No ano passado, em março, a Bolsa acumulou quase 30% de queda, marcando o início oficial dos reflexos da pandemia em solo brasileiro. Já neste começo de março de 2021, um ano após aquele péssimo desempenho do benchmarking, que foi considerado o pior resultado dos últimos 22 anos, nossa Bolsa continua negativa, bem negativa.

Olhando um pouco pelo retrovisor, no desempenho de fevereiro, o Ibovespa ficou 7% negativo. Reflexo de diversos fatores, entre eles o ritmo lento em que se encontra o Brasil na vacinação da população, a falta de uma perspectiva de retomada econômica mais forte, questões políticas e fiscais que incidem no otimismo dos investidores daqui e de fora. Com um cenário marcado pela incerteza, a única certeza que se tem é a de que o mercado segue com cautela.

=> Veja a retrospectiva completa do mês de fevereiro de 2021. Ao todo, 32 empresas são destaque. Você adivinha quais são elas?

=> Relembre também o mês de janeiro, marcado pelo início das vacinações no Brasil e pela mudança na presidência dos EUA. 

Apesar disso, esta primeira semana de março começou otimista, com a aprovação da PEC emergencial pelo Senado, que agora segue para a Câmara dar seu parecer, o que já deve ser feito na quarta-feira, dia 10 de março. Somado a isso, muitos outros destaques marcaram estes dias, e é o que vamos conferir agora.

  1. Nunca aposte contra os Estados Unidos

Embora tenhamos presenciado nas últimas semanas uma alta expressiva no rendimento dos títulos norte-americanos de 10 anos, que assustou os mercados globais, Buffett, em sua tão esperada carta anual, deixou claro: “nunca aposte contra os Estados Unidos”.

O temor dos investidores é que juros mais altos podem gerar uma migração do mercado de ações para o de títulos. Além disso, eles podem ser um grande indicativo de pressão inflacionária, e uma possível alta da inflação dificultaria a tomada de empréstimos por parte de empresas, o que impactaria bastante o mercado norte-americano. Porém, na carta, Buffett disse que as taxas de juros ultrabaixas ao redor do mundo diminuem esse apelo dos títulos.

A Berkshire relatou um aumento de 23% no lucro do quarto trimestre, para US$ 35,8 bilhões, ajudado por um aumento no valor das participações no mercado de ações da Berkshire. A empresa recomprou quase US$ 25 bilhões em ações durante 2020, sendo US$ 9 bilhões apenas no quarto trimestre, com o CEO Warren Buffett explicando em sua carta anual que a mudança aumentou o valor para o acionista, embora ainda deixando bastante dinheiro para outras oportunidades que possam surgir.

A Apple ainda é considerada o maior investimento em ações ordinárias do conglomerado, que desempenhou um papel importante para compensar os danos pandêmicos aos negócios ferroviários e de seguros da Berkshire em 2020.

A carta não continha nenhuma atualização sobre a sucessão ou detalhes sobre o que Buffett pode fazer com os mais de US$ 138 bilhões em dinheiro em caixa no final de 2020.

  1. Precisamos falar do Coronavírus

O número de óbitos registrado na quinta-feira é o segundo maior desde o início da pandemia. A cifra é menor apenas que a verificada na quarta-feira (3 de março). O total de novos casos também foi o segundo mais alto. O recorde foi em 7 de janeiro, quando 87.843 diagnósticos foram reportados. Somos o segundo país com o maior total de mortes em todo o mundo, atrás somente dos Estados Unidos.

Na cúpula do Ministério da Saúde, a expectativa é que o Brasil atravesse nas próximas duas semanas o pior momento da pandemia. Em sua projeção, o número de mortes irá a 3 mil/dia nesse período. A piora é atribuída à circulação de novas variantes do coronavírus, ao iminente colapso do sistema hospitalar em todo o país, à lentidão da vacinação e à baixa adesão da população às medidas de isolamento social.

O novo cronograma de entrega de doses de vacina contra a Covid-19 apresentado pelo Ministério da Saúde revela um atraso na chegada ao Brasil de doses prontas do imunizante de Oxford/AstraZeneca, previstas para o mês de março. Em fevereiro, a pasta anunciou que chegariam 4 milhões de doses prontas nos próximos dias e mais 4 milhões em abril. Agora, a tabela atualizada pelo ministério mostra que não há mais previsão para as doses prontas da vacina chegarem em março, momento que o Brasil enfrenta o cenário mais grave da pandemia.

