Uma das maiores geradoras de energia do país, a AES Brasil, teve prejuízo de R$ 34,8 milhões no quarto trimestre de 2021, revertendo lucro de R$ 602,6 milhões no mesmo período de 2020. Entre janeiro e dezembro do ano passado, o lucro acumulado foi de R$ 516,5 milhões, queda de 39,1%.

A companhia explica que o desempenho é explicado principalmente pelo menor EBITDA no valor de R$ 961,4 milhões, em função do ganho extraordinário no 4T20 decorrente do ressarcimento do GSF no montante de R$ 947,0 milhões.

“Mesmo em um ano desafiador, com situação hidrológica complicada, juntamente com a estratégia de diversificação de fontes, conseguimos entregar lucro em 2021. Assinamos quase um 1 gigawatts (GW) de PPA (contrato de energia)”, afirmou o diretor Vice-Presidente e de Relações com Investidores da AES Brasil, Alessandro Gregori.

A receita líquida somou R$ 731,9 milhões no 4T21, alta de 37,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O custo de operação e despesas operacionais da AES Brasil totalizaram R$ 88,7 milhões no trimestre, uma elevação de 3,0% ante o mesmo intervalo de 2020, enquanto no ano o indicador subiu 18,2% e somou R$ 402,4 milhões.

No trimestre, os investimentos da companhia somaram R$ 395,5 milhões, enquanto em 2021 esse valor chegou a R$ 983,4 milhões.

Ebitda – lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização – somou R$ 205,8 milhões entre outubro e dezembro, recuo de 82,4% no comparativo anual. Já o Ebitda de 2021 caiu 56,3%, para R$ 903,9 milhões.

A dívida bruta consolidada da AES Brasil Energia S.A. encerrou 31 de dezembro de 2021 em R$ 6.216,5 milhões. Sua controlada, AES Brasil Operações, encerrou o último trimestre de 2021 com sua dívida bruta9 consolidada em R$ 5.566,4 milhões, 5,8% superior à posição de dívida bruta do mesmo período de 2020 (R$ 5.258,9 milhões), especialmente em função da captação do empréstimo offshore de R$ 800,0 milhões em março; do vencimento das 4ª, 5ª e 6ª emissões de notas promissórias; da conclusão da aquisição dos Complexos Mandacaru e Salinas, em maio, com assunção da dívida do projeto com saldo atual de R$ 309,7 milhões, do pré-pagamento da 7ª emissão de debêntures, no montante de R$ 767 milhões, em novembro e da captação da 1ª debênture de Tucano Holding II, de R$ 300,0 milhões, desembolsada no último trimestre, além dos juros e atualizações monetárias incorridos entre os períodos.

Em 31 de dezembro de 2021, o caixa consolidado10 da AES Brasil Energia somava R$ 1.712,3 milhões. A AES Brasil Operações, finalizou o 4T21 com um caixa de R$ 1.651,1, 18,6% inferior ao caixa do ano anterior, de R$ 2.027,8 milhões.

A dívida líquida, a companhia informou que houve um aumento de 21,2%, a R$ 4,502 bilhões. Dessa forma, o índice de alavancagem, medido pela relação entre dívida liquida e o Ebitda ajustado foi de 3,95 vezes, uma elevação de 2,42 vezes em relação ao 4T20.

CAPEX

A Companhia prevê investir aproximadamente R$ 3,8 bilhões no período de 2022 até 2026, destinados à expansão dos projetos já contratados e com plano de construção definido, com destaque para a construção dos Complexos Eólicos Tucano e Cajuína, e à modernização e manutenção de seus ativos em operação.

Em 2023, a companhia deve investir R$ 731 milhões, passando para R$ 111,2 milhões em 2024. Os investimentos da AES Brasil devem somar R$ 96,7 milhões em 2025 e R$ 61,6 milhões em 2026.

Os resultados da AES Brasil (BOV:AESB3) referentes às suas operações do quarto trimestre de 2021 foram divulgados no dia 04/03/2022.

Teleconferência

Na teleconferência de resultados do 4T21 e 2021 a analistas de mercado nesta sexta (4), AES Brasil (AESB3) informou que o plano de expansão da empresa prevê alcançar a capacidade de 6 GW em geração, sendo 44% em eólica, 44% em hidrelétrica e 11% em solar.

Hoje, a capacidade de geração de energia da empresa alcança 3,7 GW, sendo 72% em hidrelétrica, 20% em eólica e 8% em solar.

E a capacidade de geração de energia já contratada elevará em breve a empresa a ter 4,76 GW de potência instalada, sendo 57% em hidrelétrica, 37% em eólica e 6% em solar.

Clarissa Sadock, CEO da AES Brasil, apresentou visão otimista para o cenário hidrológico em 2022 por conta das chuvas já registradas nesse início do ano. Depois de um período de estiagem inicial, em 2021 os reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN) encerram o período 33% acima do nível observado nos últimos 10 anos.

