A Marcopolo firmou contrato de venda de sua participação na empresa indiana Tata Marcopolo Motors (TMML), por US$ 13,5 milhões, equivalente a 49% das ações da coligada, à acionista remanescente na sociedade, Tata Motors. Contrato inclui licenciamento para que a Tata Motors use a marca mediante royalties.

O anúncio consta do Fato Relevante divulgado na noite desta quarta-feira (16) pela empresa (BOV:POMO3) (BOV:POMO4). Segundo a companhia, a fatia foi negociada por 999,6 milhões de rúpias indianas.

A fabricante informou ainda que firmou contrato de licenciamento para a utilização de sua marca “Marcopolo” por parte da TMML, que pagará royalties sobre a receita dos produtos vendidos por um período mínimo de 3 anos.

“As empresas continuarão mantendo um canal aberto para colaboração em projetos futuros de tecnologia em carrocerias e para prestação de serviços de consultoria técnica”, completou o comunicado da Marcopolo.

Nesta quarta-feira, a empresa anunciou sua primeira entrega de carros para veículos leves sobre trilhos (VLT), ampliando a aposta da icônica marca de carrocerias de ônibus no setor ferroviário para diversificar receitas.

Proventos

O conselho de administração da Marcopolo também aprovou nesta quarta o pagamento de juros sobre o capital próprio (JCP) no valor de R$ 0,02 por ação.

Os valores dos juros aprovados serão creditados na conta individualizada de cada acionista no dia 22 de dezembro de 2020, com base nas posições dos acionistas em 22 de dezembro de 2020, e serão pagos a partir do dia 31 de março de 2021.

→ Fundada em 1946, a Marcopolo é uma fabricante multinacional de carrocerias e ônibus, respondendo por quase metade de toda a produção nacional. Confira a análise completa da empresa com informações exclusivas.

VISÃO DO MERCADO

Bradesco BBI

O Bradesco BBI afirmou que, com a venda de sua participação na joint venture, a Marcopolo deve receber um fluxo de caixa de R$ 55 milhões no quarto trimestre, e ver um impacto positivo de R$ 24 milhões no faturamento líquido.

Na avaliação do banco, a joint venture não vinha trazendo à Marcopolo as recompensas esperadas, à medida que a fabricante de ônibus tinha um papel limitado nos esforços comerciais. A Tata era a única companhia oferecendo chassis aos ônibus, e tinha o contato direto com clientes locais.

Apesar da notícia positiva, o banco avalia que os clientes da Marcopolo continuam afetados pela pandemia de covid, portanto mantém avaliação em underperform (expectativa de valorização abaixo da média do mercado) para a ação da empresa, e preço-alvo de R$ 2,50 para as ações preferenciais em 2021, frente os R$ 2,92 negociados na quarta.

Balanço mostra prejuízo de R$ 54,3 milhões, nos resultados 3T20

O último balanço divulgado pela empresa não trouxe boas notícias. No 3T20, ela revelou um prejuízo de R$ 54,3 milhões, contra um lucro de R$ 22,3 milhões no mesmo período do ano passado. É o primeiro resultado negativo trimestral desde 2016.

A receita líquida também despencou 22,6% no período, acumulando R$ 836,5 milhões. Já no ano passado, para se ter um comparativo, o valor ficou em R$ 1,08 bilhão.