Apesar disso, nesta quinta-feira o Ministro da Saúde brasileiro, Eduardo Pazuello, autorizou a compra de 100 milhões de doses da vacina da Pfizer e mantém negociação da compra de mais 38 milhões de doses da vacina produzida pela Janssen, ligada à Johnson & Johnson. As doses devem ser entregues até dezembro.

  1. Vamos falar da B3? Primeiramente dela como empresa

Todo investidor conhece a B3, mas poucos sabem que ela é uma empresa e de capital aberto. A ADVFN fez uma matéria muito especial sobre quem é a B3 (BOV:B3SA3) como organização. Para ler o material na íntegra, clique aqui.

Acumulado de 2020 – A B3 registrou lucro líquido de R$ 4,2 bilhões em 2020, crescimento de 52,98% na comparação com o lucro de R$ 2,7 bilhões de 2019. A receita da companhia fechou o ano passado em R$ 9,3 bilhões. O resultado representa crescimento de 41,83% ante a cifra de R$ 6,6 bilhões na comparação anual.

“Os altos volumes negociados em nossas plataformas ao longo do ano contribuíram com um sólido desempenho financeiro e geração de caixa robusta, que totalizou R$ 6,1 bilhões no ano”, revela a empresa.

Na divulgação de resultados, a B3 informou ainda que registrou um aumento de 114% na sua base de clientes de renda variável em 2020, o que “comprova o aumento do interesse pela diversificação de investimentos em um ambiente de taxa de juros mais baixa. Em 2020, a B3 apoiou, com programas de incentivo e mecanismos de precificação, as corretoras que se dedicaram à atração de novos clientes para o mercado de renda variável”.

4T20 O lucro líquido da operadora da Bolsa brasileira no 4T20 foi de R$ 1,097 bilhão, aumento de 49,7% sobre o mesmo período de 2019. O lucro líquido recorrente cresceu 34,1%, para R$ 1,159 bilhão. Já a receita líquida da companhia registrou avanço de 44,4%, ficando em R$ 2,280 bilhões entre outubro e dezembro do ano passado.

O Ebitda recorrente – lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização – chegou a R$ 1,729 bilhão, uma alta de 46,5% sobre igual período de 2019. A B3 também viu as despesas subirem 10% de um ano para o outro, chegando a R$ 722,5 milhões. As despesas ajustadas somaram R$ 341,7 milhões, aumento de 9,6%. O resultado financeiro totalizou R$ 63,5 milhões nos três últimos meses de 2020, alta de 76,4% no ano.

Dividendos 2021 – Os proventos distribuídos aos acionistas no exercício de 2020 somaram R$ 6,2 bilhões. Para 2021, o Conselho de Administração da B3 se mostrou favorável à proposta de distribuição de dividendos extraordinários no montante total de R$ 1,19 bilhão. O pagamento será realizado em 07 de maio de 2021 e tomará como base de cálculo a posição acionária de 24 de março de 2021.

B3SA3 está entre as ações que mais pagam dividendos no mercado brasileiro. Para 2021, B3SA3 está com um dividend yield projetado de 3,11%, segundo a Economatica.

=> Dividendos 2021: confira as 24 empresas com o maior potencial de retorno no ano. 

Programa de Recompra – A B3 informou também sobre o Programa de Recompra: administração da estrutura de capital da companhia, combinando recompras de ações e distribuições de proventos para “retornar capital aos acionistas”. A quantidade máxima de ações a serem adquiridas e de até 27,6 milhões, do montante total em circulação no mercado de 2,039 bilhões de ações. Já considerando o cancelamento, são 8.178.179 ações em tesouraria. De acordo com as informações financeiras mais recentes, a B3 possuía reservas de capital no montante de R$ 9,1 bilhões.

