O último balanço divulgado pela empresa não trouxe boas notícias. No 3T20, ela revelou um prejuízo de R$ 54,3 milhões, contra um lucro de R$ 22,3 milhões no mesmo período do ano passado. É o primeiro resultado negativo trimestral desde 2016.

Os resultados da Marcopolo (BOV:POMO3) e (BOV:POMO4) referentes às suas operações do terceiro trimestre de 2020 foram divulgados no dia 03/11/2020.

→ Fundada em 1946, a Marcopolo é uma fabricante multinacional de carrocerias e ônibus, respondendo por quase metade de toda a produção nacional. Confira a análise completa da empresa com informações exclusivas.

O resultado do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) também sofreu um efeito negativo, alcançando R$ 23,8 milhões, contra R$ 60,2 milhões positivos obtidos no mesmo trimestre do ano passado. A margem ficou negativa em 2,8%, contra 5,6% registrada no 3T19.

A receita líquida também despencou 22,6% no período, acumulando R$ 836,5 milhões. Já no ano passado, para se ter um comparativo, o valor ficou em R$ 1,08 bilhão. 

Outras informações do balanço

As receitas obtidas com a operação no Brasil despencaram 22% e, quanto às do exterior, a porcentagem chegou a 41%, embora a receita com exportação tenha aumentado 1,9%.

O endividamento financeiro líquido também cresceu: em novembro de 2020, totalizando R$ 1.130,7 milhões, contra R$ 703,1 milhões em 2019.

As despesas operacionais seguiram a mesma trajetória, crescendo 75% (equivalente a R$ 186 milhões). A empresa justificou esses números devido aos custos com rescisões trabalhistas e resultados de equivalência patrimonial das operações localizadas no exterior, tudo em virtude da pandemia.

Outro resultado nada bacana para o mercado foi o custo de ociosidade da empresa, equivalente a R$ 12,8 milhões no trimestre e de R$ 40,8 milhões no acumulado do ano.

A margem bruta, na contramão dos números negativos, aumentou, saindo de 13,5% para 16,3%, devido ao efeito positivo do câmbio nas exportações, melhor eficiência das operações e processo de otimização de fábricas no Brasil.

Apesar disso, a empresa se manteve positiva, principalmente entendendo que o mercado interno dá mostras de que tende a acelerar novamente com a procura por novos ônibus para atender à demanda de turismo, linhas rodoviárias, de transporte escolar e transporte público urbano.

VISÃO DO MERCADO

BTG Pactual

O BTG espera que os volumes fracos persistam, com a maioria dos proprietários de frotas continuando a adiar os pedidos para o ano fiscal de 2021 (especialmente para ônibus intermunicipais e urbanos). Além disso, nos últimos lançamentos da Fabus, esperamos que a indústria de ônibus registre uma recuperação de volume muito lenta. Pelo lado positivo, vemos o esforço da POMO para fornecer soluções sanitárias aos seus clientes como um movimento bem-sucedido, com a empresa apresentando um desempenho mais resiliente do que seus concorrentes, especialmente com a tecnologia BioSafe. Além disso, destacamos o anúncio positivo do fechamento de sua fábrica no Rio de Janeiro em outubro, o que deve ajudar a resolver os problemas de excesso de capacidade da Marcopolo, melhorando suas margens de longo prazo. Para os próximos trimestres, também esperamos que o POMO continue a se beneficiar de um Real estruturalmente depreciado.

BTG Pactual mantém recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 16,00.

Credit Suisse

Para o Credit Suisse, os resultados da Marcopolo mostraram progresso e a companhia colhe os frutos do “virada”. Porém, o mercado de ônibus ainda permanece bastante desafiador como consequência do Covid-19 e “a estrada para a recuperação parece bastante árdua”.

Os analistas do banco ainda destacam que as fábricas voltaram a funcionar quase aos níveis normais, com volumes mostrando alta de 47% na base trimestral, mas ainda em queda de 13% na base anual.  Os ônibus urbanos e intermunicipais foram os mais afetados e devem passar por um longo processo de recuperação. “No lado positivo, a Marcopolo deve sair da crise com muitos aprendizados e possivelmente uma empresa mais eficiente. A companhia também se beneficia da depreciação do real dado as vendas nos mercados externos. O destaque positivo do resultado foi a geração de caixa (dada a redução de capital de giral) com R$ 150 milhões no trimestre”, apontam os analistas.

Eleven Financial 

O trimestre de Marcopolo foi de menores volumes de produção e vendas, ainda em decorrência dos efeitos relacionados a COVID-19. Apesar do volume considerável das entregas relacionadas ao programa federal Caminho da Escola, o efeito extraordinário das rescisões com o fechamento da unidade de Duque de Caxias e o resultado negativo da NFI pesaram sobre o desempenho no período levando a um elevado prejuízo no trimestre.

A expectativa da Elven para o final do ano e 2021 é de demanda por Rodoviários prejudicadas pelo ambiente econômico difícil e de comprometimento da capacidade de investimento para os frotistas devido aos efeitos do COVID-19 sobre a circulação de pessoas. Apesar do trimestre com resultado negativo, a expectativa é de maior equilíbrio para o próximo trimestre e 2021 devido aos volumes ainda significativos de entregas do Caminho da Escola, melhora dos resultados da NFI e adequação  da capacidade produtiva para o cenário de menor demanda.
A Eleven mantém a recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 3,00…