A companhia aérea Azul reportou um prejuízo líquido de R$ 945,7 milhões no quarto trimestre, revertendo o lucro líquido de R$ 543,4 milhões em igual trimestre de 2020. No quarto trimestre de 2019, a empresa havia registrado um lucro líquido de R$ 872,8 milhões.

A receita líquida total da companhia alcançou R$ 3,7 bilhões de outubro a dezembro, aumento de 109,1% sobre igual intervalo do ano passado.

A receita de passageiros alcançou R$ 3,39 bilhões no quarto trimestre, avanço de 122,2% na comparação anual.

A receita de cargas e outros totalizou R$ 334 milhões no quarto trimestre, alta de 30,8% na mesma base de comparação.

Ebitda – lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização – ajustado foi de R$ 1,03 bilhão, alta de 432,5% na comparação com igual período de 2020, mas queda de 16,5% na comparação com os últimos três meses de 2019. A margem foi de 27,5% no trimestre, alta de 16,7 pontos percentuais no ano, mas queda de 10,3 pontos percentuais contra 2019.

O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 1,469 bilhão no 4T21, contra resultado positivo de R$ 618,8 milhões no 4T20.

As despesas financeiras líquidas atingiram R$ 950,1 milhões, principalmente devido ao acúmulo de juros sobre empréstimos e obrigações de arrendamento no trimestre.

Já as variações monetárias e cambiais, líquidas representaram uma perda não-monetária em moeda estrangeira de R$ 533,5 milhões no 4T21 devido à depreciação de 2,6% do real em relação ao dólar no trimestre, resultando em um aumento nos empréstimos e passivos de arrendamento indexados a moeda estrangeira.

A Azul conseguiu um salto de 16,4% na sua demanda doméstica (medida em passageiros pagantes transportados em um quilômetro, ou RPK) no quarto trimestre na comparação com igual período de 2019, antes da pandemia. Contra os últimos três meses de 2020, o salto na demanda foi de 46,9%.

A Azul registrou um salto de 33% no seu custo operacional dividido pelo total de assentos-quilômetro oferecidos (chamado de CASK) no quarto trimestre na comparação com igual período de 2019, antes da pandemia. O valor do CASK foi de R$ 0,3391. Contra igual período de 2020 o resultado representa alta de 13,5%.

A Azul encerrou o trimestre com R$ 4,1 bilhões de liquidez imediata, incluindo caixa e equivalentes de caixa, contas a receber e investimentos de curto prazo, 40,6% acima do 4T19. Essa liquidez imediata representou 41,6% da nossa receita dos últimos doze meses. A liquidez total incluindo depósitos, reservas de manutenção, investimentos de longo prazo e recebíveis foi de R$ 7,2 bilhões em 31 de dezembro de 2021. Isso não inclui peças de reposição ou outros ativos não onerados como a Tudo Azul e a Azul Cargo.

O combustível de aviação aumentou 40,8% para R$1.171,0 milhões, principalmente devido a um aumento de 51,4% no preço do combustível de aviação, parcialmente compensado por uma redução de 4,7% no consumo de combustível por ASK como resultado da nossa frota mais eficiente e uma redução de 3,5% nas horas-bloco.

O RASK e PRASK aumentaram 17,5% e 12,3% respectivamente em comparação com o 4T19, impulsionados pelo forte desempenho da receita doméstica dos segmentos de lazer e corporativo, o que levou a um aumento nas tarifas juntamente com a receita recorde do nosso negócio de logística. Em comparação com o 4T20, RASK e PRASK aumentaram 42,7% e 51,7%, respectivamente.

Em relação à dívida líquida, a companhia informou que houve um aumento de 44,9%, a R$ 17,782 bilhões.

Os investimentos totalizaram R$ 284,0 milhões no 4T21, uma redução de 42,5% em comparação com R$ 494,1 milhões no 4T19, principalmente devido às manutenções realizadas internamente e a capitalização dos eventos de manutenção de motores e maiores aquisições de peças de reposição no 4T19. Os investimentos em 2021 reduziram 50,2% em comparação com 2019.

Em 31 de dezembro de 2021, a Azul possuía uma frota operacional de 161 aeronaves de passageiros e uma frota contratual de 179 aeronaves de passageiros, com uma idade média de 6,6 anos, excluindo as aeronaves Cessna.

Os resultados da Azul (BOV:AZUL4) referentes às suas operações do quarto trimestre de 2021 foram divulgados no dia 24/02/2022. Confira o Press release na íntegra!