VISÃO DO MERCADO

Citi

Os resultados da AES Brasil vieram abaixo do esperado, diz o Citi, com a crise hidrológica aumentando os custos com compra de energia, que somaram R$ 437 milhões, e reduzindo os ganhos da empresa no período.

Os analistas Antonio Junqueira e Guilherme Bosso escrevem que o Ebitda de R$ 206 milhões veio abaixo da estimativa de R$ 325 milhões, enquanto o prejuízo líquido de R$ 34,8 milhões foi aquém do lucro de R$ 35,2 milhões projetado.

Eles elogiam o novo plano de investimentos anunciado pela companhia, que prevê R$ 3,81 bilhões em aportes até 2026, focando em crescimento, reduzindo exposição a ativos hidrológicos e com baixa duração.

Citi tem recomendação neutra com preço-alvo em R$ 13,50…

Credit Suisse

Os resultados apresentados foram mais fracos do que o previsto pelo Credit Suisse, principalmente em custos de compra de energia muito mais altos provavelmente refletindo piores custos de negociação e hedge, parcialmente compensados por menores despesas e ganhos não recorrentes.

“Em uma base anual, os resultados foram ajudados pela incorporação de novos ativos eólicos, mas prejudicados pela fraca produção eólica”, escrevem os analistas Carolina Carneiro e Rafael Nagano.

A receita ajustada da AES Brasil, excluindo royalties hídricos pagos, aumentou 36,1% em base anual, ante previsão de 28,1% do Credit Suisse, com a incorporação dos ativos eólicos Ventus e Salinas e Mandacaru, melhor geração solar, maior alocação em base anual, e maior energia comprada para revenda, o que foi em parte compensado pela produção eólica mais fraca.

Os analistas destacam que o custo de energia foi alto, mas as despesas com pessoal, material, serviços de terceiros e outros (PMSO) foram controladas. Já a dívida líquida atingiu R$ 3,915 bilhões, redução de 24,7% em base trimestral, com maior dívida líquida por lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda).

Além disso, a empresa anunciou a assinatura de dois novos contratos de compra de energia (PPAs, na sigla em inglês) de autoprodução no complexo eólico de Cajuina, totalizando 114 megawatts de capacidade instalada por 20 anos, dizem os analistas. Com isso, a AES aumentou sua carteira de energia contratada em 193 megawatts médios por ano para 2024 e 2025, mas reduziu sua parcela contratada para 2022 de forma a reduzir sua exposição ao déficit hídrico, escrevem os analistas.

Eles destacam ainda que a AES divulgou um plano de investimentos atualizado para os próximos anos, aumentando seu investimento esperado para 2022 e 2023 para R$ 2,8 bilhões e R$ 737,6 milhões, respectivamente.

Credit Suisse mantém recomendação de compra com preço-alvo de R$ 13,00…

XP

A XP destaca em relatório que a empresa teve um bom desempenho operacional no quarto trimestre de 2021, apesar das condições climáticas adversas, com resultado líquido em linha com as estimativas compensado por despesas financeiras abaixo do esperado.

Os analistas Herbert Suede e Maíra Maldonado escrevem que as margens operacionais foram menores na comparação anual como reflexo da estratégia de redução do risco hidrológico (GSF) no trimestre, mas esse impacto foi em parte mitigado pela melhora na geração solar e pela contribuição dos complexos eólicos recentemente adquiridos, o Complexo Ventus em dezembro de 2020 e Mandacaru e Salinas em abril de 2021.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 206 milhões no trimestre veio abaixo das estimativas de R$ 259 milhões devido à geração hídrica e eólica abaixo da esperada, dizem os analistas. As despesas financeiras de R$ 35 milhões, por sua vez, vieram abaixo do esperado, de R$ 56 milhões.

A relação dívida líquida sobre Ebitda passou de 1,53 vezes para 3,95 vezes, segundo os analistas um bom sinal para a empresa, que agora tem mais espaço para explorar o desenvolvimento de novos projetos e continuar sua estratégia de crescimento.

Os analistas destacam que a geração hídrica foi fraca no trimestre como resultado de uma política do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para preservar os reservatórios, favorecendo a fonte térmica, enquanto a disponibilidade eólica foi menor devido à maior pluviosidade.

Já a geração solar foi mais forte devido à maior disponibilidade das usinas Guaimbê e Água Vermelha. “Destacamos também a estratégia de comercialização via contratos de compra de energia (PPAs, na sigla em inglês) da AES, que privilegia contratos de longo prazo, proporcionando maior previsibilidade em termos de previsão de receita”, escrevem.

XP mantém recomendação de compra com preço-alvo de R$ 15,00

 

∗ Com informações da ADVFN, RI das empresas, Valor, Infomoney, Estadão, Reuters

AES Brasil Energia ON (BOV:AESB3)
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