O GPA, controlador do Pão de Açúcar (BOV:PCAR4), anunciou nesta quarta-feira que seu conselho de administração autorizou estudo para a cisão de seu braço de atacarejo Assaí e a preparação da companhia para listagem na B3.

De acordo com fato relevante, a cisão será precedida da transferência da participação hoje detida pela Assaí na Almacenes Éxito para o GPA.

“O propósito da potencial transação é liberar o pleno potencial dos negócios de cash & carry e varejo tradicional da companhia, permitindo que operem de forma autônoma, com administração separada e foco nos seus respectivos modelos de negócios e oportunidades de mercado”, afirmou o GPA.

A varejista afirmou ainda que a transação permitirá que cada negócio tenha acesso direto ao mercado de capitais e a outras fontes de financiamento.

A Assaí vai buscar listagem no Novo Mercado da B3 e de ADRs na Bolsa de Nova York (Nyse)

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A lista de empresas que miram uma abertura de capital em setembro e outubro já inclui mais de 40 empresas. Perto do fim do prazo para protocolar o pedido de IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês) nos próximos dois meses, novas empresas entraram na fila de estreias na B3, a Bolsa paulista.

Visão do mercado

Em relatório, o Itaú BBA afirmou que a iniciativa do GPA “faz sentido” porque tem como objetivo refletir o valor dos diferentes ativos do grupo de forma individual. Segundo o banco, o Assaí deve valer R$ 27 bilhões separadamente, considerando uma relação Preço/Lucro de 22,5 vezes e margem líquida de 3,4% em 2021.

“Se nossas estimativas estiverem corretas, o grupo pode valer R$ 31 bilhões depois da transação (incluindo Éxito, CNova e Multivarejo, e excluindo a dívida líquida), implicando em um potencial de alta de 88% para os níveis atuais de PCAR3. O banco tem recomendação de outperform para o papel e preço alvo de R$ 95 para 2021.

Já o Credit Suisse destacou que o Assaí opera 169 lojas e é a segunda maior empresa de atacarejo do Brasil, com muito espaço para crescer. Segundo o banco, a transação vai destravar valor para a empresa e aumentar o acesso a financiamento. “Mais do que isso, acreditamos que o anúncio vai chamar atenção para a valuation atual de PCAR3, que vemos muito descontada.” O banco espera uma reação positiva do mercado hoje.

Em relatório, o Credit disse que o preço atual do papel não faz sentido, considerando que a empresa cresce a uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 28% nos últimos cinco anos. “Se considerarmos os múltiplos dos concorrentes de atacarejo, a divisão sozinha valeria R$ 17 bilhões, o que representa todo o valor de mercado do GPA.” O Credit reiterou rating de outperform para PCAR3.

Os analistas da XP, reconhecem o potencial valor a ser destravado pela separação dos negócios que poderia evidenciar o valor não reconhecido na operação de varejo. No entanto, foram levantados alguns pontos de discussão em relação ao valor da soma das partes: (i) as informações públicas divulgadas pela companhia hoje permitem uma estimativa (ainda que não ideal) de avaliação por soma das partes, (ii) a separação dos dois negócios poderia potencialmente gerar ineficiências, como redundância da estrutura administrativa, (iii) na nossa visão é pouco provável que o mercado atribua um múltiplo igual ao atual ou maior para a operação de GPA (ex-Assaí), dado o menor potencial de crescimento.

Dessa forma, por ora mantemos a nossa recomendação de Neutro para as ações do GPA (PCAR3) e preço-alvo de R$ 70,00 ao final de 2020. Atualmente, vemos as ações do GPA negociando a um múltiplo P/L de 17,5x em 2021, que avaliamos como justo.

P.ACUCAR-CBD PN (BOV:PCAR4)
Gráfico Histórico do Ativo
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P.ACUCAR-CBD PN (BOV:PCAR4)
Gráfico Histórico do Ativo
De Jan 2020 até Jan 2021 Click aqui para mais gráficos P.ACUCAR-CBD PN.