O grupo empresarial Ultrapar registrou lucro líquido de R$ 50 milhões e queda de quase 60% no lucro líquido do segundo trimestre ante mesmo período de 2019, pressionado pelos impactos das medidas de distanciamento social que fizeram sua principal unidade, a rede de postos Ipiranga, ter queda de 18% nas vendas de combustíveis.

Os resultados da Ultrapar (BOV:UGPA3) referente a suas operações do segundo trimestre de 2020, foram divulgados no dia 12/08/2020.

Ebitda – lucro antes de antes de juros, impostos, depreciação e amortização – teve baixa mais forte, de 65%, para R$ 179 milhões, diante da forte perda de estoque no período. Como consequência, a margem Ebitda ajustado caiu de R$ 91 para R$ 39 por metro cúbico.

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A receita líquida do grupo totalizou R$ 15,9 bilhões no trimestre, com recuo de 27% na comparação anual. O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado caiu 10%, para R$ 611 milhões. Sem considerar eventos não recorrentes, o Ebitda foi de R$ 599 milhões.

A Ultrapar afirmou que em abril os volumes de venda de combustíveis do ciclo Otto despencaram 37% ante mesmo mês de 2019, enquanto no diesel a queda foi de 17%.

“Em maio e junho os volumes vendidos registraram importante e gradual recuperação”, afirmou a companhia no balanço, após flexibilizações da quarentena em uma série de Estados.

Como já era esperado, a Ipiranga foi a mais afetada pelas medidas de restrição à circulação decorrentes da pandemia, com queda forte no volume vendido de combustíveis em abril e recuperação gradual entre maio e junho.

Segundo o balanço, para mitigar a queda nas vendas da Ipiranga, a rede de postos de combustíveis reduziu gastos “em diversas áreas, que possibilitaram a corte das despesas gerais, administrativas e de vendas em 32% na comparação anual”.

Enquanto isso, o nível de inadimplência registrado “apresentou ligeiro aumento e manteve-se em patamares aceitáveis para o período”, afirmou a Ultrapar sobre a Ipiranga.

A rede registrou queda de 18% no volume vendido no segundo trimestre, para 4,63 milhões de metros cúbicos. A baixa mais acentuada, de 28%, foi vista no ciclo Otto (gasolina e etanol). A receita líquida caiu 32% na comparação anual, a R$ 12,4 bilhões, pressionada também pela menor preço de combustíveis. O Ebitda teve baixa mais forte, de 65%, para R$ 179 milhões, diante da forte perda de estoque no período. Como consequência, a margem Ebitda ajustado caiu de R$ 91 para R$ 39 por metro cúbico.

Já a Oxiteno foi beneficiada pela desvalorização de 38% do real frente ao dólar e pela melhora nas margens de contribuição em dólares, na esteira do mix de vendas e da operação da nova fábrica. De abril a junho, o Ebitda da produtora de especialidades químicas cresceu 261%, para R$ 162 milhões. A margem Ebitda triplicou em um ano, para US$ 180 por tonelada.

O grupo, que ainda soma negócios em transporte e armazenamento de granéis líquidos, distribuição de gás liquefeito, especialidades químicas e varejo farmacêutico, teve leve queda na relação dívida líquida sobre Ebitda ajustado, passando de 3,3 vezes no fim de março para 3,2 vezes. Ao fim do segundo trimestre, a dívida líquida da Ultrapar estava em R$ 11,1 bilhões, comparável a R$ 11,4 bilhões em março.

O grupo levantou R$ 1,5 bilhão em novos empréstimos entre o fim de março e o início de abril para reforçar a posição de caixa, tendo em vista as incertezas produzidas pelo avanço da covid-19 no país.

Emissão de ações ordinárias e postergação do pagamento de dividendos

A companhia afirmou que o conselho de administração aprovou proposta para não pagar dividendos intermediários relativos a 2020 como forma de preservar caixa, que fechou o semestre em R$ 8,45 bilhões ante R$ 6,42 bilhões um ano antes.

O capital social da Companhia, cujo valor total em Reais permanece inalterado e que até esta data era representado por 1.114.918.734 ações ordinárias, passará a ser representado por 1.115.005.712 ações ordinárias. As novas ações farão jus aos mesmos direitos atribuídos às demais ações da Companhia já emitidas.

Adicionalmente, a fim de preservar o caixa da Companhia, em um cenário ainda marcado pelas incertezas decorrentes da pandemia de COVID-19, o Conselho de Administração deliberou pelo não pagamento de dividendos intermediários referentes ao exercício corrente. Os dividendos mínimos obrigatórios referentes ao exercício em vigor serão pagos após a divulgação dos resultados do ano.

 Teleconferência

Para o grupo Ultra, o segundo semestre deverá ser marcado pelo reaquecimento contínuo da atividade econômica e consequente recuperação dos resultados da distribuidora de combustíveis Ipiranga, que foi a operação da holding mais afetada pela crise desencadeada pela pandemia covid-19.