B3 desdobrará ações – A operação de desdobramento de ações tem a finalidade de adequar o patamar das cotações das ações, tornando-as mais acessíveis aos investidores. As ações da B3 passaram a valer R$ 55,49, com queda de 1,94%,

Caso a operação proposta seja aprovada pela AGE, será realizado o desdobramento da totalidade da ações ordinárias, na proporção de uma para três ações da mesma espécie, sem modificação do valor do capital social da companhia. Desse modo, o capital social permanecerá em R$ 12,548 bilhões.

  1. As maiores altas da semana ficam para…

PetroRio (BOV:PRIO3) foi a ação mais valorizada na semana, com alta de 15%. A companhia divulgou seu balanço nesta semana, porém os números vieram abaixo das estimativas. Para o BTG Pactual, a PetroRio conta com boa visibilidade de seus ganhos e lucratividade para 2021, considerando que o piso de preço no primeiro semestre é de US$ 65 o barril de petróleo, 51% acima do preço médio do petróleo Brent no ano passado. Outro ponto positivo é a perspectiva de geração de valor por meio de fusões e aquisições, que justificam múltiplos mais elevados. A baixa exposição ao risco político também é pontuada pelos analistas.

Além disso, a companhia revelou que deverá iniciar campanha de perfuração no campo de Frade, na Bacia de Campos, no quarto trimestre deste ano, à medida que investe para aumentar o fator de recuperação do ativo. A PetroRio também informou ao mercado a assinatura de contrato com a TotalE&P do Brasil para a aquisição da participação de 28,6% no Bloco BM-C-30, o Campo de Wahoo ou simplesmente Wahoo, na Bacia de Campos. Somada à parcela de Wahoo adquirida da BP, a participação da PetroRio na concessão passará a ser de 64,3%, quando concluídas as duas transações, sujeitas a condições precedentes.

Outra empresa que se deu bem na semana foi a Rumo (BOV:RAIL3). Ela inaugurou oficialmente nesta quinta-feira o trecho que vai de São Simão (GO) a Estrela D’Oeste (SP) na Ferrovia Norte-Sul. A companhia desembolsou no ano passado R$ 711 milhões para obras de infraestrutura do projeto e entregou a operação cinco meses antes do prazo. A companhia também divulgou na quinta-feira suas projeções financeiras e operacionais para 2021 e 2025. A projeção é chegar a 2025 com uma fatia de 50% — considerando que o mercado também vai crescer 29%, em termos de volume, no período. No ano passado, a Rumo teve uma participação de 44% no mercado.

  1. Já na ponta oposta, as maiores quedas ficaram para…

O Pão de Açúcar (BOV:PCAR3) salgou uma perda de 70% na semana, porém a Assaí Atacadista (BOV:ASAI3), que é o braço de atacarejo (atacado + varejo) do Grupo Pão de Açúcar (GPA), na sua estreia na B3 teve uma valorização de 386%. Lembrando que os acionistas do Pão de Açúcar, conjuntamente com os da subsidiária Senda, aprovaram há alguns meses uma proposta de reorganização societária para a cisão da Assaí. Mas o que significa isso?

A Assaí deixou de ser controlada pelo Pão de Açúcar, passando a ter ações, balanços e indicadores financeiros próprios. Assim, as duas empresas se tornam independentes. Como o Pão de Açúcar “perdeu um pedaço” dele, as ações caíram, mas Assaí subiu pela perspectiva de uma nova empresa.

  1. Cadê a Magalu?

Semana passada falamos que Magazine Luiza (BOV:MGLU3) divulgaria seus resultados do acumulado do ano e do quarto trimestre ainda nesta semana, porém a empresa remarcou para o dia 08 (segunda-feira), que é justamente o Dia da Mulher. Será que vem coisa boa por aí?

  1. O que esperar em termos de balanços para a próxima semana

Alguns balanços previstos para a próxima semana são: Magazine Luiza (BOV:MGLU3), Petrobras Distribuidora (BOV:BRDT3), Braskem (BOV:BRKM5), BR Malls (BOV:BRML3) e muitos outros. Para ver a lista com todos os balanços que serão divulgados na próxima semana, clique aqui.

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* Com informações da ADVFN, RI das empresas, Valor, Infomoney, Estadão, Reuters, CNN, CNBC, TC, G1, Agência Brasil e BDM.

 

 

 

 

 

 

 

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