nosso balanço”, disse. “Colocamos um pouco mais de capital para trabalhar, mas mantendo índices de capitalização bastante elevados.”

Visão do mercado

Para Luis Sales, analista de empresas da Guide Investimentos, o Impacto é Positivo. O banco apresentou crescimento em seus números baseado no contínuo crescimento da maioria de suas linhas de negócio e fortes resultados nas franquias de clientes. O resultado veio acima do esperado pelo mercado.

 

Fonte Valor Econômico

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