“Ao nosso ver, as principais dificuldades ficaram para trás”, disse o presidente da Ultrapar, Frederico Curado, em teleconferência com a analistas.

O executivo comentou ainda que a agenda estratégica do Ultra permanece inalterada, com foco em busca de melhoria contínua em todos os negócios e disciplina de gestão de caixa. E, nos próximos anos, a expectativa é a de que o valor implícito do AbasteceAí, novo negócio do grupo, se materialize.

Curado ressaltou que, apesar da decisão de não pagar dividendos intermediários neste ano, que tradicionalmente ocorre na metade do ano, por causa das incertezas geradas pela pandemia, haverá distribuição de proventos relativos ao exercício em conformidade com a política da Ultrapar.

O executivo ressaltou que a habilidade de gestão de operações da companhia se mostrou eficiente e o grupo teve desempenho melhor do que o previsto, considerando o impacto da pandemia nos negócios da Ultrapar. “Conseguimos atravessar esses três meses até melhor do que esperávamos no início”, disse Curado, em teleconferência com analistas, para comentar os resultados do segundo trimestre, nesta quinta-feira (13).

Conforme o executivo, todas as empresas das Ultrapar foram consideradas essenciais e operaram sem nenhuma interrupção durante pandemia. Foram registrados pouco mais de 500 casos de infecção por covid-19 no grupo, o equivalente a cerca de 3% dos funcionários, e 450 doentes já se recuperaram e voltaram a trabalhar normalmente.

Segundo Curado, a companhia manteve o foco na saúde de seus colaboradores e na manutenção das operações, mas também foi pró-ativa no suporte aos clientes, com vistas a preservar a integridade de toda a cadeia na crise. Nessa frente, o grupo renegociou contratos e prestou apoio em capital de giro, sem comprometer sua saúde financeira.

“Conseguimos assegurar a continuidade das cadeias e mantivemos o nível de inadimplência controlado, sem crescimento no trimestre”, afirmou o presidente da holding.

Dentre as operações do Ultra, os impactos da crise da covid-19 se concentraram na distribuidora de combustíveis Ipiranga e vieram em duas frentes, uma de redução de demanda e outra de perda de estoque, na esteira da forte desvalorização do petróleo e da volatilidade de preços de combustíveis.

“Os demos negócios se mostraram muito resilientes. A própria Extrafarma, que teve 7% da rede fechada, se mostrou resistente”, comentou Curado. “Foi um trimestre difícil, que testou a agilidade da empresa em diversas vezes, com resultados que a nosso ver são bastante satisfatórios”.

Resultados da Ipiranga

Segundo o diretor financeiro e de relações com investidores da Ultrapar, André Pires, a distribuidora de combustíveis Ipiranga deve manter a tendência de recuperação gradual de volumes e resultados nos próximos meses. Ainda assim, os números devem ser inferiores aos vistos no ano passado, acrescentou Pires, na teleconferência com analistas.

A tendência, na visão do grupo, também é a de manutenção da volatilidade dos preços de combustíveis. “A recuperação já foi vista em junho e permanece no início do terceiro trimestre”, afirmou o executivo.

No segundo trimestre, os desdobramentos da pandemia e a guerra de preços no petróleo afetaram a relação entre oferta e demanda global, resultando em forte queda dos preços da gasolina e do diesel em abril, com recuperação em maio e junho. Os preços do etanol também se desvalorizaram em abril, com a demanda afetada pelas medidas de distanciamento social.

Processo de Privatização do refino

A privatização de 50% da capacidade de refino no Brasil, que está concentrada nas mãos da Petrobras, traz ganho para todos e as grandes distribuidoras de combustíveis tendem a se beneficiar porque têm escala e capacidade de garantir a compra de volumes elevados no longo prazo, na avaliação do presidente do grupo Ultra.

“Vemos um enorme benefício para todo mundo”, disse Curado. “Independentemente de sinergias, a Ipiranga e demais distribuidoras irão se beneficiar desse movimento.”

Mas ainda é cedo para discutir mais detalhadamente o processo de privatização em si e seus efeitos, porque ele tende a ser longo, observou o diretor financeiro e de relações com investidores do Ultra. “O processo de privatização vai obviamente mudar a relação entre produtor e consumidor de derivados, mas isso vai acontecer ao longo do tempo”, comentou Pires.

Ultragaz

Segundo a direção da holding, para a Ultragaz, distribuidora de GLP do grupo Ultra, a expectativa é de recuperação nos volumes de venda no segmento a granel e manutenção do desempenho positivo no envasado, que cresceu 8% no segundo trimestre. Diante disso, comentou Pires, a previsão é a de “continuidade de resultados sólidos e consistentes”.

Ebtida – Total de R$ 206 milhões (+69%), devido ao aumento no volume de vendas e maior eficiência operacional, com redução de despesas.

