Klabin registrou lucro líquido de R$ 1,050 bilhão no quarto trimestre de 2021, em uma queda de 21%, mas acima do esperado pelo mercado.

A receita líquida da companhia entre outubro e dezembro de 2021 foi de R$ 4,581 bilhões, alta de 39% na comparação com o mesmo período de 2020. No ano, o avanço é de 38%, para R$ 16,481 bilhões.

A forte demanda pelos produtos da Klabin, os reajustes de preços realizados ao longo do ano em todas as unidades de negócios no mercado local e no mercado externo, além da desvalorização do real frente ao dólar no período explicam este forte crescimento.

Ebitda – juros, impostos, depreciação e amortização – ajustado no quarto trimestre foi de R$ 1,88 bilhão, alta de 44% na comparação anual. Excluindo efeitos não recorrentes, a alta é de 70%. A margem Ebitda ajustada foi de 41% nos últimos três meses de 2021, um ponto percentual maior do que em 2020.

Segundo o informe da Klabin, o aumento do Ebitda contribuiu para a desalavancagem mesmo durante o ciclo de investimentos do Puma II, com redução da relação da dívida líquida com Ebitda medida em dólares para 2,9x ao final do 4T21.

retorno sobre o capital investido (ROIC) da Klabin, foi de 19,5% nos últimos doze meses.

Em relação à dívida da Klabin, a empresa informou que houve um acréscimo de 5%, a R$ 20,9 bilhões.

Dessa forma, o índice de alavancagem, medido pela relação entre dívida liquida e o Ebitda ajustado foi de 3,0 vez no final de dezembro de 2021, mas uma redução de 1 vez em relação ao 4T20.

Os investimentos da companhia, que já deu início à construção da segunda máquina de papel de Puma II, somaram R$ 3,88 bilhões em 2021, queda de 25% frente ao ano anterior. No quarto trimestre, contudo, houve aceleração dos desembolsos, para R$ 1,16 bilhão, ante R$ 1 bilhão nos três meses anteriores.

Até o fim do ano passado, os desembolsos com Puma II somavam R$ 7,9 bilhões, de um total de R$ 12,9 bilhões. A primeira máquina de papel entrou em operação no ano passado e o índice de construção da segunda máquina chegou a 14% em 30 de janeiro.

Com relação ao Capex, a Klabin investiu cerca de R$ 1,16 bilhão no 4T21, alta de 16% na comparação com 4T20.

A Klabin diz que a demanda pelo produtos da empresa permaneceu sólida no quarto trimestre. As condições favoráveis de mercado, diz, aliada à flexibilidade comercial e ao sólido desempenho operacional, alavancaram os resultados da companhia no período.

“No mercado de celulose, o balanço de oferta e demanda manteve-se equilibrado durante o trimestre diante da forte diferença de consumo entre as geografias”, comenta. “A demanda permaneceu forte na Europa, EUA e América Latina e em patamar inferior ao trimestre anterior na China, enquanto a oferta seguiu impactada pelas dificuldades logísticas”.

A empresa argumenta que comprovou os benefícios de sua flexibilidade no mix de vendas entre regiões e de seu portfólio diversificado de celulose (fibra curta, fibra longa e fluff), cujo diferencial de preços continuou elevado ao longo do período.

“Com isso, o negócio de celulose atingiu novamente um sólido resultado, com crescimento de 87% no Ebitda/t no quarto trimestre de 2021 em relação ao mesmo período do ano anterior”, destaca.

No segmento de papéis para embalagens, a demanda por kraftliner seguiu aquecida, segundo a Klabin. “Nos EUA, maior produtor e exportador deste produto, o forte consumo interno permanece como direcionador para a redução do volume de exportações, 21% inferior no período entre janeiro a outubro de 2021 em relação ao mesmo período do ano anterior”.

No mercado de embalagens, a Empapel registrou queda de 5,3% no volume de expedição de caixas de papelão ondulado no quarto trimestre de 2021 comparado ao mesmo trimestre do ano anterior, informou a Klabin.

Os resultados do Banco Klabin (BOV:KLBN11) referentes às suas operações do quarto trimestre de 2021 foram divulgados no dia 09/02/2021. Confira o Press release na íntegra!

Teleconferência

Embora o primeiro trimestre seja sazonalmente “mais moderado”, a Klabin manterá o ritmo de crescimento, com a entrega de resultados consistentes como se viu nos trimestres anteriores, afirmou o diretor-geral da companhia, Cristiano Teixeira.

“Há outras questões complexas, como a dificuldade da China de exportar por questões logísticas ou [o risco de surgimento de] uma nova variante [do novo coronavírus]. A gente vive em um mundo complexo, portanto, do lado macro, é difícil cravar como serão as exportações americanas de kraft”, disse o executivo, em teleconferência para comentar os resultados da empresa.

Em papelão ondulado, disse o diretor de Embalagens da Klabin, Douglas Dalmasi, não há razão para reclamar neste momento. “Ainda está em patamar muito bom e acompanha a economia brasileira”, disse, acrescentando que, em relação ao segundo semestre de 2020 e primeiro semestre de 2021, as expedições caem porque a base de comparação é muito forte. “Mas o desempenho ainda é muito bom”, reiterou.

A companhia está confiante na aplicação dos reajustes anunciados para diferentes tipos de celulose e em diferentes geografias neste primeiro trimestre, disse o diretor da unidade Celulose da companhia, Alexandre Nicolini.

“Estamos discutindo o aumento de fevereiro e temos uma expectativa boa para março, já que o mercado segue aquecido”, afirmou.
“É natural que [o preço doméstico] acompanhe os preços do mercado externo com algum prêmio ao longo do ano”, disse.

