Hoje, 8 de março, é celebrado o Dia Internacional da Mulher, mas isso não quer dizer que, se você está lendo este artigo em outra data, o conteúdo já ficou obsoleto ou perdeu sua validade. Muito pelo contrário, a entrada das mulheres em diversos espaços tem se mostrado um assunto cada vez mais atual e sempre há muito a ser dito – e refletido.

Se pensarmos que foi só a partir de 1962 que a mulher pôde ter um CPF em mãos e que, até esse ano, elas nunca puderam sequer ter um cartão de crédito, a história financeira das mulheres é ainda muito recente. E mais recente ainda é a história delas como investidoras.

Na Bolsa de Valores brasileira, em 2002, por exemplo, apenas 17% dos investidores minoritários eram mulheres. Ou seja, 83% de homens no mercado financeiro em uma época que nem é tão distante assim, foi praticamente “ontem”. Ah, mas 2020 foi o ano do boom de entrada de novos investidores na Bolsa, então vamos rever os números, porque vai que melhoraram? Eles melhoraram, sim, mas pouco. São 26% de mulheres na Bolsa até dezembro de 2020, contra 74% de homens. Considerando esses dados, se a cada 20 anos elas sobem 10% em termos de quantidade, apenas lá por 2045 teríamos uma Bolsa 50% a 50%, se os níveis se mantivessem nessa mesma disposição. Dá para acreditar?

Mas pode ser que não demore tanto assim. Isso porque as mulheres vêm tendo cada vez mais voz e, aquelas que conseguem ultrapassar grandes barreiras impostas pelo machismo e pelo sistema patriarcal, inspiram e apoiam muitas outras a fazerem o mesmo. É o que se chama de sororidade. Na Bolsa, por exemplo, majoritariamente dominada por homens, existem muitas empresas nas quais as mulheres mandam e desmandam, e isso incentiva as mulheres investidoras.

Isso porque é consenso entre os especialistas que as mulheres têm uma predileção por companhias que gerem algum impacto social e estejam envolvidas em questões éticas e ambientais. Muitas inclusive optam por empresas que incentivam o empoderamento feminino de algum modo, seja pelo fato de terem dirigentes femininas ou realizarem práticas consistentes que envolvam e valorizem mulheres.

Já os homens também estão cada vez mais de olho nisso, afinal está mais do que provado que mulheres no comando podem gerar ainda mais retornos positivos. É só pensar, por exemplo, em uma Magalu (BOV:MGLU3), que já foi chamada de a “Amazon brasileira” devido à fortíssima valorização das ações e solidez dos seus números financeiros e operacionais. O nome por trás disso todos conhecem: Luiza Helena Trajano. Mas não vamos dar spoilers.

Então, para atender aos dois públicos – as mulheres que gostam de investir em empresas com essa responsabilidade e os homens que gostam de saber ainda mais sobre as companhias nas quais investem –, a Teva Índices, em parceria com a Easynvest, justamente no Dia da Mulher divulgou um estudo pioneiro sobre as empresas de capital aberto que têm maior representatividade feminina em seus Conselhos de Administração. Ou seja, empresas cujas vozes das mulheres ajudam a decidir o rumo das companhias e, claro, a traçar o caminho de sucesso dos investidores.

Você imagina quais são elas?

Conselhos femininos

Embora Magalu com certeza tenha vindo à sua mente quando falamos de liderança feminina nas empresas da Bolsa, saiba que, embora ela esteja no ranking, não é a primeira colocada. Na verdade, não mais, porque o levantamento da Teva Índices é feito regularmente e já teve Magalu como líder disparada em termos de mulheres compondo o Conselho de Administração da empresa. Nós trouxemos isso para você em uma matéria muito especial, na qual citávamos os dados do terceiro trimestre do estudo da Teva Índices. Clique aqui para ver o artigo na íntegra e entender como estava o ranking. 

Dessa vez, com dados colhidos até 28 de fevereiro deste ano, o estudo mostra que quem ganha a ponta de liderança é o Enjoei (BOV:ENJU3), com 60% do seu Conselho de Administração composto de mulheres. Ao todo, 5 pessoas fazem parte do Conselho, sendo 3 nomes femininos. Veja como ficou o ranking completo:

CapturarFonte: Teva Índices (2021).

Perceba que Aeris (BOV:AERI3) e Vivara (BOV:VIVA3) possuem os mesmos números, porém a Teva Índices considerou a capitalização de mercado para deixar a Aeris acima da Vivara dentro do ranking. Ela também filtrou somente empresas cujos cargos no Conselho sejam efetivos e que as ações tiveram um volume de negociação superior a R$ 20 milhões em fevereiro deste ano, desconsiderando companhias em recuperação judicial e extrajudicial e em liquidação.

Gabriel Verea, CEO da Teva Índices, afirma que “O cálculo de índices que medem a diversidade na governança já é uma prática consolidada em diversos países. Essa mensuração é essencial para aumentar a transparência e promover mudanças sociais”.

Não apenas sociais, mas diríamos também financeiras e até comportamentais, já que, como falamos anteriormente, mulheres inspiram outras mulheres, e os dados tendem não apenas a trazer um olhar mais atento dos já investidores como também incentivar quem ainda está ensaiando uma entrada no mercado de ações, e até mesmo mulheres que precisam de um exemplo para se posicionar no dia a dia do mercado de trabalho.

Mas vale a ressalva: “Mensalmente vemos novas empresas compondo o ranking, assim como muitas abrindo IPO, já com o cuidado em ter maior representatividade feminina na liderança. O levantamento destaca quem tem feito a lição de casa, mas o cenário segue desigual para elas. Se pensarmos em CEOs, menos de 2% são mulheres em companhias abertas no país”, explica Iris Sayuri, gerente de produto e uma das embaixadoras do movimento “Nós, Mulheres Investidoras”, da Easynvest.

O caminho é tortuoso, um tanto quanto lento, mas com informação e dados relevantes como esses a mudança pode se tornar ainda mais constante. Levando em conta o que a Bolsa de Valores representa para um país em termos de desenvolvimento, esses exemplos de empresas refletem também o pensamento social já presente no Brasil, o que demonstra uma grande maturidade dentro das questões de gênero.

Nas palavras de Lao-Tsé: “uma longa viagem começa sempre com um único passo”. Você já deu esse passo hoje? Então, aproveite para compartilhar este conteúdo com seus amigos e com alguma mulher. Sua atitude pode inspirar ainda mais mulheres a fazerem parte desse universo financeiro que a gente adora e no qual elas também vêm depositando muito mais do que dinheiro, vêm investindo também em representatividade!

 

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