Teleconferência

O presidente da Azul, John Rodgerson, sinalizou um cenário desafiador para as aéreas em todo o mundo, com temos como o salto no preço do petróleo, mas defendeu que no Brasil o cenário é ainda mais complexo.

“As aéreas precisam ser mais eficientes hoje, especialmente no Brasil”, afirmou durante teleconferência. O executivo apontou como desafio a disparada no preço do combustível de aviação, principal fator hoje a elevar os custos das aéreas, assim como a desvalorização do real contra o dólar e a inflação.

Apesar dos desafios, David Gary Neeleman, presidente do conselho de administração da empresa, destacou que o mercado para as companhias aéreas tem melhorado. “A demanda internacional e corporativa continua a crescer”, afirmou.

A Azul tem usado mais sua energia no seu plano de crescer no mercado doméstico de forma orgânica e menos na intenção de comprar a concorrente Latam, que está em recuperação judicial nos Estados Unidos, disse John Rodgerson, presidente da companhia aérea.

“Estamos acompanhando o que está acontecendo com a Latam”, disse, sinalizando questionamentos por parte de credores dentro do processo de recuperação judicial da concorrente. “Vamos olhar e ver se há oportunidade. Não estamos ativamente brigando para entrar”, disse.

“Todo nosso resultado hoje mostra que estamos focados no plano da Azul”, acrescentou, mantendo a defesa de que uma consolidação seria saudável para o mercado.

Com a chegada dos modelos, disse, a empresa deve desativar alguns dos E1, mas o grupo tem adotado também a conversão do modelo para cargueiro. “Pode ser que a gente fique com mais E1 para atender a essa demanda dos clientes de carga”, disse

VISÃO DO MERCADO

Ativa Investimentos

A queda intensa das ações preferenciais da Azul, com desvalorização acima de 9% no pregão, dialoga mais com o aumento do prêmio de risco do setor e o deslocamento de valor das cadeias globais, em função dos choques externos atuais, que puramente com os resultados apresentados pela companhia no quarto trimestre de 2021, diz a Ativa.

Segundo o analista Ilan Arbetman, apesar das melhoras internas, acredita-se que o prêmio de risco sobre as ações do setor deve continuar elevado diante um cenário de dificuldades macroeconômicas em meio a maior inflação e alta da taxa de juros no mercado doméstico.

“Bem como a incidência de choques internacionais que tendem a deixar as variáveis câmbio e preço de combustíveis mais desafiadoras para a companhia”, avalia.

Para o analista, a aérea registrou receitas acima das expectativas da casa de análises com tarifas médias mais altas, fruto da exitosa estratégia de priorização de rotas sem sobreposição e de uma contínua melhora na demanda. Os custos também superaram as projeções em função do aumento do querosene de aviação e do dólar, refletindo uma margem bruta abaixo das expectativas.

Ele pondera que, apesar do resultado financeiro da Azul ter vindo pior em função da desvalorização do real e o resultado líquido ficar mais oneroso do que o esperado, classifica os resultados como neutros, destacando também o desempenho da Azul Cargo e a manutenção de uma situação de liquidez justa.

Arbetman acrescenta que, mesmo que a companhia esteja distante de forma operacional e financeira de seu estágio pré-pandemia, ao menos vem mostrando entender a complexidade do atual momento do setor aéreo e tem investido em ações que lhe rendam perenes ganhos de eficiência futuros, como a operação de cargo e o controle das despesas operacionais.

Ativa tem recomendação de compra com preço-alvo de R$ 33,50…

Citi

A Azul reportou bons números operacionais no quarto trimestre no quarto trimestre, com o Ebitda superando as estimativas do Citi. O Banco, porém, destaca o prejuízo por ação de R$ 1,09.

Os analistas Stephen Trent, Brian Roberts e Filipe Nielsen apontam que o Citi estimava lucro por ação de R$ 1,59, enquanto o consenso de mercado apontava para prejuízo de R$ 1,20.

Os resultados financeiros líquidos ficaram em linha com as projeções. O Ebitda de R$ 1,03 bilhão superou em 32% as estimativas do banco.

Ainda de acordo com os analistas, o real se valorizou significativamente ante o dólar, proporcionando maior custo de assento por milhas para a Azul e desalavancando a companhia.

A recomendação do Citi para os recibos de depósito (ADRs) da Azul na Bolsa de Nova York é de compra, com preço-alvo de US$ 24, o que representa potencial de alta de 61,2% ante a cotação registrada há pouco.

* Com informações da ADVFN, RI das empresas, Valor, Infomoney, Estadão, Reuters
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