Receita líquida –Total de R$ 1.723 milhões (-3%), em função dos reajustes de preços do GLP pela Petrobras e mix de vendas (maior volume no envasado e menor volume no granel).

Foram investidos R$ 66 milhões, direcionados à reposição e aquisição de vasilhames, instalações em novos clientes Ultrasystem e segurança operacional.

Ultracargo

Na Ultracargo, de armazenamento de granéis líquidos, a tendência, apesar dos impactos da crise, é de estabilidade no uso da tancagem disponível e recuperação gradual da movimentação ao longo do segundo semestre. “O foco permanece em expansões de capacidade e aumento também nos portos nos quais a Ultracargo já atua”, afirmou.

Ebtida – Total de R$ 92 milhões,resultado recorde registrado pela Ultracargo. Excluindo os efeitos de créditos tributários extraordinários no 2T20 e pagamento do TAC no 2T19, houve um aumento de 35%, devido às expansões de capacidade em Santos e Itaqui, ao aumento das movimentações spot e às menores despesas. Em relação ao 1T20, o EBITDA permaneceu praticamente no mesmo patamar, apesar da menor movimentação, em função da redução de despesas e créditos extraordinários citados anteriormente.

Receita líquida – Total de R$ 155 milhões no 2T20 (+23%), impulsionada pelo aumento na movimentação de combustíveis,novos contratos e movimentações spot.

Na Ultracargo, os investimentos no período foram de R$ 26 milhões, direcionados principalmente à expansão de Itaqui, manutenção e segurança operacional dos terminais.Destaque para a obtenção do alvará de construção no novo terminal de Vila do Conde (PA) em julho, possibilitando o início antecipado das obras.

Oxiteno

Para a Oxiteno, de especialidades químicas, a perspectiva é de manutenção do volume de venda nos segmentos que tiveram desempenho positivo no auge da crise, como agronegócio e higiene e limpeza, e recuperação gradual naqueles que foram mais afetados, sobretudo o de tintas.

“O câmbio mais ‘ramp up’ da fábrica de Pasadena trazem a perspectiva de crescimento do Ebitda [resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização] em relação ao ano passado”, disse Pires.

Ebtida – Total de R$ 162 milhões (+261%),em razão da melhora nas margens de contribuição em dólares, fruto do mix de vendas e do ramp up da planta dos Estados Unidos, e do Real 38% mais desvalorizado frente ao dólar (R$ 1,47/US$),atenuados pelo impacto do câmbio nas despesas. Em relação ao 1T20, excluindo o efeito não recorrente dos créditos tributários extemporâneos de R$ 71 milhões, o Ebtida aumentou 33%, devido à desvalorização do Real e às menores despesas, atenuadas pelo menor volume de vendas.

Receita líquida – Total de R$ 1.201 milhões (+13%), em função da desvalorização de 38% do Real frente ao dólar (R$ 1,47/US$), atenuada pela redução de 6% dos preços médios em dólar, seguindo a queda dos preços de petroquímicos no mercado internacional e pela queda do volume.

Os investimentos no período foram de R$ 42 milhões, direcionados, principalmente, à manutenção e segurança das unidades produtivas.

Extrafarma

Por fim, na rede de varejo farmacêutico Extrafarma, todas as lojas estão operando normalmente e as vendas de medicamento permanecem fortes, apesar do menor fluxo de clientes, o que desenha uma tendência de melhora dos resultados recorrentes na comparação com o ano passado.

Ebtida – Total de R$ 14 milhões (-24%), redução de R$ 4 milhões em relação ao 2T19, em função dos créditos tributários e previdenciários extemporâneos de R$ 16 milhões no 2T19. Excluindo esse efeito, apesar da queda de 8% nas vendas impactadas pela pandemia e menor número de lojas, a Extrafarma registrou um crescimento expressivo de EBITDA em função principalmente (i) do processo de depuração implementado e maior rentabilização da rede existente, (ii) iniciativas para ganho de produtividade e redução de despesas e (iii) melhores margens. Em relação ao 1T20, houve um crescimento de 54%, devido principalmente às ações para redução das despesas e ganhos de produtividade, apesar dos impactos da pandemia e menor faturamento.

Receita bruta – Total de R$ 515 milhões (-8%), devido principalmente (i) ao número de lojas 5% menor, (ii) ao fechamento temporário de 7% das lojas em shoppings e (iii) ao menor fluxo de clientes, efeitos parcialmente compensados pelo maior faturamento de mesmas lojas em operação (+4,6%), impulsionado pela manutenção de um bom nível de serviço, pelo maior ticket médio e pelo reforço e expansão de vendas através de canais como delivery e parcerias com aplicativos de entrega.

No 2T20 foram investidos R$ 6milhões, direcionados principalmente à tecnologia de informação, manutenção e reforma de lojas.

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