Segundo Financial Times, a Veolia, grupo francês de gestão de água, resíduos e energia, informou que se ofereceu para comprar os 29,9% do grupo Suez que pertencem à empresa de serviços públicos Engie (BOV:EGIE3) por € 2,91 bilhões, como prelúdio para a apresentação de oferta total por sua rival.

“Nosso objetivo é juntar e fundir essas duas empresas”, disse o executivo-chefe da Veolia, Antoine Frérot, ao Financial Times na noite de ontem. “Tamanho é algo crucial no mercado mundial que está sendo construído e desenvolvido neste momento”, afirmou ele.

Uma fusão total da Veolia e da Suez criaria uma empresa mundial com faturamento anual de cerca de € 40 bilhões, uma combinação que Frérot comparou a uma fusão dos times de futebol Manchester United e Manchester City.

“É com esse tamanho combinado que seremos capazes de investir nas instalações necessárias e financiar, e eventualmente amortizar, nossos custos com inovação, pesquisa e desenvolvimento”, disse.

A primeira fase da aquisição prevista é a oferta pelos 29,9% da Suez detidos pela Engie, que está apenas um pouco abaixo do limite que torna uma oferta pública completa obrigatória. No total, a Engie tem 32% da Suez, e no fim de julho informou que mudara sua perspectiva sobre a participação e analisava suas alternativas a continuar como principal acionista da Suez.

A Veolia ofereceu € 15,50 por ação da Suez em dinheiro, um prêmio de 50% sobre o preço do dia anterior ao anúncio da Engie.

Segundo Frérot, a mudança de posição da Engie foi “uma chance histórica” para a Veolia levar adiante seu plano de criar “o supercampeão mundial da transformação ecológica”. “É agora ou nunca”, acrescentou Frérot. Ele ressaltou que muitos países e regiões – entre elas a União Europeia – desenvolvem planos para ajudar suas economias a se recuperarem da recessão provocada pelo coronavírus, com o aproveitamento de políticas respeitadoras do meio ambiente.

Uma fusão completa, que a Veolia prevê para 12 a 18 meses depois de obter as autorizações regulatórias, exigiria a venda, por motivos de concorrência, das operações de água da Suez na França porque as duas são as principais empresas a vender esses serviços para municípios e indústrias do país.

Frérot disse que no resto do mundo, com algumas poucas exceções, a Suez e a Veolia tinham negócios muito complementares. Segundo a empresa, a operação criaria valor para os acionistas da Veolia desde seu primeiro ano, em grande parte como resultado das sinergias operacionais e de compras, estimadas em € 500 milhões.

A Veolia explicou que tem presença especialmente forte na Europa Central e do Leste e no Reino Unido, enquanto os mercados tradicionais da Suez incluíam a Espanha e o norte da Europa. Uma fusão reforçaria as posições combinadas do grupo na América do Sul, América do Norte, Ásia e Austrália.

Em um comunicado neste domingo, a Suez informou que sua diretoria se reunirá em breve para estudar a proposta da Veolia, que “não foi solicitada nem discutida antes com a Suez”.

Por Victor Mallet — Financial Times, de Paris