Na teleconferência com analistas para comentar os resultados trimestrais da empresa, Teixeira lembrou que, no primeiro ciclo da madeira para Puma II, a Klabin vai comprar o insumo no mercado, ao mesmo tempo em adquire terras e dá início ao plantio de florestas em áreas mais próximas à fábrica.

“No segundo ciclo da madeira, a distância cai e a companhia volta aos níveis normalizados de madeira própria. De forma estrutural, o custo de madeira vai cair [à frente]”, disse o executivo.

Conforme o diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Marcos Ivo, a previsão é que, nos primeiros seis anos, Puma II use “madeira substancialmente de terceiros”.

“Houve um primeiro degrau [no custo caixa de celulose] no fim de 2021, com a entrada em operação da MP 27. E haverá novo degrau em 2022”, disse, acrescentando que a magnitude desse aumento será um pouco menor do que a vista na comparação entre o quarto trimestre de 2020 e o mesmo período de 2021.

“Esperamos um aumento um pouco menor do que esse em 2022. Então, o custo se estabilizará e começará a cair estruturalmente a partir de 2025, mais intensamente a partir de 2026”, afirmou Ivo.

VISÃO DO MERCADO

Ativa Investimentos

A evolução nas receitas em celulose, papel e embalagens somado à depreciação cambial contribuíram para que Klabin registrasse um 4T21 conforme esperávamos. Para o crescimento das receitas, destacamos a relevância do segmento de papéis, cujo topline avançou 23% QoQ em função da entrada de produção da primeira máquina de Puma II, bem como a capacidade da companhia em repassar preços em todos os seus segmentos de atuação.

Ainda assim, o aumento no custo com combustíveis, insumos químicos, inflação, compra de madeira e de papel de terceiros aumentaram seu custo caixa. Diante de um aumento no G&A, uma queda nas despesas com vendas, ocorrida diante de um menor volume de exportação e despesas com royalties, bem como registrando um resultado financeiro estável QoQ, Klabin limitou a retração da geração de caixa ajustada por tonelada vendida para apenas 2% QoQ e apresentou resultados que consideramos neutros.

Ativa tem recomendação de compra com preço-alvo de R$ 34,00…

BTG Pactual 

A Klabin teve resultados de quarto trimestre dentro do esperado, diz o BTG Pactual, com destaque para o Ebitda ajustado de R$ 1,88 bilhão vindo 3% acima da expectativa, sustentado por preços de celulose realizados um pouco maiores que o esperado e controle de custos.

Os analistas Leonardo Correa e Caio Greiner escrevem que a empresa continua sua transformação positiva, reduzindo alavancagem, aumentando a produção em Puma II e expandindo os retornos sobre o capital investido.

“Com a visão cautelosa do mercado sobre o setor de papel e celulose, acreditamos que o consenso para 2022 de Klabin deve ser elevado”, comenta o banco. Eles destacam que o múltiplo de 7,1 vezes o valor da ação sobre o Ebitda de 2022 é bastante atrativo.

Outro ponto que chamou a atenção do BTG é que a Klabin gerou R$ 190 milhões em fluxo de caixa livre mesmo em um momento de fortes investimentos. Excluindo o investimento em expansão, a empresa teria gerado caixa de cerca de R$ 1 bilhão, com rendimento de 14%.

BTG Pactual tem recomendação de compra com preço-alvo em R$ 39,00…

Goldman Sachs 

Os custos, em especial da madeira, devem continuar subindo e podem impactar os lucros da Klabin, diz o Goldman Sachs, após os resultados trimestrais da companhia.

“A inflação de custos foi mais agressiva do que esperávamos e continua relevante, com a Klabin reportando um crescimento consolidado de 26% na comparação anual, mas com o custo da celulose em alta de 42% [na mesma base de comparação]”, dizem os analistas Gabriel Simões, Henrique Marques e Marcio Farid.

Eles acrescentam que a pressão inflacionária foi observada em diferentes matérias-primas, incluindo a madeira, combustíveis e produtos químicos.

Pressionados pelo maior volume de compra de papel e madeira de terceiros e pela valorização das commodities, o custo dos produtos vendidos (CPV) pela Klabin no quarto trimestre, excluindo os valores de depreciação, amortização e exaustão, avançou 22% ante o mesmo período de 2020, para R$ 2,06 bilhões.

“Esperamos que a pressão de custos continue, embora em ritmo mais lento em 2022, especialmente no primeiro trimestre”, comenta equipe do banco.

Olhando para o futuro, os analistas acreditam que os investidores da Klabin irão se concentrar no aumento do volume de vendas do Projeto Puma II e no Brasil, com a demanda de papelão ondulado e com resiliência de preço.

Segundo o banco, o momento positivo para o setor de celulose é temporário e há riscos para os preços a partir do segundo semestre.

Goldman Sachs tem recomendação neutra com preço-alvo de R$ 30,00…

XP Investimentos 

A Klabin teve resultados dentro do estimado no quarto trimestre, de acordo com a XP. Os analistas André Vidal, Victor Burke e Thales Carmo afirmam que o Ebitda ajustado superou em 3% as projeções d banco, enquanto os preços da celulose ficaram 19% acima do esperado.

De acordo com a XP, os resultados da companhia no último trimestre refletem os preços acima do esperado no segmento de celulose e o aumento de preços nos segmentos de papel e embalagens.

Os analistas dizem que a companhia implementou a estratégia de direcionar mais volumes à Europa, em meio à queda de preços na China, o que proporcionou preços estáveis no trimestre e 19% acima das estimativas.

Os avanços, porém, foram parcialmente atenuados pelas despesas gerais e administrativas 16% maiores no período.

XP mantém recomendação de compra com preço-alvo de R$ 31,20…

* Com informações da ADVFN, RI das empresas, Valor, Infomoney, Estadão, Reuters

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